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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Cune Imperial Gran Reserva 2005


Característica diferenciadora: Finesse, classe e muita elegância.

Preço: 28€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 18

Comentário:  A Companhia Vinícola do Norte de Espanha nasceu  no Século XIX e mantém-se em actividade, dirigida ainda por descendentes familiares, pelo que dispensa comentários em relação a responsabilidades de tradição, qualidade e compromisso. O facto de se manter no mercado é garante disso mesmo e com distinção, diria eu.

Eu confesso que não conhecia este vinho. 

Conheci-o (bem) porque fui um dos consumidores naif que achei que conseguia encontrar umas garrafas de 2004 alguns minutos depois de ter sido comunicado a quem subscreve a WS o prémio de 1º lugar na competição do Top 100 dos vinhos mais excitantes do ano. Para perceber melhor que competição é esta, consultar http://2013.top100.winespectator.com/.

Distinguido o de 2004, rapidamente encomendei, em Londres 5 garrafas... comprei, paguei e fiquei à espera. Curiosamente, afinal não foi possível receber as garrafas. Durou 6 dias de tensos emails e hoje um telefonema do CEO da empresa a explicar-me a situação. De todas as formas, obrigado Tim Francis pela forma esclarecida como explicou o que se passou. 
Infelizmente não se resolveu, mas demonstrou carácter e compromisso com os clientes por parte da empresa de e-commerce Inglesa. Como em paralelo tive a felicidade de estar durante 3 dias em Madrid ao longo desta semana, compreendi que as dificuldades sentidas em Londres, originam-se na mentalidade pouco íntegra da cadeia de distribuição que subitamente deixou de disponibilizar o vinho. E acreditem que contactei os mais destacados estabelecimentos de retalho de Madrid. 

Compreendi também que o de 2005 compra-se, por menos de 30€ em qualquer boa loja de vinhos ou mesmo na Lavinia do Terminal 2 de Barajas... Feito!

Prova-se o de 2005 e se tiver paciência e o vinho for de facto bom, encontra-se forma de falar com alguém responsável da CVNE e perceber se é esta a mensagem que se pretende passar ao mercado fora de Espanha.

Feita esta introdução, abre-se a garrafa com um mixed-feelings de entusiasmo com alguma frustração e jorra-se no copo. A cor promete. Poucos vinhos de 2005 conseguem uma tonalidade tão escura e ao mesmo tempo translúcida como este vinho tem.
Os aromas reforçam que é um vinho de eleição... robusto em aromas especiados, misturados com notas de madeira de cedro, muito tabaco e algum rebuçado. Todos estes aromas apresentam-se de forma extremamente subtil, harmoniosa e delicada.

Prova de boca arrebatadora. É um excelente vinho para qualquer enófilo do mundo. Entrada na boca assertiva, com acidez secundária a sensações de doçura, licor... mas de equilibrio e balanço extraordinário. Todo o vinho é clássico. Respira classe. Fino e muito elegante, mas muito intenso ao longo da prova de boca toda com um final igualmente delicado mas muito, muito longo.
Confesso que me surpreende como é que um perfil destes ganha um prémio da WS (acreditando nas informações que recolhi em Madrid de que o perfil de 05 é bastante semelhante ao premiado de 04), cujo enfoque, sem sentido pejorativo, normalmente é de graus de intensidade e exuberância mais vincados.

Muita, muita elegância e qualidade, com proporções muito equitativas de fruta vermelha ténue, com notas aromáticas frescas ao mesmo tempo com profundidade de madeira e aromas coloniais... cânfora, cera, madeira com tempo e história.

É um vinho de muito respeito. Vai fazer parte seguramente da minha garrafeira. Recomendo que provem se puderem - confesso que não sei se o El Corte Inglés em Portugal tem - mesmo que não seja o de 2004.

Produzido com 85% Tempranillo, 5% Mazuelo e 10% Graciano, 24 meses no mínimo de barrica e alguns anos de estágio em garrafa antes de sair para o mercado. Não é para todos e nem sai sempre bem. Este saiu.

Provador: Mr. Wolf

domingo, 17 de novembro de 2013

Maréchal-Caillot Savigny-les-Beaune Borgonha 2003


Característica diferenciadora: Borgonha...

Preço: 25€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 17.5


Comentário:  Escuro e limpo. Cor grenada.
Fruta muito delicada, fresca. Notas terrosas iniciais, acompanhadas de fruta estilo ameixa escura, sem estar muito madura.
Prova de boca cheia de acidez e mineralidade apregoando equilibrio.É vinho para provar com atenção, pois não vinca, é discreto mas cheio de personalidade.
Entrada discreta na prova de boca mas persistência muito acentuada. Muito bom. Diferente do que se faz em Portugal, sem dúvida. Especialmente porque associamos o ano de 2003 a vinhos quentes, maduros... este não. Naturalmente que o clima, além do terroir em Portugal e na Borgonha não coincidam em absoluto... mas esta garrafa estava extraordinariamente fresca.
Fantástico o equilíbrio, clarividência de fruta e frescura deste vinho. É muito fácil destrinçar o paladar neste vinho. A fruta está muito "arrumada" e sem ser protagonista, percebe-se muito bem e a mineralidade e os aromas mais "da terra", idem, idem, aspas, aspas...

Com o tempo aberto, a fruta acidifica e parece-se mais com morango, amora. Muito, muito bom.

Provador: Mr. Wolf

domingo, 10 de novembro de 2013

Bussaco Reservado Tinto 2004

Característica diferenciadora: Bussaco.

Preço: 30€

Onde: Garrafeiras especializadas ou nos Hotéis do grupo Thema

Nota pessoal: 18.5

Comentário: Beber Bussaco é sempre um momento especial. Poder bebê-lo no próprio Hotel é sempre memorável.
De realçar que actualmente, no bar do Hotel é possível beber Bussaco branco ou tinto a copo! Muito bom.
Este de 2004 acompanhou o jantar.
Temperatura adequada, copos adequados e sala inigualável em Portugal. Pelo menos, do que conheço.
Cor limpa, mediana opacidade. Não esquecer que já conta com 9 anos.
Aroma fino, colonial. Madeira e muita gordura animal. Leves notas lácteas, muito ligeiras. Carne.
Há que respirar.
Prova de boca é que é muito distinta... muito peculiar e único na elegância...Elegantíssimo, cheio de acidez suave, algum vegetal e muita maturidade. 
Muito vivo, quente nas sensações apesar da frescura, e sem nunca me cansar... extremamente elegante.
Fruta, a existir, é vermelha e ténue.
Muito sedutor na boca, com notas mais evidentes de grão de café e ligeiríssino cacau.
É de facto um estrondo... incansável e impossível de cansar quem os prova.

Bem haja ao Bussaco e à nova dinâmica que se respira no Hotel... onde convive a magia natural das paredes, com a envolvência mística da Mata do Bussaco e a simpatia de todo o staff.

Vale a pena em todos os sentidos e os preços são todos bem adequados, a começar e acabar nos vinhos, que se bebem à mesa a partir dos 30€... acho que não vale a pena explicar mais nada.

Provador: Mr. Wolf

terça-feira, 29 de outubro de 2013

M.O.B. 2011

Característica diferenciadora: Qualidade de referência em qualquer mesa do mundo.

Preço: 22€

Onde: Garrafeiras especializadas. Esta comprei no Supermercado O Saloio no Estoril

Nota pessoal: 18.5

Comentário:  Este é claramente um comentário que aqui coloco precipitado... precipitado essencialmente porque só bebi ainda uma garrafa deste vinho.
Este é claramente um exemplo de um vinho que uma garrafa não chega... ainda mais que foi dividida!
É precipitado como por exemplo ousar-se achar que por dormirmos um fim de semana numa cidade, Madrid por exemplo que é perto, arrogamos  falar do tema como se a conhecessemos desde infância... Depende da qualidade do conhecimento que entendemos devemos ter para falar sobre a cidade.
Às vezes ouço-os falar, porque foram lá sair um fim de semana à noite, ou a uma reunião "num projecto", e falam ... esclareça-se: eu não conheço bem Madrid... mas sei que Madrid não é só Cibeles, canhas e pata negra... também tem, por exemplo, 3 excelentes museus.
Também joga lá o Cristiano Ronaldo, mas o Real Madrid já tinha ganho umas coisas antes de ele lá jogar... enfim, tudo depende da perspectiva.

Voltando à minha precipitação... precipitado, pois o vinho está claramente adolescente. Não é daqueles adolescentes cheio de acne e desajeitados... não, já tem boa pinta... mas precisa amadurecer.

Mas então porque é que me precipito a escrever? Porque é daqueles vinhos que acho extraordinário. Porque quero conhecer melhor o vinho e para isso é necessário "visitá-lo" muitas mais vezes, pois vamos sempre descobrir novas sensações. É tipo um filme do Woody Allen. Pode-se ver e rever... o argumento sabemos qual é e como acaba... mas há sempre referências novas e piadas excelentes que nos passaram despercebidas, pois provavelmente estávamos a pensar. O Woody Allen faz isso muito bem. Pensa bem e faz pensar.

Bom... posto isto, a única consideração que tenho a fazer dirigido às 7 pessoas (contando comigo que sou narcísico e releio os meus posts) que sei que nos lêem é: procurem e comprem!

A cor do vinho é rubi escura, quase violeta muito densa e brilhante.
Aromas imediatos de bosque. Vegetal e muito expressivo. Aromas de "adega"... Algumas notas florais mas é o cedro, aquela madeira verde, com chuva e resina,  intenso tão característico da boa Baga (parece-me), que se evidencia. E digo isto com carácter adjectivo. É bom. Produzir vinho, a "tresandar" a fruta e madeira "doce" e abaunilhada, estilo ambientadores de ligar à tomada da electricidade, eu estou fartinho há muitos anos... mas eu sou muito particular nisso... normalmente sou o único em algumas mesas em que me sento. Esse perfil de ambientador, agrada à maioria.

Na prova de boca está ainda por harmonizar, muito intenso, concentrado e nota-se muito cuidado. Tudo está contido, mas cheio de pujança e concentração. O aroma mais "rústico", manifesta-se na prova de boca duma forma mais "chic", onde é a frescura e a clarividência de sabores que comanda a prova...
Acetinado e muito, muito fresco. É majestoso pela frescura, mais do que por fruta. É o perfil que eu reconheço que mais me encanta. Frescura. Pode ter fruta, mas é a frescura que faz com que se tenha vontade de beber outra vez e fica na memória. A fruta encanta no início, mas desaparece com outro vinho, por exemplo. Frescura só alguns vinhos têem. Fruta parece-me ser mais comum.

Perfeito na acidez, mostra-se um vinho para excelentes anos em cave. Tem um grande problema, manifesto neste post e que é evidente... Deveria ser engarrafado em garrafas mínimas de 3L. Acabei aqui as minhas notas... pois o vinho sumiu-se em 3 tempos... porque ainda o estava a descobrir e o vinho cresce muito, muito, muito em copo, e a garrafa esvaziou-se.

É de comprar às caixas todas as que encontrarem. É um vinhão e vai seguramente dar que falar. Eu falarei seguramente outra vez, pois tenho mais duas que encontrei no Saloio e vou à procura de mais.

Perdoem a precipitação, mas quando me entusiasmo, gosto de partilhar o entusiasmo.

Provador: Mr. Wolf


Mouchão 1974 (datado na rolha)

Característica diferenciadora: Mouchão!

Preço: 30€

Onde: Distribuição em geral

Nota pessoal: 18

Comentário:  Sabe muito bem provar vinhos diferentes dos que se adquirem no quotidiano, seja quando procuramos novidades para a garrafeira ou para um jantar. E nada como provar vinhos, cujas Casas produtoras são consistentes, tradicionais e que associam qualidade da matéria prima ao processo desde o seu nascimento. Mouchão é uma delas.
Esta garrafa foi adquirida numa garrafeira, sem saber o seu histórico. Simplesmente arrisquei.
Sem data no rótulo, só na rolha... a expectativa era mais num vector de exercicio de prova do que propriamente de acreditar que teriamos vinho para o excelente almoço de assado no forno que tivemos.

Aberta... com delicadeza e cuidado na extracção da rolha, completamente húmida diga-se de passagem. 1974. Boa... 38 anos. Reduz-se a expectativa e espera-se um ténue vinho alentejano, quiçá com resquícios que nos permitissem saborear um vinho tinto duma região de temperaturas tão elevadas.
Deita-se no copo e a primeira surpresa: cor escura, grenada, sem marcas evidentes de oxidação.
Nariz doce, licoroso e frutado... e esta hein?
Boca maravilhosa... Acidez presente, muito equilíbrio e extremamente bem balanceado. Harmonia é a palavra de ordem. Afinal o Alicante Bouschet não é rude... precisa é de tempo.
Notas muito frutadas, estilo cereja muito madura.
Opaco, limpo e vivo.
E o melhor? O melhor é que cheira a Mouchão, aquele doce em calda, de fruta escura estilo ameixa mas com alguma frescura vegetal numa simbiose aromática difícil de igualar noutras castas. Fantástico.

Provador: Mr. Wolf

domingo, 13 de outubro de 2013

Mouchão 2000


Característica diferenciadora: Mouchão... com mais de uma dúzia de Primaveras em garrafa.

Preço: 30€

Onde: Garrafeiras especializadas... ou por sorte em restaurantes!

Nota pessoal: 18.5


Comentário:  Mouchão... é Mouchão. Ponto final, parágrafo.

Pode-se discutir o perfil, o preço, a elegância, o que se quiser... mas a verdade é que quanto mais estas garrafas (e eu...) envelhecemos, mais prazer retiro ao apreciá-las. À expectativa de prazer que normalmente acompanha o momento de abrir uma garrafa de Mouchão, juntou-se o efeito surpresa! É verdade... numa noite em casa a provar uns vinhos adquiridos nas Feiras de Vinhos, eis que salta para a mesa esta preciosidade, partilhada por bom amigo. Obrigado!

Cuidadosamente retirada a rolha, impecável a olho nú, cuidadosamente enchemos os copos com o precioso néctar.
Literalmente opaco. Rubi alcatrão... não existe? Existe, existe... É produzido com Alicante Bouschet... Impressiona a cor.

Nariz apontado ao copo e a frescura dos aromas é impressionante.
Alguns aromas de cereais, pó... aromas mais terrosos. Ouviu-se um "Cheira a milho!"... não sei bem a que cheira o milho, mas percebo. Mas num registo muito fresco e nada "asfixiante" como alguns terrosos podem parecer. Bom, há que deixá-lo respirar.
Prova-se.
Boca possante, volumoso, muito volumoso revestindo o palato com o doce do Alicante tão especial nesta casa.
Extremamente complexo e muito fresco, deixa um final quase cítrico a fazer lembrar casca de laranja. É impressionante a juventude e ao mesmo tempo maturidade deste vinho. Está muito bom para prova já e não vira a cara a mais uns anos de cave seguramente.

Nariz outra vez no copo e a brisa de aromas continua a impressionar. Alguma fruta vermelha discreta com notas vegetais e terrosas sempre presentes. Especiado mas sempre muito elegante, e na boca, ao longo da prova surpreende sempre pela frescura que tem e pelo final muito longo e fresco. 
Acidez perfeitamente integrada, que dá para para vender, sem evidências de barrica e muita harmonia e suculência. Esta garrafa, apesar dos seguramente 12 anos em garrafa que já conta, ou perto disso, continua numa forma exemplar a mostrar que um grande vinho, necessita naturalmente de cave para se mostrar a sério.

Exelente! 



Provador: Mr. Wolf


sábado, 5 de outubro de 2013

Quinta do Monte D´Oiro Reserva 2007


Característica diferenciadora: Elegância

Preço: 30€

Onde: Garrafeiras especializadas.

Nota pessoal: 18


Comentário:  Denso e escuro. Muito escuro. Fechado no nariz...
Decantar é obrigatório.
Aromas de carácter mais animal imediatos. Pêlo de animal. Há que esperar.
Não se procure nestes vinhos exuberâncias de barrica, fruta, ou expressões neuróticas do que quer que seja. Esperem-se sim vinhos que se bebem com muito prazer, sem nunca pesarem e que aparentemente são "simples". Mas não são. Há aqui muito trabalho e qualidade para que o resultado tenha esta personalidade tão única como os Reserva da Quinta do Monte D´Oiro nos acostumaram.

Prova de boca cheia de fruta encarnada, viva e sem estar muito madura. Acidez fina e taninos hiper polidos e "arrumados".
Simples de entrada na boca, complexo quando sai. Muito complexo. Muita estrutura e taninos firmes que crescem ao longo da prova.
Precisa muito de ar. Cresce muito. Ganha muito volume e complexidade.

O que impressiona mais neste vinho é sem dúvida a elegância e a capacidade que demonstra para nunca cansar durante a prova. Muito gastronómico e cheio de pormenores, sempre em redor de fruta encarnada, algum picante e uma acidez crescente que lhe dão muito volume. Ganha grip à medida que respira.
Acidez, barrica e taninos muito bem integrados convivem com muita vivacidade e fruta muito boa.

Na minha opinião, apesar de estar muito bem para consumo imediato, é de guardar e ir provando ao longo dos próximos 10 anos. A fruta que o vinho tem necessita estágio para se emancipar, e a elegância e estrutura de taninos garantir-lhe-ão seguramente provas de luxo nos próximos anos.

Provador: Mr. Wolf


Quinta de La Rosa Reserva 2007


Característica diferenciadora: Potência

Preço: 30€

Onde: Garrafeiras especializadas.

Nota pessoal: 18


Comentário:  Denso e muito escuro. O vinho impressiona pela sua tonalidade cromática, espessura apreciável e opacidade.
Quando lhe pomos o nariz em cima, a expectiva de aromas quentes, frutados e licorosos - era a minha expectativa face à cor dele - surpreendemente temos aromas quentes, mas mais vegeitais do que de fruta...Aromas de chá Earl Grey. Sim, isso mesmo. Aquele aroma que o chá emana quando arrefece. Muito bom.
Na boca sim, comprova o perfil que tanto caracteriza alguns dos excelentes vinhos que o excelente e mítico terroir do Pinhão produz. Muito concentrado e licoroso, notas de ginja sem nunca ser doce em demasia. Ginja e cereja. Muito potente e com muito volume na boca, consegue no entanto ter acidez e frescura que evitam que se torne pesado na boca. Apesar das notas de licor, dá prova de sensações mais terrosas também. Muito bom.

Excelente vinho, nem sempre com o lugar nas garrafeiras particulares que merece, por ser um excelente representante dum perfil clássico do Douro contemporãneo, consistente na qualidade ao longo dos anos e cheio de personalidade. Muito bom, muito fresco e muito potente. Para guardar à vontade muitos anos.

Provador: Mr. Wolf

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Soalheiro Reserva 2010


Característica diferenciadora: Soalheiro...com Barrica... elegância.

Preço: 25€

Onde: Garrafeiras especializadas 

Nota pessoal: 17


Comentário:  Vinho mítico, fruto da consistência e qualidade ao longo dos anos.
Alvarinho, expoente máximo da acidez e equilíbrio em Portugal.

Apresentação efectuada, há que libertá-lo da garrafa para o copo.
Amarelo esverdeado... Ameno na cor, sem expressividade evidente de lágrima ou tonalidade.
Nariz no copo...delicado, maracujá ligeiro. Acidez nos aromas, contida, muito delicada. Ligeiro vegetal, relva cortada. 
Muito bem balanceado, muito delicado, 
Prova de boca a manifestar untuosidade q.b. e paladar predominantemente cítrico.
Fruta delicada, fora de modas de extravagância de aromas, fruta ou barrica, o que é de louvar. Parece-me que ganhará em porte e complexidade com cave. Muito contido para já.

Bom, mas é como andar de Porsche na A5 às 8:00h da manhã à entrada do viaduto Duarte Pacheco. Imagina-se o potencial, mas não se consegue constatar.

Guardar.

Provador: Mr. Wolf

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Crozes-Hermitage Alain Graillot 2011

Característica diferenciadora: Tudo. Explosivo e elegante.


Preço: 24€

Onde: On line (sites diversos), Niepoort Projectos, El Corte Inglés, Lavinia.

Nota pessoal: 18

Comentário:  Andava "mortinho" por abrir esta garrafa, mesmo sabendo que provavelmente abri-la agora é a mesma coisa que por gostar muito de diospiros, atrever-me a trincar um mal fique "alaranjado"... corre mal, claro. Bastava mais um pouco de sol e a sensação de adstrigência máxima e rusticidade na boca transformava-se naquele fruto de suculência e açucar meloso tão especial. Pois, mas todos os que gostam de diospiros seguramente já o provaram "verde"... se calhar por isso depois, e pelo trauma que é, o adoramos tanto quando o provamos maduro!
Com os vinhos, gosto deles "maduros", mas provo sempre uma "verde". E andava muito curioso para provar este.

Especiado nos aromas que nos invadem à mesma velocidade que conseguimos processar a cor: púrpura. Em relação à cor, nem me atrevo a caracterizá-la mais. É púrpura. Lágrima muito persistente.

Explosão aromática... muita evidência de pimenta branca. Fruta roxa. Cheira a adega... aquelas salas de estágio em barrica onde repousam. E este é estagiado só em barrica nova. Notas de Porto Vintage acabado de engarrafar, se atentarmos às notas de fruta.

Bom, o painél de aromas faz lembrar a mala do Sport Billy - para quem quiser matar saudades: https://www.youtube.com/watch?v=fAwTUXENFj0 - ou seja, quem não sabe o que é, o Sport Billy era mais impressionante que o MacGiver... da sua mala saía tudo o que fosse necessário para os desafios que tinha pela frente, fosse uma caneta, uns sapatos que o faziam voar ou um avião. Era indiferente. 

Este vinho, em relação aos aromas é mais ou menos a mesma coisa... passamos pela pimenta branca de expressividade impressionante, fruta escura sem estar muito madura, algum figo, barrica e depois uma frescura semelhante a alfazema seca que delicia os sentidos. 
Madeira verde, esclarecida e vincada. Tudo claramente por casar. 
Sisudo no entanto. Vinho que nos coloca em sentido, pois apesar de todos os aromas serem muito evidentes, está claramente fechado. 


Bom, vamos lá então à prova de boca.
Muito intenso. Vinho claramente na adolescência... No entanto, atinado apesar do ímpeto que tem.
Muito concentrado sem ser pesado. Extraído, provavelmente puxado pela maceração de cerca de 20 dias, conforme investiguei no site do produtor...Químico e vegetal com fartura. Verde. Muito verde... Muito perfumado no entanto. Equilíbrio no caos explosivo ainda de texturas e sabores. Este vinho dá trabalho a provar. Mas dá muito prazer e é um excelente vinho, apesar de tudo, acessível. É necessário interpretarmos e atribuir simbolo às sensações que os sentidos experimentam. É uma muito boa experiência.
Roxo no sabor... sim, é como o consigo adjectivar. Muito roxo. Bagas silvestres de framboesa. 
Final repleto de pimenta branca. Língua e palato parece que acabaram de deitar pimenta branca directamente nas papilas gustativas. Impressionante. 
Muito verde, delicado mas muito potente e muito clarividente.
Barrica muito expressiva.

Comprar, guardar e ir provando, mas daqui a uns 5 anos no mínimo...

Provador: Mr. Wolf

sábado, 14 de setembro de 2013

Periquita Superyor 2008


Característica diferenciadora: Vinhas velhas de Castelão... Periquita.

Preço: 38€

Onde: Garrafeiras especializadas ou na loja da José Maria da Fonseca em Azeitão.

Nota pessoal: 18

Comentário:  Vinhas velhas de Castelão Francês (mais de 92%), Tinta Francisca e Cabernet Sauvignon. Solo arenoso e 14 meses de barrica. Para quem gosta de vinho produzido em Portugal, querem mais o quê?

Cor rubi, sangue escuro. Densidade média, muito limpo.
Aromas marcados por notas herbáceas e especiaria. Misterioso e apelativo.
Aromas de caixa de tabaco evidenciam-se com o arejamento.
Conjunto aromático muito bom.
Prova de boca marcada pela elegância e finesse. Acidez presente, estruturado e bastante "fino". Apesar da delicada textura, sem vincos muito expressivos, tem um final bastante persistente.
Cresce bastante em prova e a acidez coloca "as unhas de fora"... a acidez, da boa entenda-se.
Está aqui vinho a sério para a cave. Sem excessos de extracção, "amassos" de barrica, doçuras. Não. Vinho bom e genuíno.

Como gostei bastante do perfil, guardei um terço aproximadamente da garrafa para o dia seguinte. É uma "prova dos 9" que costumo fazer. Coloco a válvula de vácuo e no dia seguinte avalio para "onde caminhou" o vinho.

Dia seguinte - Elegância evidente ainda. Nada oxidado ou cansado...Chocolate negro e por incrível que possa parecer, amêndoas doces.
Prova de boca a reforçar o perfil de elegância, com fruta escura estilo abrunho e algum picante.

Muito bom. Obrigatório para qualquer enófilo que queira ter na sua garrafeira diversidade "cromossomática" da verdadeira identidade do vinho Português. Não é só Douro e Alentejo... muito menos Touriga Nacional... fica a dica.


Provador: Mr. Wolf

sábado, 7 de setembro de 2013

Roda Reserva 2007


Característica diferenciadora: Elegância.


Preço: 30€

Onde: Garrafeiras especializadas. 

Nota pessoal: 17.5

Comentário:  De Espanha podem não vir bons ventos, mas há seguramente bons vinhos. Há que prová-los e ir conhecendo. E é desta forma que resolvemos servir num jantar este Roda Reserva de 2007.
89% Tempranillo ( a "nossa" Tinta Roriz), 8% Garnacha e 3% Graciano, com fermentação em barrica e estágio de 16 meses em barrica e 20 meses em garrafa.

Rubi muito escuro e opaco. Para 6 anos, a densidade cromática é surpreendente.
Aromas iniciais de carne fumada. Aromas muito ligeiros de fruta encarnada, mas é no fumado e especiaria que encontra o seu carácter principal.
Prova de boca muito boa. Equilíbrio geral, muito cremoso e especiado. Algum cravinho na língua e essencialmente um final que se destaca pela persistência.
É um clássico. Não impressiona os sentidos pela exuberância de aromas ou expressividade de acidez, fruta ou taninos, mas sim, satisfaz muito pela facilidade com que se bebe e pela cremosidade que tem.
Paladar muito "colonial", com semelhanças a café moído e ligeiro cacau.

Bom vinho e fácil de encontrar, nos free shops, por exemplo.


Provador: Mr. Wolf







sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Quinta de La Rosa Reserva 2003


Característica diferenciadora: Juventude e elegância

Preço: 25€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 18.5

Comentário: Quinta de La Rosa faz parte do imaginário de muitos enófilos... sempre foi bom. Vinho que apareceu com mais mediatismo nos anos 90, produzido na fantástica quinta debruçada sobre o Pinhão.

Esta garrafa de 2003 foi adquirida há cerca de um ano na garrafeira Cabaz Tinto em Cascais que é de absoluta confiança no que diz respeito à qualidade de acondicionamento dos vinhos. Foi recomendada pelo Pedro também... e eu comprei.

Rolha impressionante, tingida púrpura e exemplar na sua função vedante.
Cor rubi opaca, viva ainda e pesado a cair no copo.
Aromas imediatos de Vintage. Confesso que não é o que mais me agrada... normalmente tornam-se pesados... sou mais apreciador de vinhos que se destacam pela acidez e frescura...Notas muito licoradas no aroma... Notas florais. Bom... em poucos minutos o património aromático deste vinho impressiona. Os aromas que nos atiravam mais para vinhos do porto desapareceram. Ainda bem.
Depois deste exercício olfactivo, tempo para atacar a prova de boca.

Et voilá! Boca perfeita!

Guloso e espesso na entrada de boca, fruta fresquíssima, encarnada mas sem sobrematurações, muito denso e acompanhado de taninos muito vivos ainda, mas acomodados na espessura e concentração do vinho que nem se dá por eles..."...mau!" Pega-se na garrafa e confirma-se o ano. 2003...

Nariz no copo outra vez...

Aromas agora mais coloniais, com madeira encerada. Ligeiro pó de talco. As notas florais e de fruta mais evidentes no início dá ideia que se fundiram e resultam numa aroma semelhante a própolis... aquele aroma de favo de mel delicado. "Uau..." estou impressionado com este vinho.

Boca acetinada, licorosa e com um final muito, muito longo.
Fresco e muito bem balanceado, não chega a ser lácteo mas tem notas de iogurte de morango.

Grande vinho... recordo uma prova que efectuámos há uns meses atrás de Douro do ano de 2003... Poeira, Vale Meão e Quinta do Valado Reserva... se soubesse o que sei hoje, este tinha lá estado seguramente!

Há uma coisa que cada vez estou mais convicto. Não produzam os vinhos para se beberem logo... e quem os adquire guarde os (bons) vinhos uns anos, pois garanto-vos... este vinho novo podia impressionar muito... mas não daria tanto prazer e não mostraria tantas características se não tivessemos esperado por ele. Cada vez mais rejeito liminarmente beber vinhos que não sejam de uma colheita, no mínimo dos mínimos, 3 anos anteriores ao ano em que provo... pelo menos tento que assim seja. Quando assim não acontece, provo... não bebo.

Provador: Mr. Wolf

domingo, 25 de agosto de 2013

Poeira 2005

Característica diferenciadora: Volúpia.

Preço: 30€

Onde: Garrafeiras especializadas... provavelmente particulares.

Nota pessoal: 18.5


Comentário: Cor violeta escura! Pronto... baralhamos as contas todas de quem prova às cegas uma vertical de Poeira e já achava ter bebido o de 2005!

Mas como a prova dever ser livre de preconceitos e expectativas... há que ignorar e provar relativizando o que se bebeu antes... especialmente após ter provado todos e rever as notas tiradas. O importante no vinho é apreciar... e fruir.

Voltando a este de 2005... o 3º vinho a ser provado.

Cor, já referido, pujantes laivos violetas... tipo muitos de 2009, estão a ver? Cheios normalmente de Touriga Nacional... Graças a Deus, este não tem esses aromas nem vestes.
Aromas de groselha fresca. Fruta, especiaria muito ténue e ligeiro mentolado também. A groselha, é estilo cristalizada mas com pouco açucar. Estão a ver a mistura de Bolo Rei, das cerejas, figos e groselhas? É mais ou menos isso...
Na boca, cheíssimo... como se ouvia antigamente... "muito adamado"... veludo, com textura que agarra literalmente as papilas gustativas.
Acidez e estrutura, envolta em muita fruta de muita qualidade, verde, fresca... Um hino ao Douro, sem maquilhagens, sem vestidos engomadíssimos de barrica... não, nada disso! Fruta, da boa, verde e fresca, mas de origem vermelha. Nada de sobrematurações, nada de açucar fácil... e a fim de 7 ou 8 anos, o melhor mostra-se.
Tenho pouca experiência em vinhos de "outros mundos", mas confesso que só em alguns Franceses encontro esta pujança sem estar revestida de barrica ou jovialidade da maturação da fruta... é textura, granularidade na língua e final ainda de muita suculência...

Muito, muito, muito, mas muito bom.

Provador: Mr. Wolf

Poeira 2004

Característica diferenciadora: Volume e aromas.

Preço: 30€

Onde: Garrafeiras especializadas... provavelmente particulares.

Nota pessoal: 18


Comentário: Última garrafa servida... sem sabermos o ano, naturalmente.
Escuro, denso e de opacidade evidente ainda... confusão, visto que eu acharia que o de 2005 já tinha sido provado (verifiquei depois que era o de 2003...).

Aromaticamente o que mais gostei.
Além das notas de fruta que normalmente acompanham o Poeira, sempre num registo mais de insinuação do que festivaleiro, este de 2004 apresentou-se com notas vegetais de erva seca e alguma grão de café que entusiasmam logo pela contradição. Claro que a fruta aparece em evidência também, a fazer lembrar o aroma dos rebuçados bola de neve, mas as notas vegetais e de grão de café tornaram a prova mais demorada.
Estrutura, fenomenal.
Parece acabado de sair do estágio em garrafa para o mercado.
Muito concentrado ainda, extremamente bem balanceado e com fruta no final de boca muito boa. Texturado e com muitos pormenores. Ligeira especiaria a picar a fruta.
Mais quente do que os outros provados.

Muito bom.

Provador: Mr. Wolf

Poeira 2003

Característica diferenciadora: Douro puro!

Preço: 30€

Onde: Garrafeiras especializadas... provavelmente particulares.

Nota pessoal: 18


Comentário:  2ª garrafa da prova vertical a ser provada às cegas.
Cor limpa, rubi e viva. Sabia que no máximo seria de 2005 pelo que imediatamente pensamos que impressiona a vivacidade da cor.
Aromas frescos, repletos de fruta estilo groselha, fina... profundidade aromatica secundária balsâmica. Esplendoroso aromaticamente, pujante na intensidade e clarividência de aromas.
Prova de boca fantástica.
Entrada no palato delicioso, sem excessos de nada, mas com tudo lá. Fruta vermelha estilo compota sem excessos de doçura. Madeira imperceptivel, a não ser para os mais atentos. Volume, leveza e acidez. Nada cansado, muito pelo contrário. Fora de modas, que é tão bom.
Errei no ano... era de 2003. Está para durar, fino e elegante, mais volumoso na estrutura e na vigorosa acidez que ainda tem sem que nunca marque a prova.

Muito, muito bom.


Poeira 2002

Característica diferenciadora: Poeira... de 2002. Chega?

Preço: 25€

Onde: Garrafeiras especializadas... provavelmente particulares.

Nota pessoal: 17.5


Comentário: Seguindo a ordem da prova desta prova vertical de 01-05... este foi o 4º vinho provado...
Distinto dos restantes,,. Bouquet extremamente elegante, com notas aromáticas de couro.
Sabendo (à posteriori) o ano, impressiona a cristalinidade que apresenta e o tom ainda escuro.
Relativamente discreto nos aromas, mesmo após as notas iniciais de couro desaparecerem, é na boca que se manifesta mais vivo.
Acidez ténue, ligeiras notas de rebuçado, mas como é apanágio da casa, extremamente fresco no final de boca. Cresce e muito. Mas ao fim ao cabo, como todos os Poeiras. Não se esperem vaidades de aromas de barrica nos copos, nem festivais de fruta, ou frenesim de tostas e caramelos... não, são vinhos para se apreciarem quando se bebem. Na prova, só os mais treinados.

Eu curiosamente, sempre apreciei muito o Poeira de 2002. Nesta prova, sem saber o ano, associei ao de 02 ou eventualmente 01.
No entanto, admito que relativamente aos outros anos, e apesar de ser o mais elegante deles todos, parece-me que é o que vai viver menos anos de saúde. Mas está impecável.

Provador: Mr. Wolf

Poeira 2001

Característica diferenciadora: Persistência e complexidade.

Preço: 30€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 18


Comentário:  Ora bem... por onde começar? Talvez por explicar que em Junho desafiámos o restaurante ".come" em Alcabideche para ser o anfitrião duma "mini prova vertical" de Poeira... 2001 a 2005.
A prova foi "cega", naturalmente, no que diz respeito aos anos de colheita.

Sou um adepto confesso de Poeira. É de longe o vinho que ao longo dos anos mais me fidelizou no Douro. É coerente na qualidade sempre de excepção e no carácter fiel aos anos em que se produz, reflectindo na garrafa muitas das características climatéricas dos anos em questão. O resto, o terroir, está sempre lá. É sempre excelente e apresenta-se desde 2001 com uma estabilidade de preço de mercado de louvar. E os cerca de 30€ a que normalmente o podemos encontrar (podem-se encontrar variações para cima ou para baixo não superiores a 10%) são muito bem empregues.
Para resumir o meu apreço e admiração por este vinho, e por quem o produz, obviamente, se tivesse de levar 2 ou 3 vinhos para uma prova com enófilos de "mundos diferentes", que representassem o que é um vinho de topo Português, provavelmente este seria um dos dois ou três que não seriam Bairrada...

Voltando à prova... deitado no copo com preceito, imediatos aromas evidentes de azeitona, lagar... Cor a demonstrar evolução, com o rubi a esbater-se em laivos mais castanhos. Adequado no entanto para os 12 anos que já conta. Opacidade média e bastante limpo e cristalino.
Algum vegetal, muito tímido, a fazer lembrar cascas de pinheiro seco. Mas muito ligeiro.
Na prova de boca, impressiona o extremo equilíbrio que ainda mantém. Elegância e equilibrio entre acidez e fruta sempre foram imagem de marca do Poeira e mantém-se 12 anos depois.
Acidez ainda presente, notas de fruta secundária, estilo ginja, mas muito ténue.
Vivo ainda na sua persistência, mantendo muita frescura no final e deixando o palato limpo e aromático. O sprint final deste vinho é impressionante, pois ele cresce bastante e "aperfeiçoa-se" à medida que respira.
Prova de boca melhor que a análise aos aromas, que são discretos e conduzidos essencialmente em aromas de azeitona madura, cuja continuidade na prova de boca, manifestam-se, mas aqui muito secundários.
Frescura. Muita frescura.
Acredito que continuará a evoluir bem, mas recomenda-se ir bebendo as de 2001 pois estão perfeitas para consumo imediato.

Provador: Mr. Wolf

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Periquita Clássico Special Reserve 1995


Característica diferenciadora: Vintage taste!

Preço: 25€

Onde: Garrafeiras especializadas... provavelmente particulares.

Nota pessoal: 18


Comentário:  Faz claramente parte das minhas memórias os clássicos Periquita Clássico... vistos a serem bebidos na casa dos pais ou em bons restaurantes, há um bom par de décadas. Vinhos diferentes, mas sinónimo de carácter e qualidade.

Num leilão de vinhos propus-me a adquirir 2 garrafas destas. Arrematei.
Estranhamente, quando as fui levantar verifiquei que estavam absolutamente novas. Rótulo, invólucro da rolha... desconfiei da origem do produto, tal é o receio de falsificações hoje em dia. Ou isso, ou estiveram provavelmente armazenadas nas caixas em condições adequadas. Felizmente foi isso.

Aberta e provada com pompa e circunstância, proporcionou surpresa e delicia ao grupo. Rolha impecável de extracção simples.

Cor de opacidade média, mas ainda rubi e sem notas evidentes da sua maioridade.
Nariz arenoso... areia da praia molhada com notas de fruta encarnada à medida que respira.
Algumas notas florais, de Erva Principe e flor de limoeiro. Verde no nariz... como é possível?!
Prova de boca algo amorfa no inicio... paladar com mofo e ferrugem. Bom... pânico. Mas dada a análise sensorial, decidiu-se decantar.
Após respirar, ganham protagonismo as notas menos evidentes de fruta e perde-se o carácter de mofo inicial. O carácter mais ferrugento acompanha a prova, mas sem chatear muito. Acidez ainda muito vincada, e textura granular na prova de boca acompanhada por casca de laranja, quase a chegar a laranja cristalizada.
Final muito longo e com muito caractér, quase "salino" e de persistência elevada.... vinho a pedir comida de confecção particular, sem medo de exageros de condimento ou carnes mais fortes.

Muito bom.

Provador: Mr. Wolf

Bussaco Reservado Branco 1991


Característica diferenciadora: Elegância, juventude e equilíbrio


Preço: 30€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 18.5

Comentário:  Bussaco... esgoto o vocabulário para expressar o regojizo que sinto quando abro (ou vejo abrir) uma garrafa de Bussaco. Deve ser de provar estes vinhos que vem a expressão do povo: "branco ou tinto, interessa é que venha cheio".

Não há palavras. É extraordinariamente bom e provoca sensações extraordinárias!
Esta garrafa foi simpaticamente oferecida duma garrafeira particular... Obrigado!
Partilhada com família e amigos, apreciadores de vinho também, acompanhou um excelente Arroz de Bacalhau confeccionado pelo caríssimo amigo Bruno. Cenário adequado.

Cor viva, amarelo ouro muito brilhante sem o mínimo laivo de oxidação. Não percebo! Limpíssimo e cristalino após 22 anos. Dá para explicar?
Aromas inicias fresquissímos. Untuoso no copo, densidade evidente com o ligeiro balancear do copo e notas cítricas de limão acompanhadas de leves notas aromáticas de barro. Alguma relva cortada.
Prova de boca desconcertante, no melhor dos sentidos. Muito, mas muito delicado, denso no paladar e muito homogéneo nas sensações que provoca, desde o contacto inicial até ao final de boca. Pura e simplesmente impressionante.
Muito concentrado sem nunca ser esmagador ou sequer evidente demais, assenta toda a sua estrutura num equilíbrio impressionante, onde o carácter vegetal e cítrico predomina, evoluindo para estrutura mineral à medida que respira. Sempre com delicadeza. Muita delicadeza.
Não se procure neste vinho tostados de madeira, adocicados de mel, muito menos frutas tropicais! Graças a Deus!!!

Encontre-se o expoente máximo em Portugal (na minha opinião) para a experiência e saber empírico aliada a condições de terroir específico e qualidade da matéria prima. Com discreção, que faz toda a diferença. Se tiverem oportunidade de provar estes vinhos no próprio Palácio do Bussaco, garantidamente é uma experiência que não esquecerão. Recomendo!

Provador: Mr. Wolf