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terça-feira, 22 de outubro de 2013

Collares Viúva Gomes Reserva Tinto 1967


Característica diferenciadora: Um bocadinho de História de Portugal Vinícola.

Preço: Não aplicável.

Onde: Garrafeiras especializadas... e particulares.

Nota pessoal: 18.5


Comentário: Parece-me óbvio compreender o misto de excitação com apreensão com que se abre uma garrafa de 1967... excitação, pois estamos a falar duma garrafa que está fechada há mais anos que muitos de nós que lemos estas linhas... Pensar que quando esta garrafa foi engarrafada, não existiam por exemplo telemóveis... que viviamos em Portugal num regime governativo diferente... havia menos carros nas estradas dum concelho como o que vivo, do que provavelmente num parque dum centro comercial actualmente na semana do Natal...Beber isto é pensar que os carros não tinham injecção electrónica... Havia 2 canais... Nem sei se a cores. Havia menos carros que telefones fixos... Telemóveis, nem em sonhos. Um telecomando era só com uma fisga. Percebem a excitação? Excitação também pela curiosidade natural que temos em analisar como estará 46 anos após ser "feito vinho"... excitação, por ser de Collares... a apreensão advém apenas do facto de poder estar "morto" e imbebível!

Bom... Abra-se! Rolha escura, ligeiramente húmida... dificil... mas saiu... aos bocados, mas saiu!

Cor incrivelmente rubi!  Ligeiros laivos atijolados, mas predominantemente rubi.
Aromas iniciais de armazém de produtos químicos... Aromas de laboratório de físico-química das aulas do secundário! Pelo menos da escola que frequentei... e não era por terem lá garrafeira. Não é mofo, nem antigo... Nem madeira encerada... É químico. 
Decanta-se. Respira.

1 hora depois:

Notas florais, muito a lembrar rosas. Aroma da água das rosas explícito. Aquela água no dia em que se colocam rosas em jarra numa sala! Uau. 46 anos! Estou estupefacto...

Prova de boca... tal é a curiosidade suscitada, que quase que se fala mais baixo para provar este vinho!
Acidez marcada, com notas metálicas muito evidentes e mineralidade. No entanto é perversamente elegante e equilibrado dando uma prova muito homogenea.
Fruta? Zero. Nem vê-la nem cheirá-la!! Nem sequer se imagina que um vinho pode ter fruta depois de andar a namorar os aromas deste copo. Fruta para quê?? Nadinha! Se muito, pois o nosso cérebro prega-nos destas partidas e procura referências que conheça e consiga indexar, encontramos lima na prova de boca e na parte frontal da língua. É o mais frutado que se consegue...
Granular na língua, extremamente sedoso e por estranho que pareça parece não ter tanino nenhum, mas a acidez é de tal forma peculiar que o tanino não faz falta. 
Volta e mais volta no copo e emergem aromas de algas, aquele aroma matinal quando a maré está vazia ... aroma de amanhecer e caminhar perto do mar. Pelo menos é o que me lembra... caminhar no Paredão entre Cascais e S. João. Iodo ligeiro e muitas algas. Prova de boca consistente com sabor ligeiramente salgado.

Provar este vinho, lança-me para reflexões sobre a dureza com que estás uvas crescem, atlânticas, em solos arenosos... Literalmente arenosos, sem "mariquices" e apenas o essencial para que não sucumbam aos agrestes ventos e às humidades excessivas deste terroir... Infância e adolescência difícil, rude... E tal como no homem, com necessidades mas educação, produzem a idade adulta de sucesso, com personalidade e carácter majestoso. É o que este vinho é.
São 46 anos e o vinho está vivíssimo. Em prova cega, nunca, mas nunca diria que tem mais do que 20 ou 25 anos... É só de 1967...

E ele repousou, passou revoluções, emancipações, ciclos políticos e económicos e aqui aparece, do meio do nada, engomado, distinto e pronto para provas e avaliações de qualidade! 
Impensável comparar com o que se faz... É comparar um alfaiate tradicional com a Zara...e a Zara seguramente tem mais sucesso actualmente que o tradicional alfaiate. Dá que pensar. 
Acidez estonteantemente elegante. É ácido, mineral mas muito sedoso. A língua ressente-se mas fica com uma rudeza muito fina, muito salivar e extremamente gastronômica. Vinho para sonhar. 

Provador: Mr. Wolf

domingo, 13 de outubro de 2013

Pegos Claros 2008


Característica diferenciadora: Vinhas velhas de Castelão!


Preço: 4€

Onde: Distribuição em geral

Nota pessoal: 16

Comentário:  Um clássico do quotidiano de qualquer enófilo. Se não faz parte do quotidiano, devia fazer, acreditem.
Tantas garrafas destas esquecidas que devem estar por essas garrafeiras, arrecadações, despensas... E tão deliciosas.
Um exemplo muito genuíno e fiél do que a casta Castelão, que me é tão querida, produz. Solos arenosos, pisa a pé... Barrica 9 meses... Tudo bem. Modernices. Mas aceita-se!

Escuro e rubi, muito denso. Fumo nos aromas e rebuçado. Bola de neve. Fruta muito viva a lembrar framboesas! Curiosamente, tinhamos em casa uma caixa de framboesas acabadas de colher... colocar o nariz na caixa e no copo é um exercicio muito giro... de facto o vinho não tem aromas de framboesa, é semelhante apenas... porque framboesas frescas é outra coisa! No entanto, é o mais próximo!

Muito directo na boca, bastante equilibrado e com acidez muito bem integrada, estes Pegos Claros de 2008 está um excelente produto, para a mesa já ou para ganhar mais vida na cave em alguns anos. Isso é seguro. Bom vinho a bom preço.

Provador: Mr. Wolf




Cartuxa Colheita 2010

Característica diferenciadora: Sempre muito bom!

Preço: 13€

Onde: Distribuição em geral

Nota pessoal: 17


Comentário:  Cartuxa... adquirido para revisitá-lo neste ano de 2010! Como será que esta bandeira do bom vinho Alentejano se comprtará num ano que se manifestou tão peculiar?
Vivo na cor a fazer lembrar sangue. Muito bonito e vivo no copo. Brilhante e lustroso.

Aromas de barro, ligeira tosta e fruta encarnada esmagada. Apesar de díspares, estes aromas convivem de forma muito harmoniosa e agradável aos nossos sentidos. Tudo "leve", mas esclarecido!
Boca muito sedutora, com acidez discreta e taninos finos, mas presentes. Uma boa surpresa de 2010. Adequado no entanto à qualidade da casa, que é acima da média.

Mediana opacidade, notas na boca de chocolate e suculento. Muito interessante e muito bom. Uma escolha segura para o estilo. Fora de modas apesar de ter "uns toques" mais contemporãneos. Eu gosto muito. Fino, final longo e muito harmonioso. Nada chateia e é bom. Ponto.

Provador: Mr. Wolf

Mouchão 2000


Característica diferenciadora: Mouchão... com mais de uma dúzia de Primaveras em garrafa.

Preço: 30€

Onde: Garrafeiras especializadas... ou por sorte em restaurantes!

Nota pessoal: 18.5


Comentário:  Mouchão... é Mouchão. Ponto final, parágrafo.

Pode-se discutir o perfil, o preço, a elegância, o que se quiser... mas a verdade é que quanto mais estas garrafas (e eu...) envelhecemos, mais prazer retiro ao apreciá-las. À expectativa de prazer que normalmente acompanha o momento de abrir uma garrafa de Mouchão, juntou-se o efeito surpresa! É verdade... numa noite em casa a provar uns vinhos adquiridos nas Feiras de Vinhos, eis que salta para a mesa esta preciosidade, partilhada por bom amigo. Obrigado!

Cuidadosamente retirada a rolha, impecável a olho nú, cuidadosamente enchemos os copos com o precioso néctar.
Literalmente opaco. Rubi alcatrão... não existe? Existe, existe... É produzido com Alicante Bouschet... Impressiona a cor.

Nariz apontado ao copo e a frescura dos aromas é impressionante.
Alguns aromas de cereais, pó... aromas mais terrosos. Ouviu-se um "Cheira a milho!"... não sei bem a que cheira o milho, mas percebo. Mas num registo muito fresco e nada "asfixiante" como alguns terrosos podem parecer. Bom, há que deixá-lo respirar.
Prova-se.
Boca possante, volumoso, muito volumoso revestindo o palato com o doce do Alicante tão especial nesta casa.
Extremamente complexo e muito fresco, deixa um final quase cítrico a fazer lembrar casca de laranja. É impressionante a juventude e ao mesmo tempo maturidade deste vinho. Está muito bom para prova já e não vira a cara a mais uns anos de cave seguramente.

Nariz outra vez no copo e a brisa de aromas continua a impressionar. Alguma fruta vermelha discreta com notas vegetais e terrosas sempre presentes. Especiado mas sempre muito elegante, e na boca, ao longo da prova surpreende sempre pela frescura que tem e pelo final muito longo e fresco. 
Acidez perfeitamente integrada, que dá para para vender, sem evidências de barrica e muita harmonia e suculência. Esta garrafa, apesar dos seguramente 12 anos em garrafa que já conta, ou perto disso, continua numa forma exemplar a mostrar que um grande vinho, necessita naturalmente de cave para se mostrar a sério.

Exelente! 



Provador: Mr. Wolf


Quinta do Noval Maria Mansa 2007


Característica diferenciadora: Densidade.

Preço: 5€

Onde: Garrafeiras especializadas ou distribuição (Makro)

Nota pessoal: 17


Comentário: Mantém-se em grande forma! 
Excelente vinho a preço quase simbólico. O vinho está escuro e denso, muito fechado ainda no aroma. Pede decantação prévia, ou cave...
Escuro nos aromas também, com fruta escura discreta, notas florais vincadas (parece-me de Touriga Nacional expressiva) e claramente a "dar a volta".
Muita estrutura, taninos presentes e vigorosos e muita pujança... tudo isto, por um preço a rondar os 5€. 
Sem publicidade, discreto é sempre um valor muito seguro para a mesa ou para a cave. As de 2007, guardem-nas mais um bom par de anos.

Provador: Mr. Wolf

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Dory Reserva 2010

Característica diferenciadora: Acidez/frescura (Torres Vedras “terroir”?)

Preço: 10€ (5 euros nas Feiras de Vinho)

Onde: Feiras de Vinhos do Continente e El Corte Inglés

Nota pessoal: 16,5/17

Comentário: Eu gosto dos vinhos da Adega Mãe. O branco colheita, os varietais de Chardonnay, Viognier, Viosinho e Alvarinho e o Reserva Tinto de 2010, são vinhos que me dão prazer a beber e que me fizerem companhia durante o tempo mais quente (os brancos). Mesmo o Chardonnay e o Viognier, castas já por si mais “pesadas”, mesmo fermentadas em madeira, apresentam uma frescura e uma acidez muito interessante, que espevitam o vinho e o tornam sempre muito prazeroso à mesa. O Viognier tem a ganhar com alguma tempo de cave, porque ainda se sente muito a tosta.

Bem, mas hoje não estamos virados para os brancos … ficam para um outro dia! O Dory Reserva tinto, quando custava 10 euros já era um tinto que dava muito prazer a beber. Agora que custa 5, é para comprar à caixa. Foi o que fiz e que voltarei a tentar fazer, se ainda o encontrar.

Apresenta-se escuro com uma ligeira aureola ruby. No nariz, sobressai a madeira, e à primeira podemos pensar que vamos beber mais um daqueles vinhos achocolatados e docinhos. Felizmente isso não se confirma! Continuando … químico, algumas notas de farmácia. Boca com fruta preta e algum vegetal. Passado algum tempo, surgem-nos notas de pimenta e alguns taninos mais aguçados a disserem de sua justiça e a aconselhar alguma calma no consumo do vinho. No final da refeição, mostrava-se mais proporcional e arrumado, mas, sem nunca ser um vinho aborrecido, porque, tal como os seus “irmãos” brancos, também ele tem uma belíssima acidez e frescura, tornando-se, por isso mesmo, um amigo da mesa. Vinho que enche a boca e que se prolonga.


Provador: Bruno Miguel Jorge

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Taylor´s Vintage 2003



Característica diferenciadora: Pujança dos taninos (assegurando uma longa vida em cave)

Preço: 70€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 17 (facilmente esta nota subirá. Daqui a 10 anos, quando este vinho se abrir ao Mundo, a pontuação será bem diferente e bem mais elevada)

Comentário: Esta foi a minha primeira vez com um Vintage clássico da Taylor´s! Expectativa elevada, não estivéssemos a falar de um ano de muito boa memória para o Porto Vintage, como foi o de 2003.

Tendo em conta que, nos Vintage novos, a fase dos 10 anos pode ser um bocadinho ingrata, decidimos que o tínhamos de arejar bastante por forma a contrariar a tendência natural de “fechado para obras”.

Assim, no início do almoço, o vinho foi decantado cuidadosamente, e logo aí deu para ver uma bonita cor escura mas não opaca, com uns tons rubi muito bonitos.

Deixámo-lo a descansar durante cerca de três horas e fomos “atacar” um Bacalhau Espiritual que acompanhou lindamente um Cartuxa branco de 2011 que, diga-se, en passant, está num momento de forma extraordinário! A boa fruta madura, bem como o corpo cheio e cremoso que o vinho apresentava, ligou lindamente com as das natas do Bacalhau Espiritual.

… mas a nossa cabeça continuava no Taylor´s …

Entretanto, começaram a chegar à mesa os queijos e os doces e a inquietação foi crescendo, até que … as primeiras gotas começam a cair nos nossos copos.

Este 2003 apresentou, tal como descrevemos em cima, uma cor escura mas não opaca, que nos fez lembrar “sangue de boi. No nariz, o vinho apresentou-se, tal como esperávamos, fechado, pouco claro, com algum floral, fruta preta fresca em fase de transição e nuances de Bolo Madeira. A boca é cheia e poderosa, sem ser esmagadora, onde se descortina facilmente uma nota vegetal e um conjunto absolutamente monumental de taninos de uma fineza desconcertante. O final é longo mas não é, ainda, extraordinariamente complexo.

Este já foi um grande vinho com toda a certeza, há-de vir a ser um Vintage monumental, mas, neste momento, é apenas um muito bom vinho com um potencial colossal!

Provador: Bruno Miguel Jorge

Manoella 2011



Característica diferenciadora: potencialidade em evidência para ser um belíssimo vinho daqui a uns 2 ou 3 anos

Preço: 11€

Onde: El Corte Inglês

Nota pessoal: 16,5 (dentro de 2 ou 3 anos será um 17 ou 17,5)

Comentário: Foi com muita vontade e expectativa que me atirei a este Manoella. Tinha tido um encontro fugaz com o 2010, à relativamente pouco tempo, e tinha ficado bastante bem impressionado (ainda mais vindo o vinho de um ano que se diz ser menor). No entanto, e por comparação com o 2011, achei-o muito mais pronto a beber e com menor potencial para evoluir em cave de forma positiva.
 
Apresenta-se com uma cor violeta carregada. No nariz, as notas da barrica ainda se apresentam com muito predominância, secundadas por algum floral da Touriga Naciona (mas sem cansar nada). Na boca é cheio sem ser gordo e espalhafatoso. Está todo muito certinho com as suas notas de fruta preta, violeta e um toque floral a dar elegância e distinção. Surge no final de boca uma nota vegetal, tão típica dos verdadeiros Douro, e que muito me agradou. A amparar tudo isto temos uma estrutura de taninos densa, ainda um bocadinho aguçados, mas muito finos. Boa acidez, boa frescura e um comprimento de boca longo, mas que ainda não é extraordinariamente complexo.

Recomenda-se a compra de uma caixa, abrindo uma garrafa para conferir o estilo, e as restantes para ir abrindo a partir de 2016.

Nota: A mim, já não me apanham mais no Pintas Character (em abono da verdade, já me apanhavam pouco!).

Provador: Bruno Miguel Jorge