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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Reguengos Reserva 2004

Característica diferenciadora: Clássico

Preço: 5€

Onde: Distribuição em geral

Nota pessoal: 16


Comentário: 
Então vamos lá provar um clássico rótulo do quotidiano vinho Alentejano, uma década depois da safra... Porque merecem, pois é provavelmente a adega cooperativa de referência ainda no Alentejo... pelo menos é a percepção que tenho. Pode estar errada!


Cor de tonalidade (ainda) muito escura, opacidade elevada e brilhante. Promete.
Aromas com muito café torrado. Notas fenólicas muito bem disfarçadas e integradas com fumeiro e soalho encerado. Não prima pela elegância, mas tem carácter.


Prova de boca: entrada muito assertiva. Polido ainda, doce quanto baste. Respira... fez-lhe bem. Caiu o carácter adocicado e manifesta-se agora mais verde nos aromas, unidireccional e vegetal. Parece Cabernet, mas não é... Mas tem a Trincadeira em muitos bicos de pés. Boca no entanto muito harmoniosa.  Uma delicia pela experiência. Beber quem ainda as estiver. Não deve melhorar mais, e actualmente faz uma boa mesa...



Provador: Mr. Wolf

domingo, 12 de abril de 2015

Quinta do Monte D´Oiro Syrah 24 2007


Característica diferenciadora: Carácter

Preço: 50€

Onde: Garrafeiras especializadas.

Nota pessoal: 18.5

Comentário: O grande problema deste vinho é que nunca vou conseguir beber este vinho com 10 anos. É a 3ª garrafa de 2007 que tenho o prazer de beber... todas diferentes no estado de maturidade, a crescerem claramente em cave, mas iguais na distinção e qualidade. É um dos grandes vinhos que nasceu em Portugal na última década.
Esta acompanhou-nos na noite da Consoada.
Aberta com o devido cuidado, a cor está rubi, antecipando um vinho muito vivo e vibrante.
Aromas iniciais de azeitona (da boa) esmagada, verde e limpa... Carácter aromático evidentemente sedutor e com propriedade magnética... pois o nariz tem dificuldade em afastar-se do copo!
Decantado... surge a acidez de oiro, que proporciona ao vinho tridimensionalidade e volumetria. Deixa de impressionar só pelos aromas e pela entrada de boca, mas também pelo final estrondoso que tem. Peculiar equilíbrio entre acidez e doçura, muito difícil de encontrar e fantástica tenacidade e vigor.
Aromas que abrem os sentidos, com calda de fruta em extraordinário equilíbrio com notas de ervas aromáticas ao "fundo".
Boca de sonho. Acidez com fulgor crescente. Equilíbrio e suculência. Muita amplitude e mais importante de tudo... sabe muito, muito, muito bem.
Vinho top! Duma vinha que certamente se tornará mítica nas próximas décadas.
Provador: Mr. Wolf



Duas Quintas Reserva 2011


Característica diferenciadora: Pujança




Preço: 25€



Onde: Garrafeiras especializadas e distribuição

Nota pessoal: 17.5


Comentário:   2011 é de facto um grande ano em Portugal e em particular na região do Douro. A Casa Ramos Pinto, há décadas que nos habitua a excelentes vinhos, amigos da cave e da mesa, sempre com uma excelente relação preço qualidade. Foi neste contexto de expectativa que o Duas Quintas Reserva de 2011 foi provado.
Negro na cor. Opaco, parece Porto vintage!
Escuro  e misterioso. Fechado ainda, cheio fruta e muita, muita mineralidade. Marca de barrica assumida, concentração elevada com notas púrpuras vivas...
Prova de boca a dizer-nos que é muito cedo para o beber... mas enfim, tem de se provar novo.
Barrica muito em evidência e espera-se que a cave lhe traga a elegância que merece. Fruta preta, amora e bastante acidez secundária a toda a mineralidade, mas prova de boca pautada por taninos e fruta concentrada presente e vigorosa.
Todas as sensações estão ainda (muito) fortes. Mas vale a experiência de o beber já e o preço tem a honestidade que a Casa Ramos Pinto assume com o mercado... bem como toda a cadeia de disrtibuição!


Bom, obrigatório guarder no mínimo 5 anos...



Provador: Mr. Wolf





Quinta de Roriz 1996

Característica diferenciadora: Elegância




Preço: 30€



Onde: Leilões eventualmente

Nota pessoal: 18


Comentário:  Que dizer? Um rótulo que um tem tanto de peculiar, um tanto rústico e um tanto de mítico. Desconhecido para muitos. Glorificado por alguns... Eu faço parte desses admiradores!
Nunca bebi um Quinta de Roriz que não fosse extraordinário... Não fosse o terroir mítico também... Mas para isso, e para os mais curiosos, remeto para o livro...Roriz, História de uma quinta no curacao do Douro, de Gaspar Martins Pereira (2011).



Este - voltando ao vinho -  de 1996 é o mais antigo que me lembro. Está em grande forma! Não é perfeito na cor, tão pouco no aroma. Tem as imperfeições que a idade nos grandes vinhos enaltece... e se perdoa. É maduro demais? Sim, é. É pouco opaco, e até um pouco turvo? É. É complexo nos aromas? É, mas diferente das complexidades contemporâneas. Este é genuinamente complexo... Imperfeito... Mas estrondosamente bom. Sabe a fruta. Não tem madeira. Tem taninos aguçados. Não é polido... Mas é - como diria o Jorge Jesus - "muita bom e com elevada nota artística!".

Sim, é isso mesmo... Como os quadros em que o JJ não vê a mulher a chorar, mas a artista vê... É um clássico e do melhor que se fez no Douro nas duas ultimas décadas. 
Carregado de carácter, muitos aromas de fruta madura, cereja, ameixa macerada... Tênue na entrada, guloso, muita groselha no palato, fino e com final recheado de fruta...
Um bocadinho doce, mas muito suculento. 18 anos...
Provavelmente já foi mais grandioso, mas mantém uma simplicidade majestosa, apesar do seu berço de nobreza.

Adorei


Provador: Mr. Wolf





Andreza Reserva 2011


Característica diferenciadora: Concentração...




Preço: 7€



Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 16.5


Comentário:  Vinho proveniente da "winesandwinemakers", que produzem alguns vinhos, como o Quinta do Soque Vinhas Velhas 2007 que adoro. Produzem outros como o Lua Cheia em Vinhas Velhas que tem um perfil muito próprio. Bebe-se, mas enche muito...

Este Andreza, Reserva do excelente ano de 2011, tem a peculiaridade de que quando o abri, simplesmente não consegui beber mais do que um copo.
O vinho está "muitíssimo" em tudo. Basta por-lhe o nariz em cima. Ficou aberto, literalmente 9 dias... Sim, 9 sem rolha.
Quando a grande maioria dos vinhos estariam cansados, oxidados e eventualmente "avinagrados", este surpreendemente está bom... Não estou seguro, pelo que tenho de ver se consigo comprar mais... mas é um vinho com uma concentração que vai surpreender e encantar muitos consumidores. É bom, mas é de emoções (muito) fortes. Mas vale a experiência e o preço.



Provador: Mr. Wolf

Quinta das Bágeiras Garrafeira 2000

Característica diferenciadora: Baga & 15 anos




Preço: 40€



Onde: El Corte Inglés eventualmente

Nota pessoal: 18.5


Comentário:  Que dizer dum vinho com 15 anos que quando se deita no copo está literalmente preto e opaco? Não se diz nada. Arregalam-se os olhos! E agradece-se ao Universo o estarmos no mesmo sítio e na mesma hora que aquela garrafa se abriu.
Aromas fechados ainda balsâmicos, ligeiramente mentolados. Muito sério, com fruta escura, mas são as notas balsâmicas que predominam.

Na prova de boca é magnífico.
Muito denso, larguíssimo no alcance imediato e com o equilíbrio que só os grandes vinhos conseguem ter.
Ao contrário do que é comum actualmente na maioria dos vinhos, este vinho cresce em garrafa. Literalmente.
Aqui não há amaciados de barrica, nem massagem nos taninos... Não. Há que esperar pelo tempo certo. Mas quando o tempo chega, é inalcançavel através de "festinhas" como actualmente se faz. E a Baga presta-se como poucas castas a crescer com o tempo. Que vinho! É muito, muito, muito bom. É um vinho para qualquer mesa do mundo.
Para qualquer apreciador de vinhos, que saiba que vinho não é só o estilo contemporâneo com ares de sugus de fruta, ou laivos de caramelo e baunilha, doces, com Madeira a pontapé, e suculentos. A suculência deste Quinta das Bágeiras Garrafeira 2000 vem da qualidade genuína e do tempo, duma forma que do os dois conseguem produzir... Claramente no pódio dos vinhos do ano de viragem do século. Curiosamente, o outro é Baga também e o outro - no meu pódio, naturalmente - é Barca Velha. 

Um prazer.



Provador: Mr. Wolf



Quinta do Portal Grande Reserva 2009

J
Característica diferenciadora: Douro com frescura e elegância




Preço: 28€



Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 17.5


Comentário:  Quinta do Portal já nos habituou a vinhos que conseguem ter porte e estrutura mas ao mesmo tempo manifestarem-se num registo bastante fresco. Este Grande Reserva de 2009 está ainda na sua puberdade...
Cor viva e muito opaca, com aromas evidentes de cacau. Opaco, vivo. Dá gosto olhar para o copo.
Tem a particularidade dum perfil muito próprio... em que os aromas cativam, pelo vinco e aprumo, mas na prova de boca é bastante mais elegante que os aromas anunciam.


Necessita de respirar, onde cresce e cresce, num estilo unívoco de estrutura, acidez e elegância. Apesar de alguns aromas a fumeiro, é delicioso para o nariz. Aromas de pólvora também.
Prova de boca com carácter terroso, folhas secas, mas que rapidamente se torna fresco e mais num estilo herbáceo que fruta. O que é bom.
Guloso, precisa claramente de cave para afinar e registar o seu estilo num perfil de elegância, e deixar que as notas mais fumadas e torradas se "esfumem".
Muito bom.


Provador: Mr. Wolf





Clos Henri Pinot Noir 2008





Característica diferenciadora: Mineralidade




Preço: 20€



Onde: ?

Nota pessoal: 17


Comentário:  Cor salmonada, aberta e bastante limpa. Aromas de pedra molhada e ligeira fruta. Não é impressionante, mas é apelativo.
Na prova de boca, cresce o entusiasmo pois é estremamente mineral com um equilíbrio de fruta que faz lembrar morango bem maduro que é muito bom.
Excelente estrutura, num registo bem elegante mas sempre bastante tenaz.
Boa experiência, bom vinho a preço bastante adequado.



Provador: Mr. Wolf



sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Quinta do Crasto Reserva 2007


Característica diferenciadora: Douro

Preço: 25€

Onde: Garrafeiras especializadas.
 
Nota pessoal: 17.5

Comentário: Já andava há muito tempo a olhar para ela na cave... tem lá mais uma ou duas irmãs... mas andava mortinho por ver como estava.

Fora de modas e tendências, estes vinhos da Quinta do Crasto Reserva, criaram o seu próprio perfil, assente em muita qualidade na fruta e seguramente no cuidado durante a produção... e estágio em barrica de qualidade superior... e de facto, o que é bom, é muito bom sempre.

Pode variar ligeiramente no perfil, mas é bom. Quinta do Crasto Reserva 2007 não é para todos... Mais do que o custo financeiro que este vinho sempre teve - sem ser extraordinariamente caro, é um vinho inacessível para muitos consumidores -  é a maturidade de o deixar descansar e ir provando ao longo dos anos...

Cor limpa e rubi escura, caldosa e côr de cereja. Muito brilhante e lustrosa. Muito bonita a côr.
Aromas muito limpos com fruta e notas aromáticas vegetais também. Foi-se a hegemonia aromática da excelente barrica... o que não é mau de todo, apesar da barrica dos Crasto ser sempre muito boa! Ainda presente, mas pouco marcante.
Primários de fruta, carne e floral, com a fruta a pautar a prova sem estar em demasia. Muito maior subtileza do que evidência, o que confere um registo bastante elegante e distinto.

Gostei muito. Valeu a pena esperar e vai ser bom provar outras mais tarde.
 
Provador: Mr. Wolf

Casa Ferreirinha Vinha Grande 1995


Característica diferenciadora: Classe

Preço: 15€ ?

Onde: Garrafeiras particulares ou especializadas... ou leilões.

Nota pessoal: 17.5

Comentário: Provavelmente o último Vinha Grande que cheira a Barca Velha. Sim, cheira. Não quero saber se vou ferir sensibilidades ou não... Se cheira ou "tem aromas"... Para mim, cheira a Barca Velha.
A côr tem a côr que muitos Casa Ferreirinha têem. Não é turvo, é límpido. Mas não é 100% límpido. É Vinha Grande da Casa Ferreirinha...dos antigos.
E no nariz... chegada ao paraíso... Aquela poção mágica de aromas, inebriante e acutilante. Fruta muito fina e aromas balsâmicos. Arrebata qualquer um, tamanha é a sedução que os aromas manifestam. Nem apetece muito falar bem sobre o vinho... Tal é o egoísmo.
 
Fresco, com fruta e especiaria num equilíbrio muito giro, que proporciona muito prazer.

É um vinho do outro mundo, dada a pacatez que aparenta e a força que manifesta. Acidez na puberdade... Espicaçada ainda. Majestoso na capacidade de arrematar toda a atenção dos sentidos quando se bebe. Único no final, único no equilíbrio e persistência, largo, avassalador porque no fim é incrivelmente fresco. Esqueçam a idade. Esqueçam. Tem a pujança do que os vinhos novos têem, mas tem a classe e largura de sensações que só a idade confere! Brutal, brutal. Agora, para chatear... 12,5% e não tem Touriga Nacional. Mais do que opaco, é denso e quimicamente fresco. Vegetal, seco, espesso mas brutal. 
É a entrada tenaz na prova de boca que impressiona muito. Forte e densa, perfeita na entrada seca, mas com uma harmonização e secura final inesquecível! Muito, muito, muito, muito bom!

Nota e imagens em relação à excelente qualidade com que a rolha se apresentou.

Provador: Mr. Wolf


 





domingo, 14 de setembro de 2014

Quinta do Monte D´Oiro Aurius 2003


Característica diferenciadora: Classe


Preço: 25€

Onde: Garrafeiras particulares ou especializadas.

Nota pessoal: 18.5

Comentário: Não é à toa que a maioria dos posts que coloco actualmente é relativa a vinhos com mais de 5 ou 6 anos... especialmente se tivermos em consideração que parece-me de senso comum assumir que a qualidade geral do vinho em Portugal tem crescido muito, diria eu nas últimas duas décadas... mérito superior para os Produtos, sem margem para dúvida, e mérito também para o consumidor, que duma forma geral aumentou a exigência e colabora duma forma mais activa para o gosto pelo vinho. O mercado cresceu em valor no consumo interno, e apresenta fulgor no mercado externo... então porque destaco normalmente vinhos com mais alguns anos de idade? Porque se é verdade que os vinhos melhoraram a qualidade geral, também convergiram para um perfil muito semelhante, homogéneo e "fast drinking"... e na maioria das vezes, apetece-me um (ou mais do que um...) copo de vinho com carácter! E este sem dúvida nenhuma tem!
A cor estremece qualquer mesa... Quais 11 anos?! Será 2003 ou 2013? É 2003.
Limpo, brilhante e cor tendencialmente púrpura escura. Uma enciclopédia vinícola olhar para um copo destes... Panóplia de aromas e densidade cromática fantástica. 
Provar demonstra no copo, aquilo que só realmente o tempo consegue. Impressionante. 
Bom, pelo princípio... Aromas fechados e quentes, com figo a dar o mote. Parece-me também ligeiro cacau, morno - aquele aroma do resto das chávenas de chocolate quente, qaundo era pequeno e ficava aquela "calda" de cacau e o resto do leite... bom, aromas iniciais mornos mas uma bomba de intensidade da prova de boca!
Desafia qualquer conceito dos perfis de vinhos actuais, demonstrando que é o estágio e a correcta maturação que permite colocar em evidência o que é um grande produto, pronto para os palcos globais, e muitas vezes dificil de compreender em circulos mais estritos. 
Infelizmente, Portugal é sem dúvida um mercado pequeno, apesar de proporcionalmente no rácio de consumo per capita, ser um mercado de destaque. Mas conseguir produzir vinhos destes, essencialmente para um mercado como o nosso, a preços acessíveis, é de louvar... e agadecer.
Voltando a esta garrafa... Impossível explicar por palavras o equilíbrio entre a intensidade e a elegância que tem. Impossível.
Notas vegetais e à medida que respira, florais... apimentadas por fruta quente, ligeira e quase confitada. Final estonteante, cheio, redondo, mágico na intensidade, fulgor na persistência... Muito complexo para harmonizar, pois é aquilo que denomino um vinho "muito reagente", ou seja a sua intensidade é tal, que facilmente na harmonização com a comida, provoca diferentes (e evidentes ) sensações... se não houver cuidado, facilmente o vinho cresce muito mais do que a comida...
Touriga Nacional, Syrah, Petit verdot e Touriga franca. 
Penso que o grande destaque deste vinho é a nobre elegância que se sente em cada golada de vinho, como em poucos, polida pelo - inalcançavel por outros meios - efeito dos anos e da muita qualidade empregue desde a vindima à vinificação e estágio. Soberbo. 
Baco seria teu amigo do Facebook pessoal, Quinta do Monte D´Oiro. De certeza... vivesse ele onde vivesse...

Provador: Mr. Wolf


Luis Pato Vinha Pan 2000


Característica diferenciadora: Classe e elegância.



Preço: 25€-30€.

Onde: Garrafeiras particulares ou especializadas.

Nota pessoal: 18.5

Comentário: Patamar de excelência de vinhos elegantes em Portugal, Luis Pato dispensa qualquer tipo de apresentações e salamaleques. 
Os vinhos são normalmente excelentes e pontualmente muito bons. 
Este Vinha Pan de 2000 faz parte do conjunto de garrafas que se apresenta em excelentes condições!  
Rolha impecável, lustrosa e imaculada na sua função de vedar. 
Cor límpida, rubi escura. 14 anos...sim, 14!
Na prova de boca tudo é expandido, largo e homogéneo! 
Nada de barrica presente, nada de frutas fáceis - muito menos tropicais... a vinha não é um resort com palmeiras e fruta tropcial...
Aqui é a acidez perfeita que pauta a prova, subtil e fresca salpicada - a equilibrar - com as notas mais maduras de fruta seca, estilo tâmaras ou ameixa muito madura, mas muito, muito ligeiras. O carácter em  evidência é vegetal, balsâmico e profundo ... esporadicamente ligeira fruta vermelha, que curiosamente oscila entre a mais madura e silvestre à medida que o vinho respira. 
O final do vinho é imenso, integrado no prazer da prova desde o início... toda prova é imensa, desde os aromas ao primeiro trago que se engole. 
Perpetua o prazer, sempre num registo muito fino, coloquial e muito sério. 
É um perfil fora de moda, mas que há-de voltar a calibrar a excelência do vinho português, ao invés do que se premeia hoje em dia. 
O perverso deste paradigma, é que quando voltarem esses tempos, provavelmente diminui a capacidade financeira para beber estes vinhos como existe hoje... ou seja, subitamente encarecem ao ritmo de 3 dígitos percentuais...
Por isso, vou ser um humilde consumidor egoísta e desejar que se continuem a premiar os perfis que hoje se premeiam... Tirem as vossas ilações. 

Provador: Mr. Wolf



domingo, 31 de agosto de 2014

Quinta das Bágeiras Garrafeira 2000


Característica diferenciadora: Sumptuosidade


Preço: 25€-30€... se encontrarem.

Onde: Garrafeiras particulares ou especializadas.

Nota pessoal: 18.5

Comentário:  Que dizer dum vinho com 14 anos que quando se deita no copo está literalmente preto e opaco? 
Não se diz nada. Arregalam-se os olhos! 
Aromas fechados, a muito esforço e cuidada espera, balsâmicos e ligeiramente mentolados.
Muito sério, com fruta escura, mas são as notas balsâmicas que predominam... que carácter único, averso à perfeição... se fosse uma pop star, era bonita com 20, 30, 40, 50 ou mais anos... sem plásticas, silicones, ou o que seja. É bom e bonito, como veio ao mundo... percebem a comparação?

Na prova de boca é magnífico. Muito denso, larguíssimo no alcance imediato e com o equilíbrio que só os grandes vinhos conseguem ter. Os muito grandes... Ao contrário do que é moda agora, este vinho cresce em garrafa. Literalmente.
Aqui não existem carícias de barrica, nem spa nos taninos... Não. Há que esperar pelo tempo certo. Mas quando o tempo chega, é inalcançavel através de "festinhas" como actualmente se faz. E a Baga presta-se como poucas castas a crescer com o tempo.
Que vinho!
É muito, muito, muito bom. É um vinho para qualquer mesa do mundo. Para qualquer apreciador de vinhos, que saiba que vinho não é só o estilo americanizado que se quer, doces, com Madeira a pontapé, e suculentos. 
A suculência deste vinho vem da qualidade genuína e do tempo, duma forma que só estes 2 vectores dois conseguem produzir... Claramente no pódio dos vinhos do ano de viragem do século. Curiosamente, o outro é Baga também é o outro - no meu pódio, naturalmente - é Barca Velha. 

Provador: Mr. Wolf





Clos Mogador 2010


Característica diferenciadora: Sumptuosidade

Preço: 60€

Onde: El Corte Inglés

Nota pessoal: 18.5


Comentário:  Clos Mogador é "só", um dos melhores vinhos que se produz em Espanha... velho conhecido, só não costumo estar mais com ele pois a sua companhia sai muito cara... ou melhor, custa muito dinheiro...mas é sempre um prazer!
Como excelente vinho que é, acompanhou-nos para um excelente jantar de amigos, e serve apenas para prova "ao de leve"... 
Pareceu-me ser de perfil diferente dos de 03, 06 e 07 que tive a felicidade de provar nos últimos anos... mais subtil e a precisar de cave.
Cor tingida de negro violáceo...Cheiro de fruta escura, muito especiado, fumado e  tinta da china. Na prova de boca é denso, opulento, e com taninos de felino: afiadíssimos.
Quando repousa um pouco no copo, circunstância pouco comum, pois é daqueles vinhos que tende a desaparecer rapidamente dos copos, os aromas da infância das canetas Molin evidenciam-se. 
Secura e delicadeza, muita finesse, e taninos particularmente aguçados... e não deu tempo para muito mais, pois neste magnífico jantar as outras garrafas também gritavam por nós e a conversa era muito boa!
Mas havemos de nos voltar a encontrar! Para já, a breve nota para a memória... e quem queira comprar um excelente vinho e gastar 60€, é ir ao Gourmet do El Corte Inglés e seguramente faz uma excelente surpresa.

Provador: Mr. Wolf

Quinta de Cabriz Alfrocheiro Preto 1999

Característica diferenciadora: Elegância e longevidade

Preço: 10€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 17


Comentário: 15 anos! Dão... Monocasta... Felizmente não é Touriga Nacional.. É Alfrocheiro Preto. Recordo-me de excelentes vinhos da Quinta dos Roques dessa época. Encontrada na Garrafeira Estado de Alma em Alcântara - recomendamos vivamente para quem gosta de vinhos bons, fora de modas e a bons preços - que consistentemente apresenta várias opções de vinhos a preços de feira, com renovação semanal dos stocks e com bons preços... e esta era daquelas garrafas que não podia ficar lá. Prova-se e aprende-se muito com estes vinhos.

Aberta a garrafa, a rolha apresentava uma bonita cor rubi viva e escura. 

Jorrado no copo, as sensações olfactivas remetem-nos para o Dão mais puro que há... Imediatamente... Caruma de pinheiro, aromas levemente cítricos, fresco e ao mesmo tempo fruta escura madura. 
A cor não impressiona mas também não compromete. Nuances "atijoladas", opacidade média e ligeiramente turvo.

Há que provar! A prova de boca é simples, despojada de manifestações exibicionistas de fruta, Madeira e afins como tão bem conhecemos hoje. Nada disso. Simples, correcto e bom. Mas é o final do vinho que justifica a escrita. Se quando provamos, é simples, o final é delicioso. O vinho ganha muita garra, cresce na textura e o apogeu estabelece-se no final cítrico, longo e muito persistente... Sem nunca perder a elegância. 

Impressionado, resolvi decantar... Refrescado para que se decante, neste caso usei uma manga para rapidamente e de forma homogênea baixar a temperatura a 14 graus. Decantado. É aguardar até ao jantar. Até já.

Provador: Mr. Wolf


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Quinta do Portal Grande Reserva 2007


Característica diferenciadora: Genuíno Douro


Preço: 30€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 18

Comentário:  Que a Quinta do Portal é sinónimo de muita qualidade em tudo o que faz - pelo menos do que eu conheço - não é novidade...
Que 2007 é um ano que é necessário esperar... também penso que muitos já perceberam... mas que este vinho está extremamente volumoso e acetinado é que provavelmente poucos sabem!

Cor impenetrável... revestido de rubi escuro, lustroso, muito vivo e brilhante. Aromas de cacau misturados com algumas notas mais minerais... imperfeito nos aromas, no melhor dos sentidos... se querem Douro (ou qualquer outra região, diga-se de passagem...) com notas de caramelo e afins, gastem menos dinheiro que há aí muito para comprar... este não, tem aromas de vinho, ora mais terroso, ora mais doce, tal como alguma fruta quando se espreme.
Apesar de alguma tónica aromatica e vincada personalidade cromatica, é na prova de boca que o vinho se coloca no patamar de excelência que ele tem, dada a sua frescura e facilidade com que se integra na prova de boca.
Com anos ainda pela frente, está pronto para se beber já.
Tem um final muito longo, de deixar lastro como só os grandes vinhos têem.
Bom vinho! 

Provador: Mr. Wolf

Domaine Neferis D'istinto Magnifique Cuvée 2010



Característica diferenciadora: Tinto. Da Tunísia.

Preço: 20€

Onde: África...

Nota pessoal: 16

Comentário:  Bom... se é verdade que procuro beber bons vinhos pelos países que pontualmente visito, também é verdade que procuro vinhos locais e que "fujam" dos ridiculamente globalizados Cabernet Sauvignon e Merlot... e foi o que fiz. Fiz na Tunísia e na Bulgária... melhor a Bulgária neste capítulo...Pelo menos do que tive oportunidade de provar.

Esta garrafa não a provei lá... foi-me recomendada e comprei no aeroporto... e "by the way"... cuidado... pois compra-se e na caixa dão-vos o saco... mas se não o fecharem vocês e fizerem escala em algum aeroporto da Europa, como fiz em Paris... têem de despachar a mala, mesmo com o recibo da compra. Em Paris. Confesso que achei estranho na loja do aeroporto de Tunis não "selarem" o saco... mas enfim. Para a próxima já não me esqueço.

Bom... aberto com alguma expectativa, como seria este Syrah das terras quentes da Tunísia?
Cor rubi rosada... sim, rosa da cor de pétalas escuras!
Translúcido. Aromas iniciais de álcool e mofo. Álcool muito evidente. Se procurarmos bem encontramos morango, o que é estranho considerando que a casta é Syrah...
Fruta fresca, encarnada... mas estranha... parece a parte branca dos morangos quando ainda não amadureceram.
Vale pela experiência... e para apreciar melhor o que se faz em Portugal... mas se forem à Tunisia, bebam Vieux Magon... é um conselho. De amigo e de borla.

Provador: Mr. Wolf

domingo, 8 de junho de 2014

Manuel José Colares Reserva 1976


Característica diferenciadora: Colares.


Preço: Nem quero saber.

Onde: Garrafeiras particulares...

Nota pessoal: 17

Comentário:  Colares é Colares... Ponto final, parágrafo.
Não é para que todos gostem.
Nem vale o esforço... é indiferente... há tantos, tantos rótulos e tão bons vinhos, que estes vinhos de Colares, não vale a pena convencer ninguém de nada... Mais... ofereçam-me as garrafas que têem pois não gostam da acidez árida dos vinhos... do vinagre que apresentam nos aromas... da falta completa de fruta quando se abrem... digam-me onde que eu vou buscá-las!
Este, apesar dos 38 anos em garrafa... apresenta-se preto, vivo, com reflexos cobre no brilho...pois. No entanto há muitos cuidados a ter com estes vinhos quando se servem... temperatura dever estar a uns 14 graus quando se decanta... decantar, agiliza o seu melhor "fato"... que se for no copo, pode demorar. Convém decantar e estar atento ao sedimento... e depois de decantado a uns 14º, é aguardar que suba 2 ou 3 graus no copo e começar a provar. Daí para a frente só melhora... agora, se o servirem a 20º... esqueçam. É o mesmo que dar pontapés com as canelas numa parede. É estupidez pura e é impossível ter a mínima piada.

Aromas imediatos de iodo, mar... areia da praia molhada pela manhã... sim. Boca completamente diferente do que estamos habituados actualmente, a pedir comida... ou melhor, a gritar por acompanhante à altura. E este acompanhou queijos e enchidos. Safaram-se, mas não é fácil.
Ácido, leve, larguíssimo na boca, cítrico, faz salivar muito... ligeiro "vinagrinho" e com mineralidade ainda acentuada. Gosto muito. Obrigado Bruno pela partilha.

Provador: Mr. Wolf


Quinta do Poço do Lobo Reserva 1995


Característica diferenciadora: Bairrada... com Castelão e Moreto.

Preço: 10€

Onde: Garrafeiras particulares... ou algumas Feiras de Vinho

Nota pessoal: 16

Comentário: "Sai uma brincadeira para a mesa da sala, faxavor!"... E sai um Baga, Castelão e Moreto de 95...
Cor ligeira, limpa... aromas animais. Pelo de animal. Barrica ligeira ainda presente...Bouquet muito bom, a superar claramente a expectativa. 
Falsamente aguado, anuncia e manifesta pouca acidez no palato, mas cumpre... Ligeiro café em grão. Precisava de arejar... e arejado, as notas mais animais desaparecem e aparece um vinho leve, com aromas de madeira encerada e com longa frescura que lhe confere muita graça. Não se pode exigir acompanhar pratos muito elaborados... mas está muito bem. 
Vale pela experiência e pela diferença na prova. 
Duvido que muitos dos "sprinters" que se produzem hoje em dia, passados 14 anos ainda se aguentem com este!





Provador: Mr. Wolf

Hero do Castanheiro Reserva 2000

Característica diferenciadora: 14 de Castelão...

Preço: 6€

Onde: Garrafeiras particulares...

Nota pessoal: 16


Comentário:  O que é que se bebe com umas costeletas fantásticas de cordeiro? Jovem, frutado e vigoroso? Não. Isso enjoa-me só de pensar... Cordeiro não é fácil... Preciso de secura e acidez... Resta Colares, Bairrada ou Palmela... Foi fácil escolher da garrafeira... Andava mortinho por abrir uma destas!

Não é translúcido... nem brilhante... é assim cor atijolada, opaco... sem brilho... Aroma clássico de Castelão... É sempre estranho! Arenoso, ligeiro vinagrinho... Inodoro quase, no bom sentido... notas de areia molhada, sem mofo. 

Boca directa e completa... Taninos polidos pela erosão dos anos em garrafa... Mas existem. É um vinho sonso... Parece que não parte um prato, mas parte. 
Largo e volumoso na boca, as notas mais doces iniciais transformam-se (com a comida) num reagente delicioso, com notas cítricas, arenoso na textura, ácido no final e denso no palato. Casa muito bem com a força dos sabores das costoletas de sordeiro, sem nunca se sobrepor, mas a aguentar toda a suculência e pujança do sabor, correspondendo com uma harmonização muito bem conseguida. Seca, confere harmonia à refeição, neutralizando o carácter animal mais forte do cordeiro. Com garra, ligeira fruta confitada, acidez muito boa, redondo na boca, final consistente, sem cosmética nenhuma. É um estilo muito próprio, que ou se gosta ou se é indiferente... eu gosto muito e estas garrafas de 2000 estão extraordinárias. Não é um vinho extraordinário, mas bebe-se muito bem e é muito fiél ao que se quer dum bom Castelão. Não é um vinho para brilhar... é um vinho para deixar o prato cumprir o seu protagonismo e complementar. Também faz falta.
Muito bom! 

Provador: Mr. Wolf