Translate

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Stanley (2009)


Característica diferenciadora: Tudo é diferente neste vinho. Pinot?

Preço: 8€


Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: Não sei.


Comentário: Começar por onde? Não faço ideia... talvez pelo exercício à Tarantino de prova deste vinho... aberto Sábado à noite. Não gostei. Deixei (literalmente aberta  a garrafa) para o dia seguinte... provado com mais 3 pessoas... polémico. Uns adoram, outros ficam apáticos. Eu sou dos apáticos. Sem expressão. Esquecido (aberto) mais 2 dias... eis que chega a 4ª feira. E o vinho é bom. 4 dias aberto e mantém-se inalterável, rijo e "engomado", não há dúvidas da sua estrutura.

Então, comecemos por partes:

Adquirido na Garrafeira S.João em Benfica... em jeito de nota, foi a primeira vez que visitei esta garrafeira. Não prima pelo profissionalismo... mas tem rótulos interessantes e a preços adequados qb.

O vinho... curiosidade... ano não apresenta, nem região. 

Ataque de copo com cor de ginja pálido... perfil Pinot Noir.
Aromas... musgo, humidade, fruta pisada? Não! Nada disso. Mineral... álcool, ligeiro floral e muito, muito mineral... estranhíssimo. Podia ter notas de Touriga Nacional. No aroma. Mas o mineral da prova é blindado.

Ao longo dos dias a prova foi efectuada com atenção. O perfil é de muita personalidade e carácter... quer se goste ou não. Cor inalterável e aromas iguais! Sim... persistentes ao longo dos dias. Vinho que dá muita luta.

Aromas florais e de pedra molhada. Nada de fruta. Nada de madeira... eu pelo menos não encontro.
Boca... bom, a boca é fantástica. Estranho, mas não se fica indiferente à delicadeza e untuosidade do vinho. Muito calcário e secura qb. Nada de doçuras ou tostados... a cor muito ligeira e pálida, não avisa para a garra que tem na boca... mas é estranho. Precisa de comida.

E foi com comida adequada que se ergueu para um pódio muito especial este vinho... acompanhou um excelente Ratatui com peitos de frango grelhado, salpicados com chillis  de Moçambique onde este vinho mostrou toda a sua capacidade. Armadura de titânio para qualquer sabor, especiaria, condimento. Impenetravél na persistência e sempre, sempre como se acabasse de ser "engomado". Impressionante.

Não sei se adorei ou estranhei. Mas reconheço-lhe carácter e qualidade. A suficiente para comprar mais 3 garrafas para prova posterior... tipo daqui a 10 anos.

Vale todos os cêntimos pela diferença. Acredito que possa valer mais pela qualidade intrínseca. Mas tenho pouca experiência para o reconhecer. Vou dar-me tempo.

Provador: Mr. Wolf 




78/83 Dão e Douro


Setentas e Oitentas
Quando? Janeiro de 2013

Porquê? 

  • Porque ter memória do passado ajuda-nos a compreender melhor o presente e ajuizar sobre o futuro.
  • Porque é necessário provar vinhos adultos para "lavar a boca" dos sabores primários e evidentes do que existe hoje em dia.
  • Porque provar vinhos adultos e musculados, como estes eram, em forma, ajuda a identificar os verdadeiro aromas que as uvas dão. E por falar em Dão... 3 garrafas do Dão (78,80 e 83) e uma do Douro (83).Muito bom.


Como é que foi? 

...de 0 a 20? Muito bom... Não há escala que me apeteça encaixar a prova.

Falta uma das fotos das garrafas... um Cova dos Frades 83 do Dão.

Mas impressionou. Deu conversa sobre vinhos. Gerou silêncios. E soube muito bem, pois felizmente estavam os 4 impecáveis.

Abertura delicada das rolhas... todas elas com mais de 30 anos a cumprir a sua função.
Os vinhos, felizmente, todos impecáveis à vista.
Limpos, brilhantes ainda e rubi no caso do Grantom (83).
Aromas evidentes de evolução, embora por exemplo no Grantom era evidente ainda fruta encarnada e cor rubi muito acentuada.

No Cova dos Frades (83), os aromas iniciais eram claramente de café e algum cansaço. Após arejamento, ganhou muita finesse e acidez ainda para agarrar de forma impressionante o palato.

O Passarela... que dizer destas garrafas? Impressionante. 33 anos...cor impecável.
Acidez impressionante.
Espessura ainda e equilibrio.
Parco na fruta inicial, muitos aromas terciários, ligeira azeitona e muita, muita acidez. Fantástica forma.






Grão Vasco... Garrafeira 78. Doce. Citrico. Doce... arejado.
Cor atijolada, comparado com os outros. Doce... é a única chatice.... mas ainda com persistência e corpo.

Elegância com fartura.





O Grantom... o verdadeiro. O mítico Grantom 83. 30 anos depois, mantém fruta encarnada. Taninos vibrantes ainda e cor rubi ténue. Impressionante pela frescura, pela limpeza e pelos aromas. Bouquet impressionante.

Conde Vimioso Reserva 2008



Característica diferenciadora: Mineralidade e elegante

Preço: 18€


Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 17,5


Comentário: Vinho em prova cega em conjunto com Marquês de Borba Reserva 2008 e Leo D´Honor 2008.

Notas de barrica boa e aromas "verdes". Fresco. Nariz mais vegetal do que frutado.
Na prova de boca está muito bem. Notas de madeira "verde", estilo cedro, mas muito fresco e equilibrado. Aromas de Cabernet Sauvignon explícitas e prova de boca excelente. Apesar do tema da prova cega ser 2008, este vinho "atira-nos" para a sensação de ser muito mais novo do que os restantes. E os restantes não pareciam de todo evoluídos em demasia!

Comparações à parte e de volta ao vinho... duro de certa forma, mas elegante, sempre num registo mais vegetal e mineral do que frutado. Elegância qb e certeza de vinho para muitos anos.
Constante na prova ao longo das várias "rondas" no copo, mostrou muita personalidade e qualidade. Foi o vinho que gostei mais na prova!

Provador: Mr. Wolf 


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Quinta das Bágeiras Pai Abel Branco 2010



Característica diferenciadora: Acidez bem marcada

Preço: 18 €

Onde: Garrafeiras especializadas

Comentário: Se não estou enganado, foi em 2009 que o Mário Sérgio arrancou com este projecto de fazer um vinho com estágio em barrica usada e não em velhos tonéis, como é usual nos seus Garrafeiras brancos e tintos. Além disso, em vez das velhas vinhas usadas nos brancos de topo da casa, este Pai Abel, é feito de uma vinha mais nova, apesar de manter, salvo erro,  as mesmas castas tradicionais.

Bem, e o vinho … o vinho é muito bom e muito novo! Cheio de mineralidade, muito fresco e com uma madeira muito distante e super elegante. É claramente um vinho para guardar ou para pratos que peçam vinhos com estrutura e muita acidez. Foi exactamente o que aconteceu com a ligação que fizemos com um belíssimo Bacalhau à Minhota … perfeito! Ficamos com uma boca limpa e fresca mas com os sabores do prato claramente casados com o vinho. Depois foi a vez de o “chegar” a um Serra da Estrela “daqueles de verdade”, da Queijaria dos Lobos, e deu-se outro encontro extraordinário, com a untuosidade do vinho a ligar-se ao queijo de forma exemplar.

Acabámos com um Whisky The Antiquary 1977. Não sei porquê mas não me sai da cabeça a música "Paradise" dos Coldplay :)


Provador: Bruno Miguel Jorge

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Pequenos Rebentos Alvarinho 2010



Característica diferenciadora: Delicadeza

Preço: 12€


Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 17

Comentário: Delicadeza pura. 
Cor amarelo oiro, muito, muito limpo. Brilhante.
Tropical qb e com acidez muito bem integrada. Bebe-se, bebe-se e bebe-se sem cansar. Nota-se que é alvarinho perfeitamente, e tem um equilibrio muito bom entre a acidez/intensidade/fruta. Não é extraordinariamente intenso na boca, mas é persistente. Não tem notas muito vincadas de fruta, mas o palato fica frutado quando bebemos. E tem a capacidade de secar o suficiente para não se tornar enjoativo. Tem um citrico muito ligeiro, mas que equilibra o conjunto.
À medida que respira, cresce em volume e secura. Algum nariz de palha, mas sempre num registo muito bom. A provar de novo!

Muito bom. Pena é ser difícil de encontrar. E já só me restarem 3 na garrafeira.

Provador: Mr. Wolf 

Dão Álvaro Castro 2009



Característica diferenciadora: Álvaro Castro

Preço: 6€


Onde: Distribuição em geral. Esta comprei no Jumbo

Nota pessoal: 15,5

Comentário: Sempre sinal de vinhos com personalidade, foi com curiosidade de ver como estaria este vinho num ano (2009) em que ainda não consegui provar nada do Dão que não gostasse, e na maior parte das vezes, muito!

Escuro e denso. 
Nariz típico de Dão ainda por fazer-se na garrafa. Notas florais e verdes. Afirmativo. 
Na boca é mais dócil do que os aromas anunciam... boa prova de boca, no entanto à procura ainda do seu equilíbrio. 
Obriga a pratos com confecção de forno, estilo cabrito. 
Beneficiará de cave, no entanto o estilo será sempre semelhante. Mas melhorará seguramente.

Provador: Mr. Wolf 

Serra Mãe Reserva 2009



Característica diferenciadora: Equilíbrio

Preço: 6€


Onde: Jumbo

Nota pessoal: 16,5

Comentário: Adoro Castelão! Guardo muitas memórias de excelentes Piriquitas  que provava há um bom par de anos... são vinhos muito próprios, menos expressivos aromaticamente que o mainstream, mas normalmente com longevidade e muito equilibrio. E é com esta motivação que adquiri algumas garrafas de Castelão para provar, das quais esta se destacou. 

A par no normal selo de "genuinidade" e qualidade que os vinhos da Sivipa transportam, o contra rótulo informa-nos que as vinhas de Castelão são velhas.... bom, ao copo! 
Cor rubi escura. Nariz com alguma groselha. Cerejas talvez. Boca muito boa. Falsa "elegância", que lhe dá muita graça. Cheio e volumoso, especiado e picante. Surgem notas de madeira, sem marcar em demasia.
Curiosamente, dá uma prova de boca que inicialmente sugere algumas sensações típicas de Syrah.
Excelente volume e acidez qb.

Gostei muito. Bom para guardar. Gosto do estilo.

Provador: Mr. Wolf 


Quinta do Portal Late Harvest 2007



Característica diferenciadora: Refrescante e intenso

Preço: 12 €

Onde: Continente

Comentário: A Quinta do Portal produz desde o ano de 2007 um vinho de colheita tardia feito a partir de Moscatel, Rabigato e Viosinho. Segundo informações do produtor o Moscatel é desidratado na videira e o Rabigato colhido com alguma podridão nobre. Na casta Viosinho, usada para conferir acidez, o método utilizado é o de secagem na palha.

O vinho apresenta uma bonita cor amarelo carregada. Sente-se o mel, citrinos (laranja), e algum fruto tropical. Elegante mas muito entroncado, fresco, untuoso e cheio de estrutura. A acidez, característica do ano de 2007, faz com que o vinho seja sempre um prazer e que apeteça sempre beber mais copo. Muito persistente! Final longuíssimo! Está num grande momento de prova!

Depois de uma refeição de forno, acompanhada de 3 grandes tintos, este vinho fez-nos maravilhas ao palato e deixou-nos o espírito ainda mais preenchido.

Dos três Late Harvest que a Quinta do Portal produziu este é sem sombra para dúvidas o melhor, não tendo comparação com nenhuma das colheitas subsequentes. Será que o ano de 2011 vai permitir um perfil similar a este? Vamos esperar que sim … e ansiosos!

Um Colheita Tardia luxuoso e luxuriante!

Provador: Bruno Miguel Jorge