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domingo, 12 de abril de 2015

Quinta do Monte D´Oiro Syrah 24 2007


Característica diferenciadora: Carácter

Preço: 50€

Onde: Garrafeiras especializadas.

Nota pessoal: 18.5

Comentário: O grande problema deste vinho é que nunca vou conseguir beber este vinho com 10 anos. É a 3ª garrafa de 2007 que tenho o prazer de beber... todas diferentes no estado de maturidade, a crescerem claramente em cave, mas iguais na distinção e qualidade. É um dos grandes vinhos que nasceu em Portugal na última década.
Esta acompanhou-nos na noite da Consoada.
Aberta com o devido cuidado, a cor está rubi, antecipando um vinho muito vivo e vibrante.
Aromas iniciais de azeitona (da boa) esmagada, verde e limpa... Carácter aromático evidentemente sedutor e com propriedade magnética... pois o nariz tem dificuldade em afastar-se do copo!
Decantado... surge a acidez de oiro, que proporciona ao vinho tridimensionalidade e volumetria. Deixa de impressionar só pelos aromas e pela entrada de boca, mas também pelo final estrondoso que tem. Peculiar equilíbrio entre acidez e doçura, muito difícil de encontrar e fantástica tenacidade e vigor.
Aromas que abrem os sentidos, com calda de fruta em extraordinário equilíbrio com notas de ervas aromáticas ao "fundo".
Boca de sonho. Acidez com fulgor crescente. Equilíbrio e suculência. Muita amplitude e mais importante de tudo... sabe muito, muito, muito bem.
Vinho top! Duma vinha que certamente se tornará mítica nas próximas décadas.
Provador: Mr. Wolf



domingo, 14 de setembro de 2014

Quinta do Monte D´Oiro Aurius 2003


Característica diferenciadora: Classe


Preço: 25€

Onde: Garrafeiras particulares ou especializadas.

Nota pessoal: 18.5

Comentário: Não é à toa que a maioria dos posts que coloco actualmente é relativa a vinhos com mais de 5 ou 6 anos... especialmente se tivermos em consideração que parece-me de senso comum assumir que a qualidade geral do vinho em Portugal tem crescido muito, diria eu nas últimas duas décadas... mérito superior para os Produtos, sem margem para dúvida, e mérito também para o consumidor, que duma forma geral aumentou a exigência e colabora duma forma mais activa para o gosto pelo vinho. O mercado cresceu em valor no consumo interno, e apresenta fulgor no mercado externo... então porque destaco normalmente vinhos com mais alguns anos de idade? Porque se é verdade que os vinhos melhoraram a qualidade geral, também convergiram para um perfil muito semelhante, homogéneo e "fast drinking"... e na maioria das vezes, apetece-me um (ou mais do que um...) copo de vinho com carácter! E este sem dúvida nenhuma tem!
A cor estremece qualquer mesa... Quais 11 anos?! Será 2003 ou 2013? É 2003.
Limpo, brilhante e cor tendencialmente púrpura escura. Uma enciclopédia vinícola olhar para um copo destes... Panóplia de aromas e densidade cromática fantástica. 
Provar demonstra no copo, aquilo que só realmente o tempo consegue. Impressionante. 
Bom, pelo princípio... Aromas fechados e quentes, com figo a dar o mote. Parece-me também ligeiro cacau, morno - aquele aroma do resto das chávenas de chocolate quente, qaundo era pequeno e ficava aquela "calda" de cacau e o resto do leite... bom, aromas iniciais mornos mas uma bomba de intensidade da prova de boca!
Desafia qualquer conceito dos perfis de vinhos actuais, demonstrando que é o estágio e a correcta maturação que permite colocar em evidência o que é um grande produto, pronto para os palcos globais, e muitas vezes dificil de compreender em circulos mais estritos. 
Infelizmente, Portugal é sem dúvida um mercado pequeno, apesar de proporcionalmente no rácio de consumo per capita, ser um mercado de destaque. Mas conseguir produzir vinhos destes, essencialmente para um mercado como o nosso, a preços acessíveis, é de louvar... e agadecer.
Voltando a esta garrafa... Impossível explicar por palavras o equilíbrio entre a intensidade e a elegância que tem. Impossível.
Notas vegetais e à medida que respira, florais... apimentadas por fruta quente, ligeira e quase confitada. Final estonteante, cheio, redondo, mágico na intensidade, fulgor na persistência... Muito complexo para harmonizar, pois é aquilo que denomino um vinho "muito reagente", ou seja a sua intensidade é tal, que facilmente na harmonização com a comida, provoca diferentes (e evidentes ) sensações... se não houver cuidado, facilmente o vinho cresce muito mais do que a comida...
Touriga Nacional, Syrah, Petit verdot e Touriga franca. 
Penso que o grande destaque deste vinho é a nobre elegância que se sente em cada golada de vinho, como em poucos, polida pelo - inalcançavel por outros meios - efeito dos anos e da muita qualidade empregue desde a vindima à vinificação e estágio. Soberbo. 
Baco seria teu amigo do Facebook pessoal, Quinta do Monte D´Oiro. De certeza... vivesse ele onde vivesse...

Provador: Mr. Wolf


domingo, 8 de junho de 2014

Quinta do Monte D'Oiro Aurius 2009


Característica diferenciadora: Elegância


Preço: 20€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 17.5

Comentário:  Quinta do Monte D'Oiro é sinónimo de qualidade e busca de excelência. É conhecido. 
Diferentes vinhos, radicados no mesmo, ou pelo menos semelhante terroir mesmo ali pertinho de Lisboa... vinificados com o mesmo cuidado, sempre extremo, do qual resultam sempre vinhos de culto, estandartes de elegância e exprimindo o que de mais puro as castas produzem. O Aurius de 2009 está ainda novo de mais - minha opinião. Controversa a opinião, seguramente... Mas está. 
Quem conhece o perfil sabe que tem de acetinar ainda mais. A Touriga Nacional tem de vergar o seu carácter floral, ligeiramente evidente ainda e aprumar a fruta e acidez. Porquê controverso? Porque o consumidor mais distraído quer é expressão de fruta, vigor... e nesse campo, este perfil peca por defeito. O consumidor mais atento, encontra a subtileza que só os grandes vinhos possuem... mas ainda a "amaciar". O vinho é assertivo, elegante e muito, muito gastronómico pelo excelente recorte. Fino e elegante, precisa só de mais uns aninhos em cave para se mostrar a sério. Em alternativa, considero que uma correcta decantação cerca de 1 hora antes de beber, pode ajudar a que o vinho se mostre mais... para a próxima já sei, porque esta garrafa não lhe demos tempo...

Provador: Mr. Wolf



terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Adega Mãe Cabernet Sauvignon 2011


Característica diferenciadora: Cabernet Sauvignon cheio de carácter.

Preço: 10€

Onde: Só vi na Adega Mãe...

Nota pessoal: 17


Comentário:  Negro e muito opaco... opaco e muito vinoso. Púrpura escuro, lágrima densa. Aroma de barrica muito vincada, ainda que, sem chatear muito. A barrica é de muita qualidade. Notas também terrosas, vegetais e verdes. No entanto de registo elegante.

Na prova do boca o vinho está muito bem. Assertivo e vegetal, delgado na acidez, ainda bem presente com taninos bem integrados. É um excelente exemplo de Cabernet Sauvignon, uma vez que as características da casta estão lá todas no entanto sem se deixarem exagerar. O carácter vegetal nota-se na prova de boca também. Tem um perfil muito contemporâneo. Parece-me adequado para provar umas garrafas ao longo dos próximos anos a avaliar para onde caminha. Se por um lado tem "tudo no sítio" para prova imediata, existem algumas características que lhe identifico que me suscitam curiosidade para uns anos de cave, tais como a acidez, quase cítrica, o terroso e essencialmente a granularidade.
Muito curiosa também a vertente mineral que o vinho tem. Não é evidente mas aparece explicita no final, acrescentando-lhe cristalinidade. Muito interessante. 
Vinho para acompanhar.

Provador: Mr. Wolf


domingo, 19 de janeiro de 2014

Quinta do Monte D'Oiro Reserva 2003


Característica diferenciadora: Elegância e tenacidade.

Preço: 45€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 18.5


Comentário:  Escolher os vinhos para a Ceia de Natal não é fácil... escolher um vinho para a Ceia de Natal onde também vamos abrir Barca Velha, obriga a redobrada atenção... mas após alguma reflexão, um Quinta do Monte D´Oiro Reserva não comprometerá seguramente. Arrisca-se mesmo a ser protagonista.
Este de 2003 gosto especialmente. O facto de ser de 2003 induz em erro... pode pensar-se nalgum cansaço e "atenuado" pela idade... mas não!
Aberto com parcimónia e protocolo depois de repousada ao alto por 2 dias. Rolha imaculada, de vitrine!
Cor impenetrável ainda, escura e bastante límpido.
Aromas imediatos a lembrar azeite... profundo no entanto e muito balsâmico. Algum chá e ervas secas e depois de respirar um bom bocado, ligeiro doce. Aromaticamente está muito bem.
Na prova de boca é extraordinário na cremosidade e untuosidade com que se apresenta.
A estrutura que o vinha ainda apresenta é estrondosa. Elegante, mas cheio de tenacidade. Os taninos e a acidez estão tão muito bem, vivos e a fazerem-se a sentir ainda sem nunca chatear.
Fruta ténue, com predominância de especiaria e ligeiros aromas terrosos. Picante no palato e impressiona pela persistência final repleta de intensidade. 
É um excelente vinho em que todas as sensações quando se bebe é de equilíbrio e muita suculência. Nada de exageros, nada de "falta-lhe" o que quer que seja... é muito bom tal qual o vinho está... a questão é que é assim desde que saiu para o mercado, apesar de nos primeiros anos ser ligeiramente mais "vincado" nos taninos e mineral.

Puro prazer e 10 anos são 10 anos. É quando um grande vinho se mostra a sério.

Provador: Mr. Wolf


domingo, 8 de dezembro de 2013

Collares Viúva Gomes Reserva Tinto 1965

Característica diferenciadora: 48 anos depois da vindima.

Preço: Indiferente.

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 18.5



Comentário:  Este é sem dúvida o comentário a um vinho cujo cuidado fotográfico procura fazer justiça ao respeito e admiração que tenho por estes vinhos. 

Verdadeiros vinhos de culto. 

Estonteante a longevidade, classe e pujança dum produto perecível que após 48 anos continua com um fulgor e qualidade absolutamente impressionantes. 
Pode ser verdade que a região de Collares foi prejudicada pela falta de consistência na qualidade dos vinhos. Tudo bem. Mas os anos que são bons, não são somente excepcionais. São míticos e calibram de novo a percepção sobre o que é a longevidade dum vinho.

Detalhe do contra rótulo
Detalhe de "Collares" como terroir e região
Este, após eu ter provado o de 1967 que estava majestoso, carregava aos ombros a responsabilidade de validar ou fragilizar a minha opinião sobre estes vinhos. Pode ter sido uma garrafa fantástica (a de 67) que num dia em que eu estaria propenso a provar e de gastronomia apropriada me soube extraordinariamente bem... ou o cair dum sonho e afinal não era nada disso... e remetia-nos para um vinho apreciável pela idade, mas nada mais do que isso. 
Mas não. Comprovou e carimbou com relevos de ouro a supremacia do carácter agreste, rude e vincado destes vinhos. Para serem apreciados por quem os queria apreciar. Não devem ser comparados a nada em Portugal. Nem impostos a nenhum enófilo da actualidade. Se não gostar, é indiferente. Arrolha-se e bebemos depois sozinhos.
Detalhe das letras em relevo dourado

O vinho apresenta-se com uma rolha de qualidade superior, retirada sem grande sacrificio apesar de cuidada posição do saca-rolhas e ligeiramente húmida.
Aromas de azeite imediatos. Torrados e tostados juntam-se à festa. Antes da expressão cromática, o potencial aromático é impressionante. 
Na realidade a década de 60 em Collares foi marcante. Nota-se ainda quase meia década depois em garrafa. Inigualável, penso eu. Mas conheço muito pouco ainda.
Viscoso a cair no copo, cor de café escuro de opacidade relevante, é na prova de boca que percebemos exactamente o que estamos a falar. Densidade que se aproxima dum Jerez, mas de expectativa... na realidade é extremamente liquido e nada pesado. 
11% e 0,65L- Curiosidades
É uma partida dos sentidos, que atentando à cor nos precipita para uma ideia de licoroso. Não. Nada disso! 
Vincado na acidez, duro e mineral ainda com muito sabor a ferro inicial, adequado para afastar os mais "inexperientes", é quando se foca nos conteúdos mais terrosos, coloniais ao melhor estilo de café acabado de moer em grão, armazém de coisas antigas mas limpas, ligeiro soalho encerado. 
Brilhante vivacidade, frescura e acidez a contrabalançarem as características mais evoluídas e naturais do bouquet.

Tenaz como o aço, vivo como um riacho escorreito por entre caminhos de pedras e sulcos, estes vinhos são uma enciclopédia para qualquer enófilo... melhor que qualquer workshop que se faça... basta-nos uns bons copos largos o suficiente, paciência para o colocar à temperatura adequada - 14º-15º quando se abre - e paciência e abertura de espírito para provar este vinho ao longo duma refeição. 
Fale-se no fim, não quando se prova pela primeira vez. Temperatura e copos adequados é obrigatório.

Provador: Mr. Wolf

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Collares Viúva Gomes Reserva Tinto 1967


Característica diferenciadora: Um bocadinho de História de Portugal Vinícola.

Preço: Não aplicável.

Onde: Garrafeiras especializadas... e particulares.

Nota pessoal: 18.5


Comentário: Parece-me óbvio compreender o misto de excitação com apreensão com que se abre uma garrafa de 1967... excitação, pois estamos a falar duma garrafa que está fechada há mais anos que muitos de nós que lemos estas linhas... Pensar que quando esta garrafa foi engarrafada, não existiam por exemplo telemóveis... que viviamos em Portugal num regime governativo diferente... havia menos carros nas estradas dum concelho como o que vivo, do que provavelmente num parque dum centro comercial actualmente na semana do Natal...Beber isto é pensar que os carros não tinham injecção electrónica... Havia 2 canais... Nem sei se a cores. Havia menos carros que telefones fixos... Telemóveis, nem em sonhos. Um telecomando era só com uma fisga. Percebem a excitação? Excitação também pela curiosidade natural que temos em analisar como estará 46 anos após ser "feito vinho"... excitação, por ser de Collares... a apreensão advém apenas do facto de poder estar "morto" e imbebível!

Bom... Abra-se! Rolha escura, ligeiramente húmida... dificil... mas saiu... aos bocados, mas saiu!

Cor incrivelmente rubi!  Ligeiros laivos atijolados, mas predominantemente rubi.
Aromas iniciais de armazém de produtos químicos... Aromas de laboratório de físico-química das aulas do secundário! Pelo menos da escola que frequentei... e não era por terem lá garrafeira. Não é mofo, nem antigo... Nem madeira encerada... É químico. 
Decanta-se. Respira.

1 hora depois:

Notas florais, muito a lembrar rosas. Aroma da água das rosas explícito. Aquela água no dia em que se colocam rosas em jarra numa sala! Uau. 46 anos! Estou estupefacto...

Prova de boca... tal é a curiosidade suscitada, que quase que se fala mais baixo para provar este vinho!
Acidez marcada, com notas metálicas muito evidentes e mineralidade. No entanto é perversamente elegante e equilibrado dando uma prova muito homogenea.
Fruta? Zero. Nem vê-la nem cheirá-la!! Nem sequer se imagina que um vinho pode ter fruta depois de andar a namorar os aromas deste copo. Fruta para quê?? Nadinha! Se muito, pois o nosso cérebro prega-nos destas partidas e procura referências que conheça e consiga indexar, encontramos lima na prova de boca e na parte frontal da língua. É o mais frutado que se consegue...
Granular na língua, extremamente sedoso e por estranho que pareça parece não ter tanino nenhum, mas a acidez é de tal forma peculiar que o tanino não faz falta. 
Volta e mais volta no copo e emergem aromas de algas, aquele aroma matinal quando a maré está vazia ... aroma de amanhecer e caminhar perto do mar. Pelo menos é o que me lembra... caminhar no Paredão entre Cascais e S. João. Iodo ligeiro e muitas algas. Prova de boca consistente com sabor ligeiramente salgado.

Provar este vinho, lança-me para reflexões sobre a dureza com que estás uvas crescem, atlânticas, em solos arenosos... Literalmente arenosos, sem "mariquices" e apenas o essencial para que não sucumbam aos agrestes ventos e às humidades excessivas deste terroir... Infância e adolescência difícil, rude... E tal como no homem, com necessidades mas educação, produzem a idade adulta de sucesso, com personalidade e carácter majestoso. É o que este vinho é.
São 46 anos e o vinho está vivíssimo. Em prova cega, nunca, mas nunca diria que tem mais do que 20 ou 25 anos... É só de 1967...

E ele repousou, passou revoluções, emancipações, ciclos políticos e económicos e aqui aparece, do meio do nada, engomado, distinto e pronto para provas e avaliações de qualidade! 
Impensável comparar com o que se faz... É comparar um alfaiate tradicional com a Zara...e a Zara seguramente tem mais sucesso actualmente que o tradicional alfaiate. Dá que pensar. 
Acidez estonteantemente elegante. É ácido, mineral mas muito sedoso. A língua ressente-se mas fica com uma rudeza muito fina, muito salivar e extremamente gastronômica. Vinho para sonhar. 

Provador: Mr. Wolf

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Dory Reserva 2010

Característica diferenciadora: Acidez/frescura (Torres Vedras “terroir”?)

Preço: 10€ (5 euros nas Feiras de Vinho)

Onde: Feiras de Vinhos do Continente e El Corte Inglés

Nota pessoal: 16,5/17

Comentário: Eu gosto dos vinhos da Adega Mãe. O branco colheita, os varietais de Chardonnay, Viognier, Viosinho e Alvarinho e o Reserva Tinto de 2010, são vinhos que me dão prazer a beber e que me fizerem companhia durante o tempo mais quente (os brancos). Mesmo o Chardonnay e o Viognier, castas já por si mais “pesadas”, mesmo fermentadas em madeira, apresentam uma frescura e uma acidez muito interessante, que espevitam o vinho e o tornam sempre muito prazeroso à mesa. O Viognier tem a ganhar com alguma tempo de cave, porque ainda se sente muito a tosta.

Bem, mas hoje não estamos virados para os brancos … ficam para um outro dia! O Dory Reserva tinto, quando custava 10 euros já era um tinto que dava muito prazer a beber. Agora que custa 5, é para comprar à caixa. Foi o que fiz e que voltarei a tentar fazer, se ainda o encontrar.

Apresenta-se escuro com uma ligeira aureola ruby. No nariz, sobressai a madeira, e à primeira podemos pensar que vamos beber mais um daqueles vinhos achocolatados e docinhos. Felizmente isso não se confirma! Continuando … químico, algumas notas de farmácia. Boca com fruta preta e algum vegetal. Passado algum tempo, surgem-nos notas de pimenta e alguns taninos mais aguçados a disserem de sua justiça e a aconselhar alguma calma no consumo do vinho. No final da refeição, mostrava-se mais proporcional e arrumado, mas, sem nunca ser um vinho aborrecido, porque, tal como os seus “irmãos” brancos, também ele tem uma belíssima acidez e frescura, tornando-se, por isso mesmo, um amigo da mesa. Vinho que enche a boca e que se prolonga.


Provador: Bruno Miguel Jorge

sábado, 5 de outubro de 2013

Quinta do Monte D´Oiro Reserva 2007


Característica diferenciadora: Elegância

Preço: 30€

Onde: Garrafeiras especializadas.

Nota pessoal: 18


Comentário:  Denso e escuro. Muito escuro. Fechado no nariz...
Decantar é obrigatório.
Aromas de carácter mais animal imediatos. Pêlo de animal. Há que esperar.
Não se procure nestes vinhos exuberâncias de barrica, fruta, ou expressões neuróticas do que quer que seja. Esperem-se sim vinhos que se bebem com muito prazer, sem nunca pesarem e que aparentemente são "simples". Mas não são. Há aqui muito trabalho e qualidade para que o resultado tenha esta personalidade tão única como os Reserva da Quinta do Monte D´Oiro nos acostumaram.

Prova de boca cheia de fruta encarnada, viva e sem estar muito madura. Acidez fina e taninos hiper polidos e "arrumados".
Simples de entrada na boca, complexo quando sai. Muito complexo. Muita estrutura e taninos firmes que crescem ao longo da prova.
Precisa muito de ar. Cresce muito. Ganha muito volume e complexidade.

O que impressiona mais neste vinho é sem dúvida a elegância e a capacidade que demonstra para nunca cansar durante a prova. Muito gastronómico e cheio de pormenores, sempre em redor de fruta encarnada, algum picante e uma acidez crescente que lhe dão muito volume. Ganha grip à medida que respira.
Acidez, barrica e taninos muito bem integrados convivem com muita vivacidade e fruta muito boa.

Na minha opinião, apesar de estar muito bem para consumo imediato, é de guardar e ir provando ao longo dos próximos 10 anos. A fruta que o vinho tem necessita estágio para se emancipar, e a elegância e estrutura de taninos garantir-lhe-ão seguramente provas de luxo nos próximos anos.

Provador: Mr. Wolf


Quinta do Monte D´Oiro Syrah 24 2007


Característica diferenciadora: Elegância.

Preço: 45€

Onde: Garrafeiras especializadas.

Nota pessoal: 18.5


Comentário:  Syrah 24 da Quinta do Monte D´Oiro é um dos meus vinhos Portugueses preferidos. Essencialmente porque é muito bom e sabe muito bem, desde a primeira à última gota.
Cor ainda impenetrável. Escuro, limpo, com tons rubi escuro.
Aromas de fruta encarnada, estilo morangos. Sem muita doçura, mas muito expressivos.
Na prova de boca é muito interessante a delicadeza e a leveza que o vinho tem. Parece sempre que "vai acontecer qualquer coisa", mas não vai. Está lá tudo na devida proporção e extremamente bem equilibrado. É impossível enjoar deste vinho.
À medida que o vinho "respira", ganha incríveis notas aromáticas de alfazema e alecrim. Eu acho que o que define este vinho é a delicadeza e aptidão para nos surpreender com a expressividade aromática que tem, ao mesmo tempo que é ímpar na forma harmoniosa com que nos silencia quando se prova na boca.
Como excelente vinho que é, apesar de 6 anos, está em crescendo evidente. E isso vê-se ao longo da prova. Necessita de tempo. Seca ainda a lingua, o que é agradável pois garante alguma frescura, muito difícil nesta casta onde facilmente as notas de cacau e afins se sobrepõem ao conjunto. Nesta caso não. Ligeira azeitona, pimenta preta e "umas pitadas" de pimento, que nada chateiam.
Estrutura muito boa, assente em taninos finos, barrica de muita qualidade sem marcar a prova e fruta estilo morango e em alguns momentos de ameixas escuras, doces... mas sempre sem cansar nada.

Muito, muito bom.

Pimenta preta e ligeira pimento no final.

Provador: Mr. Wolf

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Stanley Aragonez 2005


Característica diferenciadora: Less is more.

Preço: 8€

Onde: Garrafeiras especializadas.

Nota pessoal: 17


Comentário:  Sempre que provei um vinho "Stanley", nunca fiquei indiferente. Normalmente pela relação preço/satisfação.

Considero que não tenho capacidades para avaliar a qualidade dum vinho, nem empíricas e muito menos técnicas. Mas tenho a capacidade para avaliar se a minha experiência é boa ou não! Provo porque gosto de provar. Umas vezes corre bem, outras nem tanto. Serve sempre para cozinhar, ou pelo menos quase sempre, mas desses não se escreve aqui. Neste site, só escrevemos sobre o que gostamos.

E gostei muito deste vinho da "Estremadura".... Fundação Stanley Ho. Ao googlar, associa-se à Fundação Oriente. Bom... só queria saber detalhes sobre o vinho. Desisti.
Voltando à garrafa, pelo que compreendo, diferentes anos dão origem a diferentes blends e rótulos.

No copo apresenta-se muito opaco, escuro e limpo.
Aromas licorosos, estilo mon cherry. Licor e cereja.
Ligeiramente mineral. Ligeira baunilha. Unidireccional. Tudo é aparentemente "ligeiro", mas muito bom.
Consistente na prova de boca onde confirma o aroma. Sensação doce. No entanto, muito equilibrado e bem balanceado. Taninos muito ténues, mas presentes. 
Acidez patente mais no final de boca do que no início. Adstringência ainda presente e muito bem-vinda. 

É impossível ficar indiferente, tem carácter e tem muita finesse. Gostei. Vou comprar mais.

Provador: Mr. Wolf

domingo, 31 de março de 2013

Quinta do Gradil Touriga & Tannat 2009


Característica diferenciadora: Blend com Tannat

Preço: 10€

Onde: Garrafeiras especializadas 

Nota pessoal: 16 - nota provisória


Comentário: Recordo-me perfeitamente de ter provado este vinho num jantar em casa do Bruno há largos meses... foi provado "de fugida", mas não foi de todo esquecido.
Encontrado agora numa prateleira dum supermercado, basicamente coloquei no carro todas as garrafas que lá estavam...
A cor deste vinho é petróleo! Escuro, brilhante a tender para o negro! 
À medida que colocamos no copo, aromas fumados, tostados, ligeiramente químicos. Perguntar-se-á o que aconteceu à Touriga Nacional. E o curioso é que a sensação não é que a Tannat se sobreponha à Touriga Nacional... não. A sensação é que "reage" com a Touriga Nacional de forma muito interessante e transforma-se num blend difícil de não se admirar.

Boca muito volumosa, falsamente "aveludada", com fruta muito escura, estilo ameixas, abrunhos e um carácter áspero engraçado. Seco, mas duma forma diferente do que habitualmente consideramos seco. É quase adstringente... é muito giro.

Obrigatório cave! Por longos anos seguramente... obrigatório decantar uns bons 30 minutos antes.
Recomendado para carnes vermelhas, mal passadas.
Se encontrarem, comprem uma sem receio. O vinho é bom, vale pela diferença e pela qualidade com que foi produzido.
Muitos parabéns.

Provador: Mr. Wolf 

Mundus Escolha 2009



Característica diferenciadora: Relação preço/qualidade

Preço: 4€

Onde: Distribuição... a confirmar em quais. Este comprei num Eleclerc

Nota pessoal: 15,5


Comentário: Syrah, Aragonez e Alicante Bouschet.
6 meses de barrica
Adega Cooperativa da Vermelha... e um vinho muito adequado para a mesa. Cor viva, com "montra aromática" discreta. Limpo e de opacidade mediana.
Boca muito gira, com entrada ligeiramente doce, mas com final mineral e muito equilibrado.
Fruta estilo morango, alicorado. Rebuçado. 
Média concentração, média persistência, mas vale acima de tudo pelo equilíbrio global. 
Gostei. Faz-me lembrar os primeiros Palha Canas que bebi há um bom par de anos.

Bom vinho. Vale a pena guardar para verificar a evolução. Está no entanto adequado para prova agora. Beba-se.

Provador: Mr. Wolf 

sábado, 30 de março de 2013

Quinta do Monte D' Oiro Lybra 2007


Característica diferenciadora: Quinta do Monte D´Oiro...

Preço: 8€


Onde: Garrafeiras especializadas 

Nota pessoal: 17


Comentário: Vitima do seu próprio sucesso, encontrar Lybra de 2007 não é fácil. Mas encontrei e comprei 2. Eram as que havia... Repousadas uns meses na garrafeira, chegou a hora de provar a primeira.

Rolha impecável, de cor rosa ténue.

No copo?

Cor rubi escuro, opaco.
Notas doces nos aromas. Rebuçado daqueles estilo "bola de neve".
Na prova de boca imediatamente surgem peculiares notas de xarope de laranja, densas, a impressionar pela diferença. Com o arejamento, transforma-se, e as notas de carácter mais cítrico desaparecem.
Boca muito harmoniosa. Taninos presentes mas muito bem integrados. Sabor doce e concentrado, com algum xarope a fazer lembrar os sentidos de aromas de farmácia antiga.
Muito discreto ao fundo, aroma de alfazema. Frescura.
Muito equilibrado com prova de boca muito envolvente, harmoniosa e final fresco.
O típico cacau presente nos Syrah não surge aqui em evidência, o que é bom. Mas nota-se ligeiro aroma de chávena de leite com chocolate quente, quando ficava aquele "restinho" de chocolate no fim da chávena, lembram-se?
Muito acetinado, gastronómico, e essencialmente, muito bom e sem medo de cave.

A pedir prova com os seus irmãos mais novos. Vou tratar disso.

Provador: Mr. Wolf 

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Altíssima Grande Reserva de 1970



Característica diferenciadora: Mais de 40 anos...

Preço: Não faço ideia!!!


Onde: Garrafeiras particulares...

Nota pessoal: 17,5


Comentário: "Vamos ver como isto está... tenho esta garrafa comigo há mais de 30 anos, de casa em casa..." contou-me o meu querido amigo Carlos Rosa quando me apresentou a garrafa... "tenho idea que é muito boa, mas não faço ideia se está boa ou não... mas abre-se... e se não estiver boa, abre-se uma mais recente!"

Ora bem... pela primeira vez apetece-me escrever com anseiras no meio do texto... pois este é na realidade um vinho do ... um vinho fantástico!

Impressionante. Cor filh... cor impressionante para a idade... nunca vi 43 anos tão rosados. Rubi, rosado muito vivo e auréola escura ainda, sem laivos castanhos ou atijolados sequer!
Exacto. 43 anos e parece sumo de romã (nos aromas também), ou morango...Cor fantástica!

Bom, e nariz? Nariz de vinho com 12 anos, máximo! Nada de aromas terciários, cansados, de azeitonas, lagar, couros ou cabedal, ou o que seja,,, nada disso!

Fruta discreta, concentrada e doce com alguma acidez ainda. Nariz sem "vinagrinho" como se poderia esperar...antes fruta ao longe. Algum bolo Inglês... muito bom.

Caro Carlos Rosa... foi um jantar muito bom, não só pelos vinhos, mas também pelo vinho. Sei que é especial.

Muito Obrigado!

Provador: Mr. Wolf 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Quinta de Pancas Reserva 2009


Característica diferenciadora: Classe e concentração.

Preço: 10€


Onde: Distribuição... está de novo na Feira de Vinhos e Enchidos do Continente

Nota pessoal: 17,5


Comentário: Provado em Outubro passado. Surpresa completa. Agora, passados 4 meses, voltamos a ele. 
Simplesmente excelente. Muito volume e equilíbrio, excelente trabalho de barrica e blend muito bem conseguido. O vinho tem muita classe, personalidade muito própria.
Muito elegante, sem exageros de madeira e/ou fruta, tem na sua persistência a qualidade que mais aprecio.
Vinho para qualquer mesa do mundo.

Comprar e guardar sem medo...

Provador: Mr. Wolf 

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Aurius 2007

Característica diferenciadora: Elegância

Preço: 25€
Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 17
Comentário:  
Sempre delicioso! Fora de concentrações desmedidas, modas contemporãneas e tendências de mercados "adocicados" e "timberlovers"...Este não...tem algum arrojo no blend e  percebe-se mal se coloca no copo que é "outra loiça".
Rubi de média concentração. Ligeiramente translúcido.
Mentolado no nariz... notas químicas misturadas com algum couro, ligeiro.
Mas é na boca que se manifesta o seu verdadeiro palco de luxo... muito elegante, fresco, como que a deixar a "boca lavada". Acidez e frescura em sintonia.
Algum picante e verde que oscila com as notas mais florais da Touriga Nacional.
Final longuíssimo.
Excelente vinho e excelente relação preço/qualidade.
Vinho de classe para qualquer mesa do mundo.

Provador: Mr. Wolf 

domingo, 24 de junho de 2012

Quinta do Monte D´Oiro Reserva 2001

Característica diferenciadora: Longevidade e classe

Preço: 30€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 18

Comentário: Bom... por onde começar? Talvez por ter sido dado a provar à cega e ninguém, reforço, ninguém dos que estavam a jantar diria que o vinho era inferior a 2007... apesar da "delicadeza" evidente. Cor escura, com ligeiros laivos tijolo, mas rubi ainda. Nariz misterioso com notas de especiaria e algum adocicado. Fruta muito delicada, parece essência de fruta encarnada, silvestre mas doce. Faz lembrar aqula calda que por vezes fica nos frascos de doces caseiros. Madeira ligeira ainda evidente, mas esssencialmente muita complexidade aromática e uma finesse  na boca... de realçar também que este vinho foi servido em conjunto com outro, que não estava às cegas, de 2009... taninos não são de aço, são de carbono. Presentes e não cedem, mas sem marcar a prova. Quando descoberto foi uma surpresa. Não se bebam estes vinhos novos, por favor... para exuberância, o mercado está inundado de inúmeros rótulos e ainda se poupa dinheiro. Quem não procura exuberância, mas sim intensidade e tenacidade, este é o exemplo do melhor, sem margem de dúvidas, Syrah da Península Ibérica. Excelente.

Provador: Mr. Wolf



domingo, 28 de fevereiro de 2010

Colares 2004


Região: Lisboa (Colares)

Castas: Ramisco

Produtor: Quinta das Vinhas de Areia, Soc. Agrícola S.A.

Álcool: 12,5%

Enólogo: ?

Notas de Prova: Nota introdutória: plantado em pé franco, em chão de areia na região de Colares. Tradicional forma de vinicultura com mais de 8 séculos de história.

Cor castanha, evoluída, de mediana concentração. Cheiro de fruta passada, ligeiro vinagrinho. Na boca é seco, médio de corpo e ácido no final. Vinho muito diferente do que estamos habituados. Depois de respirar ganha alguma fruta, passada e mantém sempre uma acidez elevada. Taninos pouco presentes. Vinho diferente que vale pelo terroir.

Curiosidade em bebe-lo daqui a uns 15 anos.

Provador: Mr.Wolf

Classificação Pessoal: 15,5

Valor: 20€

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Fonte das Moças Reserva 2004


Região: Estremadura

Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Syrah e Cabernet Sauvignon

Produtor: Agrovitis

Álcool: 14%

Enólogo: João Melícias

Notas de Prova: Quase preto... escuríssmo. No nariz é muito curioso e demora tempo a decifrar tudo. Inicialmente identifico muito chocolate, mas rapidamente aparece um ligeiro aroma de pimentos verdes e no fim muito floral... não é um vinho que “transpire” fruta madura, mas até por isso vale a pena provar, pois de facto não é “mainstream”. Na boca é um bom tinto, muito mais elegante do que aquilo que o nariz podia fazer adivinhar. Bom vinho, embora difícil de encontrar.

Provador: Mr.Wolf

Classificação Pessoal: 16,5

Valor: 15€