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domingo, 26 de janeiro de 2014

Granja Amareleja Vinhas Velhas 2009

Característica diferenciadora: Amareleja Vinhas Velhas... Adega Cooperativa...

Preço: 12€

Onde: Pontualmente em feiras de vinhos. 

Nota pessoal: 17


Comentário:  Avisa-se já que não é fácil de encontrar... no entanto, vinhos de "Granja - Amareleja" existem na distribuição comum (Jumbo, Continente, etc...) e são sempre bons e fiéis ao perfil. Gosta-se ou não...
Excelente cor. 
Escuro e vivo de opacidade média, cheio de aroma. 
Muita fruta delicada, profundo com algumas notas de eucalipto. Balsâmico.
Prova de boca fulminante. Classe pura. Ligeiro no tanino, perfeito na acidez. Redondo, aplicado na concentração, nada em demasia. 
Equilibrado, doce de tomate, ligeira barrica presente a adocicar, mas sem chatear. 
Muito "fino" mas denso ao mesmo tempo. Característico do que é o bom carácter do Alentejo tradicional. 
Comprar, beber e guardar algumas. 
Muito bom. Perfil peculiar, fora de modas. Mas para quem gosta, como eu, é um tesouro.

Provador: Mr. Wolf

Quinta dos Carvalhais Colheita 2009

Característica diferenciadora: Dão puro contemporãneo.

Preço: 7€

Onde: Distribuição

Nota pessoal: 17

Comentário:  Já o escrevi, mas devia lapidar... 2009 é um ano extraordinário na nossa querida região do Dão. 
Este vinho da Quinta dos Carvalhais é normalmente muito bom. Nesta colheita em particular, tem o seu expoente máximo de todos os anos que já bebi. Não por ser exuberante, por captar os sentidos imediatamente, mas antes pelo equilíbrio com que se apresenta.
Efectuando zoom aos detalhes, a cor tem brilho e opacidade que cativam logo. Reflexos quase púrpura que nos puxam para o copo.
O vinho é muito sedutor. Fumado, especiado, com um toque vegetal, pinheiro, fruta escura quase madura... Tudo equilibrado. Vincado, mas equilibrado. Aromas, promete!
Na prova de boca é consistente com o primeiro impacto. Assertivo e cheio de carácter, com barrica muito bem integrada pois só acrescenta profundidade à prova sem se destacar, é repleto de homogeneidade.Si, está muito bem, "cheio" e homogéneo.
O vinho sabe bem, muito bem. Parece simples, mas não é.
Predispõe-se para quase qualquer prato da nossa gastronomia, pois tem um peculiar equilíbrio entre elegância e rusticidade. Não tem exageros florais, mas nota-se a (boa ) Touriga.
Tem mineralidade que lhe proporciona clarividência da prova, secura (acidez) muito bem dimensionada e taninos "sonsos", que não se apresentam no início, mas estão lá.
Final adequado, homogéneo, nada cansativo.
Granular, denso qb, largo, é um excelente vinho de guarda, onde à confiança pode esperar 6,7,10 anos em que só melhorará de certeza.
Há vinhos mais fáceis e quiçá até mais baratos... Duvido que existam muitos, tão disponíveis na distribuição, grandiosos e de guarda como este. 
Excelente vinho.

Provador: Mr. Wolf


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Adega Mãe Cabernet Sauvignon 2011


Característica diferenciadora: Cabernet Sauvignon cheio de carácter.

Preço: 10€

Onde: Só vi na Adega Mãe...

Nota pessoal: 17


Comentário:  Negro e muito opaco... opaco e muito vinoso. Púrpura escuro, lágrima densa. Aroma de barrica muito vincada, ainda que, sem chatear muito. A barrica é de muita qualidade. Notas também terrosas, vegetais e verdes. No entanto de registo elegante.

Na prova do boca o vinho está muito bem. Assertivo e vegetal, delgado na acidez, ainda bem presente com taninos bem integrados. É um excelente exemplo de Cabernet Sauvignon, uma vez que as características da casta estão lá todas no entanto sem se deixarem exagerar. O carácter vegetal nota-se na prova de boca também. Tem um perfil muito contemporâneo. Parece-me adequado para provar umas garrafas ao longo dos próximos anos a avaliar para onde caminha. Se por um lado tem "tudo no sítio" para prova imediata, existem algumas características que lhe identifico que me suscitam curiosidade para uns anos de cave, tais como a acidez, quase cítrica, o terroso e essencialmente a granularidade.
Muito curiosa também a vertente mineral que o vinho tem. Não é evidente mas aparece explicita no final, acrescentando-lhe cristalinidade. Muito interessante. 
Vinho para acompanhar.

Provador: Mr. Wolf


Quinta das Bágeiras Colheita Tinto 2008

Característica diferenciadora: Baga!

Preço: 5€

Onde: Garrafeiras especializadas e alguma distribuição (Leclerc)

Nota pessoal: 17


Comentário:  Revisitar um Baga de 2008 é sempre motivo de entusiasmo. 
2008 é na minha opinião um dos mais particulares anos desde o início deste século. Por estranho que pareça...  é um ano discreto, pouco dado a exuberâncias, mas extremamente competente, comedido e elegante... Em geral. Talvez porque 2007 foi um ano de muitas promessas e quiçá terá ensombrado o lançamento dos anos seguintes... Até que surge 2009 que outra vez nos projecta as expectativas. Mas 2008 não é expectativa. É certeza. Produziu peculiar elegância, tenacidade e factualmente os vinhos são muito bons. Um baga da Casa Quinta das Bágeiras então...


Cor rubi mate, esbatido e de mediana opacidade. Aromas fiéis e verdadeiros embaixadores aromáticos da majestosa baga. Vincados, mentolados e extremamente potentes. Limpos no entanto. Muito enérgico aromaticamente e estranhamente equilibrado. Directo e assertivo. Não acrescenta muita complexidade, mas o que anuncia é bom. 
Boca muito boa. 
Ténue na acidez inicial, guloso na fruta silvestre e com carácter vegetal muito vincado. Extremamente directo, guloso e com final que termina de forma quente, apenas espicaçado pela acidez que se apresenta nesta fase final.
Excelente vinho, cheio de músculo e personalidade. Perfil muito específico, mas para quem gosta de Baga... é obrigatório ter na garrafeira.

Provador: Mr. Wolf

domingo, 19 de janeiro de 2014

Quinta do Monte D'Oiro Reserva 2003


Característica diferenciadora: Elegância e tenacidade.

Preço: 45€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 18.5


Comentário:  Escolher os vinhos para a Ceia de Natal não é fácil... escolher um vinho para a Ceia de Natal onde também vamos abrir Barca Velha, obriga a redobrada atenção... mas após alguma reflexão, um Quinta do Monte D´Oiro Reserva não comprometerá seguramente. Arrisca-se mesmo a ser protagonista.
Este de 2003 gosto especialmente. O facto de ser de 2003 induz em erro... pode pensar-se nalgum cansaço e "atenuado" pela idade... mas não!
Aberto com parcimónia e protocolo depois de repousada ao alto por 2 dias. Rolha imaculada, de vitrine!
Cor impenetrável ainda, escura e bastante límpido.
Aromas imediatos a lembrar azeite... profundo no entanto e muito balsâmico. Algum chá e ervas secas e depois de respirar um bom bocado, ligeiro doce. Aromaticamente está muito bem.
Na prova de boca é extraordinário na cremosidade e untuosidade com que se apresenta.
A estrutura que o vinha ainda apresenta é estrondosa. Elegante, mas cheio de tenacidade. Os taninos e a acidez estão tão muito bem, vivos e a fazerem-se a sentir ainda sem nunca chatear.
Fruta ténue, com predominância de especiaria e ligeiros aromas terrosos. Picante no palato e impressiona pela persistência final repleta de intensidade. 
É um excelente vinho em que todas as sensações quando se bebe é de equilíbrio e muita suculência. Nada de exageros, nada de "falta-lhe" o que quer que seja... é muito bom tal qual o vinho está... a questão é que é assim desde que saiu para o mercado, apesar de nos primeiros anos ser ligeiramente mais "vincado" nos taninos e mineral.

Puro prazer e 10 anos são 10 anos. É quando um grande vinho se mostra a sério.

Provador: Mr. Wolf


quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Barca Velha 2004

Casa Ferreirinha Barca Velha 2004
Característica diferenciadora: Opulência, equilíbrio, intensidade. Majestosa harmonia.

Preço: 200€

Onde: Garrafeiras especializadas e restauração

Nota pessoal: 19.5


Comentário:  Escrever sobre a experiência de beber Barca Velha é para mim sentido como uma responsabilidade e previlégio.
Não é uma referência mundial no mundo dos vinhos que custe 3 ou 4 ordenados mínimos nacionais como vários vinhos Franceses custam... Não cura doenças como muitos dos princípios activos aplicados na indústria farmacêutica...Mas é um símbolo de orgulho nacional.
É uma das marcas de maior retorno e awareness das quais nos podemos orgulhar, não por estruturas de marketing agressivas, mas por ser a prova viva do sonho de um Homem, cujo carisma permitiu que o seu objectivo fosse executado de forma exímia por outros Homens da sua época e perpetuado por décadas.
O sonho de Fernando Nicolau de Almeida de ter um vinho de mesa de referência em Portugal na década de 50, quando as uvas pagavam-se era a produzir vinho do Porto, concretizou-se em 1952. E continua vivo. Assenta o seu sucesso na procura da qualidade superior, acção de tentarmos fazer o melhor que sabemos e darmos tudo de nós nas pequenas coisas que fazemos para produzir este vinho. Não li em lado nenhum, mas imagino que seja assim o espirito. Eu tenho muito respeito e admiração... Muito mesmo, sobretudo por aqueles que ainda hoje acreditam e aplicam a metodologia necessária para exprimir de forma tão suprema a qualidade das uvas e o esforço "das gentes" para o produzire. Vénia.

Uma nota também para quem é responsável pelo acompanhamento enológico. É necessário ser-se muito humilde e extremamente competente para continuar a aventura de Fernando Nicolau de Almeida como José Maria Soares Franco fez e actualmente Luis Sottomayor continua. Seguramente cada um destes actores acrescentou e acrescenta um pouco da sua vida a este vinho, mantendo a tradição viva ao mesmo tempo que o respeito pelo terroir o mantém contemporãneo. E um reconhecimento também à Sogrape por respeitar os pergaminhos do Barca Velha e permitir que se continuem a produzir, investindo e respeitando a marca.

Dito isto, foi com muita satisfação que retirei uma garrafa de Barca Velha 2004 para estar presente na Ceia de Natal este ano. Satisfação e confesso algum receio. Acho que foi o meu presente de Natal a mim mesmo... que é partilhar com quem nos é mais próximo e querido.

Barca Velha impõe respeito... facilmente influencia opiniões só pelo rótulo, para o bem e para o mal... por isso mesmo e felizmente como cá em casa normalmente bebe-se bom vinho, independentemenmte da origem ou preço, não há a preocupação ansiogénica dos convivas de saber o que se vai beber... há um conforto e confiança que será bom e a seu tempo descortinar-se-á, sem estar no centro das atenções. Foi o que aconteceu.
Foi o 2º tinto a ser servido durante a Ceia de Natal. Naturalmente que depois de ouvir as reacções, no seguimento do vinho anterior de muita satisfação também, resolvi em jeito de comentário informar "olha, este é o Barca Velha de 2004 que ainda não tinha provado...", sem sofismas e com um franco sorriso de estar a partilhar o vinho com a família.
Mas confesso que existia o receio de o perfil do vinho ter mudado e não ser próximo daquele que em meu entender foi dos mais míticos anos que provei Barca Velha: 1995. É sem dúvida a minha referência.
Tinha receio que se tivesse alterado. Estava na realidade diferente em 1999 e o de 2000 só o provei uma vez. Mas este não estava diferente da minha referência de Barca Velha. Era apenas mais jovem este de 2004... mas para quem gosta, e eu tenho a sorte de gostar deste perfil, este tem tudo de Barca Velha. Fiquei feliz. Muito feliz.

Quem procura vinhos escuros e densos, aromaticamente exuberantes, não gaste dinheiro em Barca Velha. 
Pode comprar 5 ou 6 caixas de vinho com o preço duma garrafa e tem mais sensações de adrenalina. Aqui é mais serotonina.

Rubi muito bonito de opacidade média. Muito brilhante, lustroso.
Aroma Ferreirinha, mas ao contrário do que costuma ser mais "clássico", este está muito quente e envolvente...Mais do que é habitual. Guardo muito boas memórias de 1995... É o mais parecido, na minha opinião, com este. Ainda bem. Mas a minha experiência com Barca Velha é parca... Apesar da maravilhosa prova vertical que efectuamos há 4 anos atrás, essencialmente porque em redor das garrafas estava um bom grupo de amigos... mas de resto, só esporadicamente o bebo. Mas este imediatamente transportou-me para essa noite em que provámos 8 anos à mesa com 8 amigos.
Aromas de sedução pura, num misto de ervas quentes... aromas quentes de verão de alfazema. Extremamente delicado, profundo e especiado também. Nada de notas de álcool, muito persistente onde nada está em demasia nos aromas. Dá vontade de "aspirar" o vinho com o nariz... se tivesse de o efectuar alguma vez e pudesse escolher, era com Barca Velha que experimentava,
Falsamente evoluído na entrada de boca, pois a acidez está lá. Pimenta branca, muita largura na prova, estonteante para os sentidos. Tem muita largura e muito comprimento. É a forma mais coerente com que consigo descrever a sensação. Mineral qb mas leve como o mercúrio.
Verde ainda...no limiar de "estar a ficar maduro", à medida que respira, ganha jovialidade. Pujante apesar de usar cetim no toque, tenaz, crocante nos aromas, crepitante na boca. Potentíssimo. Fresquíssimo, final muito longo e crescente. Novíssimo. 

À medida que evolui, manifestam-se com maior destaque aromas e frescura de ervas aromáticas, estilo lavanda. Muito fresco. Muito fino, ao mesmo tempo que muito complexo. No limite do quase doce, mas duma tonicidade e capacidade de refrescar o palato impressionante. Perdoem algum discurso estilo telegráfico, mas o vinho é assim. De forma telegráfica, produz-nos sensações extremamente claras, clarividentes, e deliciosas... nunca usei, mas se comparasse com um telegrama, seguramente seriam boas notícias.
O que o distingue da grande maioria de grandes vinhos que produzimos em Portugal é que o vinho nunca cai durante a prova em momento nenhum. É como se fosse um motor (potente) dum carro, que disponibiliza a muita potência que tem, de forma sempre muito progressiva mas sempre potente, com binário desde a rotação mínimo até à máxima. No entanto, sem o mínimo solavanco. 

Sempre lato nas sensações que produz, vasto na persistência e muito, muito, muito equilibrado. Se atentarmos no pormenor de ter 9 anos... calibra-nos o nosso imaginário de longevidade nos vinhos. É impressionante.
Fruta vermelha densa, muita frescura balsâmica, especiado qb e os 16 meses de barrica que estagia... nem se dão por eles, tão plena que é a integração no vinho da barrica (75% barrica nova e 25% usada)
Na minha opinião ainda está a "arrefecer"... a "apurar"... vai seguramente melhorar muito nos próximos anos.
É talvez dos melhores Barca Velha que já bebi... Mas felizmente ainda não bebi muitos. Sou novo... Mal seria. 

Este lote segundo a informação que investiguei na ficha técnica é composta por 40% de Touriga Nacional, 30% Touriga Franca, 20% Tinta Roriz e 10% Tinto Cão. Escolhidas as melhores uvas de diferentes altitudes do Douro Superior, cachos colhidos à mão e desengace total. Vinificado na sofisticada adega da Quinta da Leda, seguiu todo o preceito como se pode imaginar de cuidado loteamento, provas obsessivas na busca dos melhores equilíbrios antes de engarrafadass, até que segue em descanso para lançamento no mercado onde é possível compreender o porquê de se provar colheitas sempre com mais de 7-8 anos, mas que resultam em tanta harmonia.As que não se aproximam da perfeição... ficam Reserva Especial! Que também não é nada, nada mau.

Acabei bem o difícil ano de 2013. Entro em 2014 a escrever para que seja bom prenúncio.

Provador: Mr. Wolf









sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Domaine Chamfort 2008


Característica diferenciadora: Terra.


Preço: 9€

Onde: e-stores

Nota pessoal: 16,5

Comentário:  Limpo na cor, grenada mate. 
Aromas imediatos de fruta podre. Alguma erva húmida, estilo mata quando chove e com muita madeira e caruma molhada. 
Aromas de clara de ovo ligeiramente desagradáveis... mas passado algum tempo melhora e fica com aromas mais quentes. Cacau e bosque. A precisar de cave. Bom no entanto pela diferença, mas necessita cave. 

Provador: Mr. Wolf

Mouchão 2007


Característica diferenciadora: Mouchão.


Preço: 27€

Onde: Qualquer garrafeira que se preze.

Nota pessoal: 18.5

Comentário:  Provavelmente o Mouchão que provo com menos anos de garrafa... mas não me contive.
Escuro... Rubi muito escuro com brilho de sangue vivo. 
Aroma inconfundível e único. Que delicia. Vegetal e quente ao mesmo tempo... Que hino ao Alicante Bouschet. Especiado ao fundo... Extremamente sedutor.
Nervos para provar... nunca provei nenhum tão jovem... Estrondoso! Pujantissimo, muito corpo e volume imediato, a mostrar que está a fazer-se ainda. 
Está jovem, pulsante e já muito complexo. Fechadissimo. 
Taninos a guerrear com a suavidade que só o Mouchão consegue no Alentejo. Tanto, mas tanto para dizer... Muito verde ainda, fresco qb e com uma austeridade muito british. É um portento! Quem tiver possibilidades e gosto por conhecer e aprender o que é um grande vinho e essencialmente uma grande experiência sensorial, compre por favor Mouchão. E prove. 
Obrigatório guardar.

Provador: Mr. Wolf

Chateau de Viaud-Lalande 2010


Característica diferenciadora: Espessura e elegância


Preço: 13€

Onde: Comprei na Wine-Time (on-line)

Nota pessoal: 17

Comentário:  Há que ser honesto... pelo preço e pela proveniência, estava tão confiante neste vinho que quando fui à garrafeira buscar a garrafa para jantar - nessa noite ía ser a minha companhia - trouxe logo um Lybra do Monte D´Oiro também, não fosse correr mal e não me apetecia voltar à cave... tal era a expectativa.
Cor de mediana opacidade. Muito limpo, auréola quase rosada. Rosado escuro. Bonita a expressão cromática. Bom, vamos lá ver então o "nariz que diz".
Aromas marcados por componentes mais terrosas que florais. Muita terra molhada... Primeiras chuvas pós verão, ainda com amena temperatura. É a isso que cheira. Final aromático balsâmico, alguma mineralidade e essencialmente muito equilíbrio. Harmonioso nos aromas que emana. Bom.. parece que temos vinho para acompanhar os cogumelos Portobelo que preparei para acompanhar um Cordon Bleau que estava bem bom. 

Prova de boca coerente com o início do exercício... Gradual na sua imposição, exprime-se mais pela harmonia do que pela evidência. Interessante. Pede comida e tem mais "arcaboiço" do que a experiência sensorial aromática deixaria adivinhar.

Especiadíssimo, tem uma interpretação do Cabernet Sauvignon muito distinta, extraindo-lhe o melhor carácter picante possível, bem como notas frutadas, extraordinárias pela leveza e ao mesmo tempo pela acuidade que tem. 
Que excelente vinho. Vale muito pela persistência que tem, pela largura no paladar e sempre em equilíbrio. Tem força, mas também bastante descrição. Bom vinho a muito bom preço de mercado.

Gostei, comprei mais umas garrafas pois acho que vale muito a pena pois é um bom exemplo, pelo preço acessivel, do blend de Bordéus.

Provador: Mr. Wolf

Domaine Guigal Côte-Rôtie Brune et Blonde 2001


Característica diferenciadora: Elegância e mineralidade.

Preço: 45€

Onde: On-line- Experimentar procurar no wine searcher

Nota pessoal: 18


Comentário:  Gosto dos vinhos do Rhône. É verdade. Constato isso pois sempre que bebo, apesar de não serem estonteantes para os sentidos no primeiro impacto, sabem sempre de forma estonteantemente bem... Este é um achado de E.Guigal.
96% de Syrah e 4% de Voignier. Dois solos diferentes... Brune, com solo rico em óxidos de ferro e Blonde... silico-calcário... e depois o mais curioso... produções normalmente superiores a 200.000 garrafas... enfim.
Esta de 2001 foi adquirida em leilão... pelo que desconheço a proveniência apesar da garrafa parecer impecável.
E o vinho? Cor rosada, translúcida com laivos rubi.
Aromas muito frutados,onde o que impressiona é a clarividência com que identificamos morango, ao mesmo tempo que apresenta também notas muito terrosas.
Boca perfeita, iluminada por equilibrio, fruta, e muita mineralidade. Enche sem pesar absolutamente nada. Parece sumo... no melhor dos sentidos.
Ao longo da prova apresenta casca de laranja, muito carácter mineral, sabe mesmo a "pedra"... isto para quem, como eu, quando era puto e andava à pedrada com os outros miúdos, havia sempre um ritual, não sei se por superstição ou não, tocavamos com a ponta da língua nos projécteis para calibrar a pontaria... mas o certo é que ainda sei que um resto de tijolo, sabe completamente diferente dum calhau da calçada... felizmente, em adulto, o que mais se aproxima são de facto algumas sensações em vinho como esta. Bom, pedradas à parte, o vinho é muito, muito bom. Prima pela intensidade de fruta e pela elegância.

Provador: Mr. Wolf


Luis Pato Vinha Pan 2000


Característica diferenciadora: Luis Pato + Baga + 2000.

Preço: 25€

Onde: Não sei... garrafeiras muito boas, ou leilões.

Nota pessoal: 18


Comentário:  Vinha Pan é o nome querido para identificar a vinha da Panasqueira. 8500 videiras de Baga, plantadas nos anos 80, solos argilo-calcários em encosta virada a sul. Luis Pato... compreende-se por esta apresentação inicial que provar uma garrafa destas, é além da apreciação intrínseca do vinho, beber e ver a escrever uma página de história do vinho da Bairrada da era contemporânea. Mesmo que o vinho não fosse bom, valia pela experiência empírica. Pois meus amigos e amigas... não é o caso. O vinho é muito bom.

Fino na cor, rubi grenado, muito limpo e translúcido.
Aromas imediatos de pinheiro, caruma, resina. Eucalipto. Muito mentolado. Baga no seu esplendor, quando se apruma e se torna elegante.
Como explicado anteriormente, cerca de 20 anos após a plantação na vinha da Panasqueira, em solos argilo calcários, virada a Sul, engarrafou-se este vinha Pan...Mais de 12 anos após o engarrafamento, prova-se. Ainda só com o nariz e olhos... De destacar a imaculada e belíssima rolha, a respirar saúde.
Bom, há que tocar-lhe com a língua!

Limpo de sabores, taninos "sonsos"... Não se dão por eles inicialmente, mas estão lá e pregam grandes partidas, acutilantes e alicerçados em excelentes camadas de sensações primárias mais terrosas e vegetais. Barro húmido e eucalipto.
Após uns 20 minutos no copo, despe-se de preconceitos e mostra-se a Baga como ela é.
Muito músculo e adstringência, mas também muita profundidade e frescura. Devia mesmo haver pastas de dentes com toques de baga. Comparado com hortelã, a frescura da Baga faz em 5 segundos na boca o que a hortelã não faz em 5 minutos de infusão. Deixa tudo limpo e arejado, fresco e neutralizado. Diria mais... Purificado.

Devia-se beber baga 100% pelo menos uma vez por semana. Eu tento.

Agora é esperar que venha a fruta. Demora, mantém-se a frescura vegetal, os aromas de lenha seca.
Não tem fruta... A não ser castanha, no máximo. 1 hora depois de aberto e no copo é impressionante a acidez do vinho. 
Sensação de pedra molhada, limpo e crescente. Aromas muito carnudos agora. Gordura. Uau! Que transformação. Mas sempre impecável na estrutura, tenacidade e "goma". Sim, "goma". Vincado, erguido.

É comprar, ter paciência para ajustar a temperatura ao tempo que se deve decantar para que quando se serve esteja no máximo no início a 16º (não esquecer que numa sala em casa, normalmente a temperatura social é de cerca de 22º-24º... dificilmente menos de 20º) pois no copo, em alguns minutos sobe para 18º-20º. Aqui convém bebe-lo e pedir mais do "fresco"!

É de "levar à igreja" este vinho!

Mais uma vez... Luis Pato não falha. Magnífico.

Provador: Mr. Wolf

domingo, 8 de dezembro de 2013

Château La Grande Clotte 2009


Característica diferenciadora: Um amostra bordalesa.

Preço: 15€

Onde: E-stores (wine searcher por exemplo)

Nota pessoal: 16.5

Comentário:  Bordéus, mais propriamente Lussac. Solos argilo-calcários com 80% de Merlot e 20% de Cabernet Franc. Algumas vinhas com mais de 60 anos. Michel Rolland com responsabilidade na enologia... bom, vale pela curiosidade. Na maioria destas "experiências" que faço de comprar às cegas, acabam esquecidas nas minhas memórias, pois felizmente dou-me ao luxo de escrever aqui só sobre os vinhos que gosto. Quando não gosto, não me dedico a investir tempo numa acção "negativa", muito menos a opinar sobre a qualidade do trabalho de outras pessoas. Este tive receio ser um desses casos. Foi quase.

Aroma muito fino e especiado com aromas mais expressivos de pimento. Aberto na cor, mediana concentração. 
Boca cheia apesar do registo de elegância, especiado e pimento na entrada... mantendo-se fino e elegante no fim. 
Balsâmico, algum aniz no aroma e retronasal mas muito equilibrado. 
Aromaticamente muito interessante, com fruta estilo ameixa branca, quase cítrico e com fruto seco ao mesmo tempo. Não é um vinhão de encher as medidas... em nada. Mas é um bom vinho pelo registo e equilibrio. 
Aquém no entanto das expectativas em termos de volume de boca, acidez e final...vale pela disponibilidade nas lojas do aeroporto a um preço comedido. Só por isso. 

Provador: Mr. Wolf

Poeira 2008


Característica diferenciadora: Elixir de elegância e fruta.


Preço: 35€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 18.5

Comentário:  Poeira dispensa apresentações... o que não significa que se abra sem a devida preparação ou conveniente briefting... neste fórum, é um velho conhecido e sabemos bem o que abrimos quando pegamos numa garrafa de Poeira!
Escorreito e muito virtuoso no rubi com que se apresenta... há que compreender que são quase 5 anos em garrafa. Parece acabadinho de engarrafar.
Aromas sérios, masculino sem vincar muito nas expressões de fruta, o que é bom, mas mais minerais, quase com aparas de lápis... num registo sempre distinto e discreto.
É sem dúvida o perfil de vinho que mais prazer me dá. Não se evidencia logo, insinua-se e nunca "pesa" em nada. Precisa é de cave. 
Este de 2008 está a começar a ficar em forma para a mesa!
Prova de boca excelente. Está um verdadeiro hino à elegância. Fresquissimo, foi o rei da noite. Numa noite em que nem se procuravam comparações... pela disparidade de estilos à mesa, onde provámos um super Toscano, ou pelo conhecimento que já temos destes vinhos que abrimos... mas foi sem dúvida a garrafa que mais rápido acabou quando todas estavam abertas e a que melhor mais considerações de admiração recolheu dos convivas.
Depois de respirar está repleto de fruta encarnada, muita amora, e como é apanágio, acidez no ponto conferindo-lhe extraordinária elegância. Mineralidade a evitar que a fruta seja o actor principal.
É realmente "sumo", no melhor dos sentidos. Vivíssimo, equilibrado, intenso, muito homogéneo e com final muito longo. Memória de fruta muito delicada, encarnada e boa e extrema facilidade em beber. 
Maravilhoso.

Provador: Mr. Wolf


Quinta do Vale Meão 2008


Característica diferenciadora: Equilibrio e envolvência.


Preço: 55€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 18.5


Comentário:  Quinta do Vale Meão é naturalmente sinal de qualidade e uma das bandeiras do vinho do Douro e de Portugal além fronteiras. É com satisfação que conseguimos ver a consistência das apreciações que a Wine Spectator atribui a este vinho Português, sabendo no entanto dar o devido valor a isso. Ou seja, é bom pelo reconhecimento além fronteiras, pela adequação ao perfil que o consumo da especialidade mundial aprecia e pelo retorno financeiro e de construção de marca - também da marca "Douro"- que significa.
Por isto tudo, são importantes os "galardões" das revistas internacionais. De resto, para nosso barómetro, não. Não precisamos ler a WS para quando pomos o nariz num copo de Vale Meão compreendamos logo que o vinho é extraordinário!
Passando então à prova deste de 2008!

Nariz com barrica expressiva de muita qualidade. É incontornável referir que de facto a barrica em que este vinho estagia acrescenta muito vigor aromático, sem se sobrepor no entanto ao vinho na prova de boca. Não é fácil.
Vinoso, marcado ligeiramente ainda pela barrica, emergem de seguida notas florais e cedro. O nariz é muito bom, muito expressivo e vincado. Não é propriamente "elegante" no nariz... mas como é bom, admite-se.
Boca muito elegante, muito fino e polido. Marcado por Touriga nacional, muito bem no entanto na boca. Eu não aprecio muito a expressão tradicional da Touriga Nacional... são mais as vezes que me enjoam do que as que me fazem desejar! No entanto, neste caso está no limite superior do tolerável e do floral.
Na minha opinião, dos melhores anos de Vale Meão.
Extremamente elegante, fruta estilo cereja sem estar muito madura, nada cansativo e ainda a crescer garrafa. Acidez presente e taninos moderados.
Final longo. Notas finais persistentes ainda "amendoadas"... mas faz parte do estilo Douro Superior, onde o Vale Meão é sem margem de dúvidas o melhor exemplar que podemos mostrar desse património tão importante para nós.

Excelente.

Provador: Mr. Wolf


Pape 2007


Característica diferenciadora: Elegância.


Preço: 25€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 17

Comentário:  Pape é sempre Pape... PA de Passarela e PE de Pellada... para mim é o vinho mais consistente e equilibrado que Álvaro de Castro engarrafa ano após ano.
Segundo consta, este de 2007 provém de predominância - senão totalidade - de vinhas velhas de Touriga Nacional.
Cor rubi, translúcida e de mediana concentração.
Muito fino, estranhamente elegante para o que o Pape nos habituou. Recorte de barrica evidente, aromas e sensações mais "verdes", que tornam a prova ligeiramente curta, apesar do vigor inicial.
Vale sem dúvida pela elegância, num exercício de perfil do Dão, diferente dos Pape mais antigos. Guardar, pois apesar de não estar numa altura excepcional para provar, parece-nos que com o tempo vai melhorar e ganhar muito mais garra. A Touriga Nacional tem "muito disto"... é temperamental em cave.

Provador: Mr. Wolf

Giorgio Primo La Massa 2007


Característica diferenciadora: Um "super Toscano" galardoado com 97 pontos na Wine Spectator por si parece-me que chega... mas tem muito mais!

Preço: 70€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 18.5

Comentário:  Ora aqui está uma estreia nossa, tardia, num Super Toscano!
Começamos bem... vinho do momento em Itália no ano de 2009, consagrado pela pontuação distintiva da conhecida revista Wine Spectator... resolvemos abrir e provar depois da "poeira assentar", como se costuma dizer.
E é aqui que chegamos... e 2013 onde resolvemos provar no nosso encontro anual em Penacova, focados em vinhos essencialmente com 5 ou mais anos.

Nariz peculiar a assegurar continuidade à cor e espessura do vinho. Muito escuro ainda, sem grande vivacidade no rubi, mas destacado na viscosidade com que se agarra ao vidro do copo... quase que caramelizado na opacidade. 
Bomba aromática cheia de ervas secas, azeitona e uns fantásticos toques de rosmaninho. Impressionante o nariz. Impressiona pela diversidade e contraste. Pela intensidade de aromas mais terrosos e ao mesmo tempo frescura de erva aromática. Muito giro.

Boca assombrosa! Pujança, cremosidade e equilíbrio.

Falsa acidez escondida, taninos vigorosos mas envoltos em veludo. Muito, muito polidos e ao mesmo tempo vigorosos. 
Muito diferente do que se produz em Portugal. O que é bom, para os dois países.
Muito potente. Volumoso e opulento. Cala-nos pela "diplomacia" com que nos agarra.
Muito encorpado mas extremamente elegante. É na dinâmica de volume e profundidade com delicadeza e acetinado que o vinho sobressai.
Memorável e muito, muito bom.
Blend com Merlot, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot, está para durar.

Provador: Mr. Wolf

Collares Viúva Gomes Reserva Tinto 1965

Característica diferenciadora: 48 anos depois da vindima.

Preço: Indiferente.

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 18.5



Comentário:  Este é sem dúvida o comentário a um vinho cujo cuidado fotográfico procura fazer justiça ao respeito e admiração que tenho por estes vinhos. 

Verdadeiros vinhos de culto. 

Estonteante a longevidade, classe e pujança dum produto perecível que após 48 anos continua com um fulgor e qualidade absolutamente impressionantes. 
Pode ser verdade que a região de Collares foi prejudicada pela falta de consistência na qualidade dos vinhos. Tudo bem. Mas os anos que são bons, não são somente excepcionais. São míticos e calibram de novo a percepção sobre o que é a longevidade dum vinho.

Detalhe do contra rótulo
Detalhe de "Collares" como terroir e região
Este, após eu ter provado o de 1967 que estava majestoso, carregava aos ombros a responsabilidade de validar ou fragilizar a minha opinião sobre estes vinhos. Pode ter sido uma garrafa fantástica (a de 67) que num dia em que eu estaria propenso a provar e de gastronomia apropriada me soube extraordinariamente bem... ou o cair dum sonho e afinal não era nada disso... e remetia-nos para um vinho apreciável pela idade, mas nada mais do que isso. 
Mas não. Comprovou e carimbou com relevos de ouro a supremacia do carácter agreste, rude e vincado destes vinhos. Para serem apreciados por quem os queria apreciar. Não devem ser comparados a nada em Portugal. Nem impostos a nenhum enófilo da actualidade. Se não gostar, é indiferente. Arrolha-se e bebemos depois sozinhos.
Detalhe das letras em relevo dourado

O vinho apresenta-se com uma rolha de qualidade superior, retirada sem grande sacrificio apesar de cuidada posição do saca-rolhas e ligeiramente húmida.
Aromas de azeite imediatos. Torrados e tostados juntam-se à festa. Antes da expressão cromática, o potencial aromático é impressionante. 
Na realidade a década de 60 em Collares foi marcante. Nota-se ainda quase meia década depois em garrafa. Inigualável, penso eu. Mas conheço muito pouco ainda.
Viscoso a cair no copo, cor de café escuro de opacidade relevante, é na prova de boca que percebemos exactamente o que estamos a falar. Densidade que se aproxima dum Jerez, mas de expectativa... na realidade é extremamente liquido e nada pesado. 
11% e 0,65L- Curiosidades
É uma partida dos sentidos, que atentando à cor nos precipita para uma ideia de licoroso. Não. Nada disso! 
Vincado na acidez, duro e mineral ainda com muito sabor a ferro inicial, adequado para afastar os mais "inexperientes", é quando se foca nos conteúdos mais terrosos, coloniais ao melhor estilo de café acabado de moer em grão, armazém de coisas antigas mas limpas, ligeiro soalho encerado. 
Brilhante vivacidade, frescura e acidez a contrabalançarem as características mais evoluídas e naturais do bouquet.

Tenaz como o aço, vivo como um riacho escorreito por entre caminhos de pedras e sulcos, estes vinhos são uma enciclopédia para qualquer enófilo... melhor que qualquer workshop que se faça... basta-nos uns bons copos largos o suficiente, paciência para o colocar à temperatura adequada - 14º-15º quando se abre - e paciência e abertura de espírito para provar este vinho ao longo duma refeição. 
Fale-se no fim, não quando se prova pela primeira vez. Temperatura e copos adequados é obrigatório.

Provador: Mr. Wolf

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Quinta do Côtto 1997


Característica diferenciadora: Quinta do Côtto de 97.


Preço: 19€ - foi o que paguei por cada garrafa num leilão de vinhos...mas normalmente custam à volta de 9€.

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 18

Comentário:  Garrafa mítica para mim... Era, a par com os Tapada do Chaves e o Vinha Grande mais 2 ou 3 um dos rótulos preferidos do início do século - e relativamente acessíveis...- e donde retirava muito prazer. Aprazivel em casa com amigos antes de ir sair à noite em soirées muito agradavéis, ou em restaurantes onde os preços eram relativamente acessíveis... Guardo memórias excelentes... incluindo olfactiva deste, bem como do Tapada do Chaves e Vinha Grande muito presente. Acho que isto é a idade. A minha, não a do vinho. 
Este de 1997 está no ponto!
Escuro, opaco e muitos aromas de cabedal, especiado e forte. Cheira a vinho, apesar dos aromas mais "animais"... cheira a adega.
Prova de boca a recordar-me porque gostava tanto, tanto deste vinho... Reza a história que me contaram numa adega que os quinta do Côtto mudaram o perfil pois um produtor perto da quinta passou a produzir os seus próprios vinhos e deixou de vender uva à Quinta do Côtto... Pois, não sei. Pode ser, pois são muito diferentes. Mas estes, até 1997 seguramente são extraordinários. 
Mas este está um clássico. Virtuoso nos aromas e prova de boca muito especiada e "carnuda", é no entanto no final que marca muito. E por ser longe de perfeito... pela rusticidade, mas ao mesmo tempo pela capacidade de deixar lastro vincado, mas que rapidamente se torna sedoso. Não se percebe muito bem, pois não? Mas é mesmo isso... é rustico, mas ao mesmo tempo tem glamour e classe.
Prova-se e prova-se e ficamos muito impressionados com a diferença de perfil face ao que bebemos hoje em dia... e não vai lá com cave.
Basta olhar para a cor do vinho e atentar nos 12 comedidos graus alcoólicos. Onde se vê isto agora? Não vê.

E sem expressões de barrica, sem amargos de abusos de Touriga nacional... Só vinho e do bom! 
Adorei. Resta-me outra.

Provador: Mr. Wolf


Oboé Superior 2010

Característica diferenciadora: Vivo

Preço: 15€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 17

Comentário:  Novo! Muito novo. Sanguíneo e cheio de cor, encarnado carregado muito brilhante.
Notas aromáticas evidentes de Touriga Nacional. Muito floral e vincadíssimo nos aromas.  Boca mais adequada ao meu perfil, com surpreendente equilibrio. 
Acetinado, final longo e equilibrado. Parece-me que vai melhorar em cave. É o que vou fazer à 2ª das garrafas que me ofereceram neste jantar muito giro! Bom vinho num excelente jantar.

Provador: Mr. Wolf

Pegos Claros 1994


Característica diferenciadora: Castelão!

Preço: 15€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 17.5

Comentário:  Vamos lá falar de vinhos portugueses a sério... Periquita, solos franco-arenosos. Carvalho Português por 12 meses... "a sério", não significa que os outros perfis sejam para brincar, nem tão pouco para graduar a qualidade... mas seriedade sim pela capacidade de envelhecer e manter características próprias do lugar onde nasceu, ter acidez e tenacidade para a mesa e organolepticamente estar ainda em excelente forma!
Aroma de Cabernet... Sim. Em prova cega é o que diria. Extremamente apimentado, de pimento encarnado fresco quando se parte, quase pimentão.  Acidez vincada. Entrada de boca muito marcada pelo lado vegetal do pimento, sem duvida. 
Vegetal, sem fruta. Tão bom. Tão específico. Tão imperfeito. Picante no aroma. Redondo na boca, pronto para ser bebido. Pede comidas ousadas, com carácter. Eu aconselho entrecosto no forno à italiana. Ou carne de porco à alentejana. Excelente prova! Adorei.

Provador: Mr. Wolf