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quinta-feira, 21 de março de 2013

Dona Maria Reserva 2007



Característica diferenciadora: Gastronómico

Preço: 22€

Onde: Garrafeiras especializadas

Comentário: Já escrevi várias vezes, e falei ainda mais, que não tenho pelo Alentejo, enquanto região vitivinícola, um apreço substancial! Gosto de muitos vinhos alentejanos, reconheço que são apelativos e fáceis de beber, com um traço doce e uma macieza na prova que convencem facilmente, mas o que procuro não é bem isto! É lógico que esta apreciação tão generalista peca por colocar no mesmo saco uma região tão vasta e que tem, felizmente, vinhos que desmentem na totalidade o que acabei de escrever (Mouchão, Dona Maria, Quinta do Mouro, Esporão PS, Solar dos Lobos GE, dos que me lembro e que já bebi).

Da mesma forma que disse que não sou o maior fã do Alentejo vitivinícola, cabe-me também dizer que sou um adepto ferranho da Alicante Bouschet (bem … então este tipo não gosta muito do Alentejo e tem como uma das suas castas preferidas um tipo de uva que se dá principalmente bem no Alentejo … incongruência? Com toda a certeza!)

Este Dona Maria Reserva tem na sua composição 50% de Alicante Bouschet, coadjuvado por Petit Verdot e Syrah e, segundo o produtor, foi fermentado em lagares de mármore e estagiado em barricas novas de carvalho Francês durante um ano.

Apresenta-se não muito carregado na cor e no nariz sobressaem de imediato as notas mais típicas da Alicante Bouschet (vegetal, azeitona e cacau), terra e alguma humidade. A fruta, vermelha e preta, aparece de forma secundária. Na boca é encorpado sem ser esmagador, com madeira presente mas muito bem ligada. A acidez atravessa toda a prova e torna o vinho um “must” absoluto à mesa. Termina longo e com persistência.

Um grande vinho do Alentejo com base numa casta magnífica! ... este é um daqueles vinhos que faz bem à alma!

Provador: Bruno Miguel Jorge

terça-feira, 19 de março de 2013

Vinha dos Reis Branco 2009



Característica diferenciadora: Acidez/untuosidade

Preço: 6.5 €

Onde: El Corte Inglés

Comentário: Dourado na cor, ainda com presença notória da madeira mas já em diálogo muito cooperante com a fruta. Alguns citrinos (limão), mas também frutos secos (nozes). Um vinho com boa estrutura e bastante untuoso. Muito fresco e com uma acidez ainda muito viva a dizer-nos que temos vinho para mais uns bons anos. Boa persistência final.

Acompanhou muito bem um Arroz de Bacalhau (com um bocadinho de colorau) e um Serra da Estrela de qualidade da Queijaria Dos Lobos. Para o meu gosto, os brancos com alguma idade, menos efusivos na fruta, com boa acidez e untuosidade ligam formidavelmente com queijos de pasta mole.

Provador: Bruno Miguel Jorge

sábado, 16 de março de 2013

Casa Ferreirinha Papa Figos 2011


Característica diferenciadora: Fast-wine...há em abundância, é apelativo e bom!

Preço: 5€


Onde: Distribuição em geral

Nota pessoal: 16


Comentário: 2º ano deste controverso rótulo... digo controverso porquê? Eu, gostei muito de todas as que bebi... achei a fórmula despretenciosa e o resultado muito bom. Mas encontrei muitas pessoas que pura e simplesmente não gostaram do vinho...
Bom... chega a 2ª edição e vamos ver como se comporta.
Cheio de vivacidade na cor! Tinto e retinto. Làgrima apreciável, vinoso. Rosado escuro, groselha. A cor é muito bonita.
Muita fruta nos aromas... aromaticamente é doce, dando imagens mentais de compotas de framboesa e amoras. Ao longe ligeiras notas fumadas. Ligeiro caramelo... Já imagem de marca, pelo que percebo.
Na boca... Confirma o que o nariz anuncia. Muito frutado e polido. Concentração qb. O que lhe falta de elegância, transborda de suculência. É guloso.
Muito bem balanceado, cheio de cereja, amoras e morangos. Taninos muito domesticados, acidez ligeira mas estrutura adequada ao conjunto e ao perfil. Não é de todo um vinho elegante... Mas bebe-se bem que se farta.
Tenho duvida como evoluirá o perfil em 2-3 anos. Se amadurecerá bem, ou se perderá estas notas todas frutadas e sabe-se lá o que fica...
Tenho de provar um de 2010 a ver como anda, para imaginar para onde este caminhara. Mas no  geral, é muito bom e agradará a muitos apreciadores. É uma escolha segura para adquirir à última da hora num supermercado para algum jantar de convívio. Agradará seguramente a grande parte dos consumidores. Eu gosto.
Bom produto a muito bom preço.

Provador: Mr. Wolf 



Dados Reserva 2008



Característica diferenciadora: Dureza e perfil austero em 2008

Preço: 8€


Onde: Garrafeiras especializadas (esta comprei no Gourmet do Jumbo nas Amoreiras)

Nota pessoal: 15,5

Comentário: Vinho quase preto no copo...nariz muito vinoso, com madeira carregada, sem muita tosta, mas muito expressivo. 
Fruta preta, esmagada. Amoras, abrunhos.
Na boca, manifesta-se ainda a madeira...carregado. 
Suscita-me a dúvida se o vinho vai evoluir para amenizar a madeira e dar espaço a outras características, ou se isso já existiu e só resta a madeira...
O vinho está "duro"... mas tem acidez e força para dar e vender. Tem "carácter"... é vinho claramente de Inverno. Vinho para Cozido à Portuguesa... e para quem gosta de emoções fortes no copo!
Vale pelo estilo e por ser bem feito.
Guardar em cave uns anos, na minha opinião...

Tem a curiosidade de ser a enologia a cargo de 2 enólogos de "escolas" distintas, um Português, João Soares e outro Espanhol, Javier Rodriguez.

Provador: Mr. Wolf 

Felix&Fils Bourgogne Côtes D'Auxerre Pinot Noir 2010



Característica diferenciadora: Fruta

Preço: 7€


Onde: Auchan

Nota pessoal: 15,5

Comentário: Mais uma volta pela Borgonha e pelo Pinot Noir.
Cor rosada escura, de opacidade média. Nariz de fruta vermelha expressiva. Cerejas maduras. Corpo médio, com acidez adequada a prova imediata,
Sempre que encontrarem vinhos da casta Pinot Noir em garrafeiras de confiança, experimentem. 
Calibrem as expectativas para fruta delicada e doce, concentrações muito moderadas na extracção e a qualidade do vinho varia depois em função da sua complexidade aromática e capacidade de estrutura na prova de boca... isso é que já não é para todos... agora, facilidade de prova e versatilidade gastronómica, valem bem a pena os € que dispenderem.

Provador: Mr. Wolf 

Emile Durand Pinot Noir 2009



Característica diferenciadora: Pinot Noir

Preço: ?€


Onde: ?

Nota pessoal: 15,5


Comentário: Simples Pinot Noir da Borgonha. Mas a beleza é essa... 
Nariz limpo, discreto de fruta e com pouca complexidade... cumpre no entanto pela excelente facilidade com que se bebe, tal é o equilíbrio e harmonia na entrada de boca.
Nada chateia.
Vinho que me trouxeram num jantar. 
Acho que foi comprado no Continente... mas não tenho certeza. Vale a pena pela diferença. 

Provador: Mr. Wolf 

Quinta de Foz Arouce Vinhas Velhas de Santa Maria 2007


Característica diferenciadora: Concentração e elegância

Preço: 38€


Onde: Garrafeiras especializadas 

Nota pessoal: 18


Comentário: Os vinhos Foz de Arouce nunca enganam! São sempre extraordinários... e só um vinho extraordinário de certeza se poderia provar com os dois Pé Francos do Luis Pato num almoço...naturalmente, sem intenções de comparações, até porque nenhum destes rótulos necessita de referências de comparação para nada... valem pelo que são e têem... e se têem... personalidade própria.

Desde o ano de 2001 que os provo... ou melhor, que os bebo! 2001 mais fino, 2003 quente e concentrado, na linha do de 2005, mais duro mas excelente... e chega-nos 2007.

Muita densidade na cor. Escura. Opacidade média, mas muito limpo.
Aromas de fruta e barrica de muita qualidade, num registo bastante denso. Baga a fazer-se notar, mas num perfil diferente dos mais clássicos. Tem uma parte de Touriga Nacional no lote.
Na prova de boca é muito bom. Muita estrutura, muito polido, muito bem equilibrado e um final muito, muito longo. Para a cave obrigatoriamente... vai melhorar e muito.

Provador: Mr. Wolf 

Luis Pato Quinta do Ribeirinho Baga Pé Franco 2005


Característica diferenciadora: Intensidade, elegância, classe...

Preço: 125€

Onde: Garrafeiras especializadas e alguns Auchan

Nota pessoal: 18,5


Comentário: Após o de 2003 estar em prova... já o de 2005 repousava num copo ao lado para cada um... cor ligeiramente mais viva que o de 2003 e a expectativa ao rubro. 
Aromas ligeiramente mais "gordos"... iogurte muito ligeiro. 
30 segundos depois...Mais "bairradino" no nariz. Aqui sente-se aroma vegetal marcado, com ligeira caruma de pinheiro. Curiosamente, muito ligeiras notas de cacau também.
Ataque de boca, antes que o coração cedesse tal devia ser a excitação, e outro monumento na prova de boca. Elegância para dar, vender, alugar... o que se quiser.
Muito suculento, denso e leve ao mesmo tempo, cheio de bouquet, tem uma dimensão e profundidade na prova de boca impressionante.
Muito concentrado e confitado... sem nunca ser pesado em nada.
Taninos e acidez para muitos anos, mas perfeitamente integrados no conjunto.
Harmonia é a palavra de ordem...muito mentolado e fresco, tem uma acidez desconcertante na forma como se alinha na perfeição com a fruta fina em perfeito estado de maturação... ou melhor, quase maturação, como se deixasse sempre antever que ainda vai ficar melhor. É um exemplo perfeito de less is more no campo das notas mais frutadas num vinho. Não chega a ter fruta em primeiro plano, mas está sempre presente nos sentidos. Muito, muito bom...

Estas garrafas pecam por serem muito pequenas...

Obrigado Luis Pato por produzir estes vinhos com tanto cuidado e dedicação.

Provador: Mr. Wolf