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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Altano - Quinta do Ataíde Reserva 2008



Característica diferenciadora: A forma de trabalhar a Touriga Nacional (sem flores e sem doçura)

Preço: 9

Onde: Garrafeira Nacional, Continente e Jumbo

Comentário: Não sou um grande apreciador de monocastas de Touriga Nacional ou de vinhos onde a mesma se faça sentir de forma muito preponderante. Os vinhos parecem-me muito direccionais e difíceis de ligar com comida. O que quero mesmo dizer é que por vezes me parecem vinhos chatos! Ora, não foi nada o que aconteceu com este vinho, apesar de ser um 100% Touriga Nacional. Apresenta uma cor bastante escura, com notas evidentes de madeira e com muitos frutos pretos. É um vinho possante, estruturado, que enche a boca e com muito boa acidez, o que lhe permite portar-se muito bem á mesa. Tem um final de boca médio/ médio longo. Ganhará em complexidade com mais 1 a 2 anos de cave. É um excelente vinho e uma extraordinária relação qualidade/ preço. Acompanhou uns lombinhos de porco fritos.

Nota: Já provei vinhos bem mais caros dos Symington, de quintas bem mais emblemáticas, que não trocaria por este.

Provador: Bruno Miguel Jorge

domingo, 16 de dezembro de 2012

Poeira 2010


Característica diferenciadora: Ser Poeira

Preço: 30€

Onde: Garrafeiras especializadas e alguns supermercados

Nota pessoal: 17,5 (nota provisória)

Comentário: Ora bem... vamos lá tentar dar estrutura a esta nota de prova:



  1. Quem é adepto de futebol, se assistir ao seu clube favorito durante semanas consecutivas ganhar expressivamente aos seus adversários, não se cansa, pois não?
  2. Se tivermos 6 ou 7 anos de idade e nos largarem numa sala cheia de construções de Lego e com dunas de peças para brincarmos, não nos cansamos, pois não?
  3. Se gostarmos de voz de Ópera (não confundir com a Voz do Operário, por favor) e se de repente entrassemos numa sala, 50 anos atrás, em que a Callas estava in loco a mostrar o que é "soprano", não nos cansávamos, pois não?
É mais ou menos como eu encaro beber Poeira. Sim, beber. A provar dou aos meus amigos, porque eu bebo-o mesmo!

E este Poeira 2010 dá imenso gozo... mas não está fácil ainda...Groselha (na cor) muito escuro, o ataque ao copo com o nariz dá sensações muito químicas...verniz, cedro e algum mofo! Dá ideia de em 2010 a Touriga Nacional está mais expressiva...
Apesar de ser um vinho (o Poeira genericamente) que respira muita mais frescura do que fruta em fartura, este de 2010 anda a pisar os limites... ou seja, eu de fruta encontrei-lhe muito pouco! O que não é mau, entenda-se. Mas parece-me que o vinho está ainda "verde".
Tem muitas notas químicas, alguma humidade e cânfora, com muitas notas mentoladas. Não fosse a prova de boca e com os aromas facilmente nos confundiam para regiões com características mais vegetais.

Decantei-o e verifiquei a temperatura. 16º. Esperei 30 minutos. Estava igual! Bom... Há que respeitá-lo, dar tempo ao tempo e prová-lo, daqui a uns largos meses. No final do último copo, encontrei um resquício de fruta, tipo amoras silvestres. Mas muito ao longe...tudo num registo de elegância e muita persistência.

A provar daqui a uns tempos, quando se harmonizar mais. Ou então, a decantar umas 2 horas antes de beber.
  Provador: Mr. Wolf 

Casa da Carvalha 2009

Característica diferenciadora: Fruta delicada e equilíbrio geral

Preço: 4,99€

Onde: El Corte Inglés

Nota pessoal: 16,5
Comentário: Na senda de "regresso ao Dão" nas minhas escolhas para a mesa, surge o Casa da Carvalha 2009.
Enologia a cargo de Rui Reguinga... apesar de desconhecido o rótulo!
Cor rubi escura e viva. Densidade média, sem opacidade.
Nariz balsâmico muito interessante e fruta confitada em segundo plano. Frutos encarnados, sem exagero. Desperta curiosidade.
Na boca é excelente! Muito acetinado, com acidez e tanino presente mas muito bem integrado no conjunto. O vinho é bastante gastronómico. Não tem excessos de extracção, nem de fruta, tão pouco de madeira. Mas sabe sim, a vinho e do bom. Não tem medo de comidas com sabor mais vincado, como cabrito, cordeiro e afins, mas parece-me um excelente acompanhante para quem gosta de carnes vermelhas, só com sal e mal passadas... ou Rosbife à Inglesa. Na minha opinião, é o que este vinho pede, mas parece-me ter muita polivalência gastronómica.

É vinho para comprar, provar e guardar a avaliar como evolui. A perspectiva é boa, na minha opinião. Muito boa relação preço/qualidade. Escolha muito segura e excelente novidade no panorama nacional. Está fora de modas e espero que assim continue.E esclareça-se, embora custe menos alguns Euros que muitos dos rótulos que encontramos no mercado, parece-me de valor muito superior ao que os Euros supoem. É a minha opinião.

Provador: Mr. Wolf 

La Bernardine Châteauneuf-Du-Pape 2005

Característica diferenciadora: Equilíbrio e densidade

Preço: ~ 40€

Onde: Garrafeiras especializadas
Nota pessoal: 18
Comentário: Bom... e cá estamos outra vez a provar "coisas estrangeiras"... com tanto vinho bom que se faz por cá, como se ouve amiúde... e temos muito orgulho nisso. É olhando para fora de Portugal, que melhoramos a capacidade de apreciar o que temos e/ou ambicionar o que podemos ter, ou não, consoante os terroir permitam ou não. E este é mais um caso desses. Por onde começar? Pelo porquê da escolha desta garrafa... há muito que cobiço este produtor. Admiro a parceria que tem com José Bento dos Santos em Portugal, e é sinal de qualidade segura ser parceiro de José Bento dos Santos... parece óbvio. Porque é Châteauneuf-du-Pape... ou seja não é um cliché de madeira e fruta redonda... ou tostada...

No ataque à garrafa, a rolha é exemplar. Impecável na sua função de vedar, apresenta qualidade que dá vontade de reciclar e devolver ao produtor.

No copo... cor escura, sem ser muito brilhante. Notas violetas. Denso qb, mas ligeiro a acompanhar o movimento do copo. É logo no nariz que se evidencia que não é "fruta do nosso quintal"... "este vinho não é Português..." - manifestou-se logo um dos provadores. E não era.

Elegância é a nota dominante. Se fosse um carro, seria daqueles que enfrenta qualquer subida, descida, curva, recta ou registo de aderência com a mesma determinação e sensação de segurança, passando essas características para um plano de pormenor face ao protagonismo da qualidade. É um vinho de qualidade inquestionável.

Elaborado com Grenache (maioria), Syrah e Mourvédre, é na "fineza" da entrada de boca se se compreende o que é provar este vinho. Muita delicadeza, mas intenso ao mesmo tempo. Equilíbrio nas sensações, alternando especiarias picantes, com notas de fruta sem estar muito madura, estilo ameixas pretas. Mas não é na fruta que o fascínio se sustenta... é no balancear suave e delicioso das sensações... sem ser doce, adoça. Sem ter taninos espigados, percebe-se que estão lá. Ser manifestar acidez, é fresco... parece que quando a prova fica muito doce, lá vem um "bombeiro" de sabores providenciar umas notas mais coloniais, de café torrado em grão, ou ligeiríssimo cacau. Quando se renova no copo, lá vem outra vez uma fugaz sensação de "verdura", imediatamente transformada no frutado enunciado anteriormente.
Pimenta branca.

Muito, muito bom!
Provador: Mr. Wolf 

Xisto 2005

Característica diferenciadora: Crescimento em cave

Preço: 25€

Onde: Garrafeiras especializadas
Nota pessoal: 17 
Comentário: Vinho inovador no estilo em Portugal... surge numa década de muita força e afirmação da marca do Douro. Passados 7 anos, mantém os seus "genes" imaculados. Escuro e opaco, sangue de boi. Brilhante qb. Aromas presentes de madeira austera, mas sem incomodar. Fruta com muitas notas de cereja. Especiaria.
As notas de madeira acompanham a prova toda. Apesar da predominância de Touriga Nacional no lote (cerca de 60%), não está predominante na prova, surgindo notas picantes que dão muita profundidade à prova, persistência e frescura. Está em excelente forma, com muita estrutura ainda e sem medo nenhum de mais anos de cave. Excelente Douro.

Provador: Mr. Wolf 

Duque de Viseu 2001

Característica diferenciadora: Crescimento em cave

Preço: 5€

Onde: Distribuição
Nota pessoal: 16  (conservadora a nota em virtude da década que já leva de cave...)

Comentário: Foi com bastante resistência que abri a última da caixa de 6 que adquiri há muitos anos... ainda a tentar recriar o mito da garrafa de Duque de Viseu de 1996 que uma vez provei em casa de amigos e que surpreendeu todos os convivas face à qualidade e frescura apresentada... devo dizer que deve ter sido desse ano... no entanto, esta garrafa vincou o carácter de crescimento em cave que o terroir do Dão confere aos vinhos.

Cor adequada. Rubi, com ligeiros laivos castanhos. Aromas de caruma de pinheiro.Muita elegância. Fumo ligeiro. Fruta muito, muito, escondida. Na prova de boca constata-se que os taninos estão perfeitos com acidez no ponto. Bolo inglês. Há medida que respira no copo, manifesta-se untuoso e mantém  muita, muita frescura, nada chateia.
Quando se renova o copo, as nota de eucalipto surgem outra vez em primeiro plano. De renovação em renovação, este é daqueles vinhos cujas garrafas parecem mais pequenas.
Tinto clássico português, sem medo nenhum de cave. Delicioso. Vinho à Francesa, fora de modas e com personalidade bem vincada. Não faz favores a ninguém e não se veste nem de madeira, nem de excessos de fruta doce e madura. E ainda bem.
Pela prova que este deu, 11 anos após a safra, vou comprar mais 2 ou 3 caixas do actual, e feliz aguardar mais uma década para as provar.


Provador: Mr. Wolf

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Beyra Quartz e Superior Brancos 2011



Característica diferenciadora: Mineralidade e acidez

Preço: 5€ (Quartz), 10€ (Superior)

Onde: Continente (Quartz), e Garrafeira Nacional (toda a gama)

Comentário: Tenho uma relação curiosa com os vinhos do Rui Madeira. Mantenho uma relação apaixonada com 5 dos seus vinhos (Quartz, Superior, Pedra Escrita, Castelo D´Alba VV tinto e branco) e depois tenho outros, dos quais destaco o Atalaya, que não são nada a minha praia.

Este novo projecto Beyra é para mim a grande novidade vitivinícola do ano! Dos três vinhos brancos no mercado (não conheço os tintos), dois deles, o Quartz e o Superior, são do melhor que se faz em Portugal em vinhos brancos. Vinhos de uma região mal amada pelos consumidores e pouco conhecida. Os Beyra mostram a grande potencialidade das vinhas em altitude e dos solos graníticos e xistosos, fornecendo-lhes uma grande acidez e mineralidade.

O Quartz é um vinho que pede mesa. É um vinho fora de modas. Sem artificialismo ou pozinhos mágicos. Nota-se que é um vinho onde se teve o cuidado de deixar expressar o terroir e as uvas. Sem mais! Não é um vinho para beber como aperitivo ou de forma descontraída. É um vinho gastronómico, incisivo e sério e que brilhará com pratos com substância: filetes de peixe-espada com arroz de tomate e pimentos, massadas de cherne, caldeiradas, queijos curados, peixes fritos, ensopado de enguias. Por 5 bebe-se um grande vinho.

O Superior é tudo isto que se disse do Quartz, com uma componente floral que o torna mais acessível e com uma madeira ligeira que o torna muito arrumadinho e certinho. Corpo generoso. Não é tão selvagem como o Quartz, apontando mais para um perfil elegante. Tem uma prova mais fácil que o Quartz.

São vinhos com boa longevidade e que têm tudo para continuar a evoluir favoravelmente em cave.

Provador: Bruno Miguel Jorge

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Vértice Millésime 2008



Característica diferenciadora: Harmonia do conjunto

Preço: 12.5

Onde: Garrafeira do Encontro Vinhos e Sabores (Revista de Vinhos)

Comentário: Os espumantes, tal como os brancos, têm vindo a ganhar um espaço cada vez maior na minha garrafeira e nas minhas preferências quando chega a altura de escolher o que beber. E as razões são simples: este tipo de vinho tem tido um acréscimo de qualidade muito significativa e os preços são muito apetecíveis.

Este Vértice Millésime é um excelente exemplo de um vinho de grande qualidade com um preço extremamente atraente. É um espumante para ser bebido à mesa, com comida e com quem o saiba apreciar. Vem na senda da boa colheita de 2007, apresentando-se com uma notas de maçã ácida e citrinos, bolha fina e uma estrutura muito séria. Termina longo. Uma sugestão clássica para harmonização: lombo de porco preto, com migas de grelos, farinheira e feijão-frade.

Provador: Bruno Miguel Jorge