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domingo, 8 de dezembro de 2013

Pape 2007


Característica diferenciadora: Elegância.


Preço: 25€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 17

Comentário:  Pape é sempre Pape... PA de Passarela e PE de Pellada... para mim é o vinho mais consistente e equilibrado que Álvaro de Castro engarrafa ano após ano.
Segundo consta, este de 2007 provém de predominância - senão totalidade - de vinhas velhas de Touriga Nacional.
Cor rubi, translúcida e de mediana concentração.
Muito fino, estranhamente elegante para o que o Pape nos habituou. Recorte de barrica evidente, aromas e sensações mais "verdes", que tornam a prova ligeiramente curta, apesar do vigor inicial.
Vale sem dúvida pela elegância, num exercício de perfil do Dão, diferente dos Pape mais antigos. Guardar, pois apesar de não estar numa altura excepcional para provar, parece-nos que com o tempo vai melhorar e ganhar muito mais garra. A Touriga Nacional tem "muito disto"... é temperamental em cave.

Provador: Mr. Wolf

Giorgio Primo La Massa 2007


Característica diferenciadora: Um "super Toscano" galardoado com 97 pontos na Wine Spectator por si parece-me que chega... mas tem muito mais!

Preço: 70€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 18.5

Comentário:  Ora aqui está uma estreia nossa, tardia, num Super Toscano!
Começamos bem... vinho do momento em Itália no ano de 2009, consagrado pela pontuação distintiva da conhecida revista Wine Spectator... resolvemos abrir e provar depois da "poeira assentar", como se costuma dizer.
E é aqui que chegamos... e 2013 onde resolvemos provar no nosso encontro anual em Penacova, focados em vinhos essencialmente com 5 ou mais anos.

Nariz peculiar a assegurar continuidade à cor e espessura do vinho. Muito escuro ainda, sem grande vivacidade no rubi, mas destacado na viscosidade com que se agarra ao vidro do copo... quase que caramelizado na opacidade. 
Bomba aromática cheia de ervas secas, azeitona e uns fantásticos toques de rosmaninho. Impressionante o nariz. Impressiona pela diversidade e contraste. Pela intensidade de aromas mais terrosos e ao mesmo tempo frescura de erva aromática. Muito giro.

Boca assombrosa! Pujança, cremosidade e equilíbrio.

Falsa acidez escondida, taninos vigorosos mas envoltos em veludo. Muito, muito polidos e ao mesmo tempo vigorosos. 
Muito diferente do que se produz em Portugal. O que é bom, para os dois países.
Muito potente. Volumoso e opulento. Cala-nos pela "diplomacia" com que nos agarra.
Muito encorpado mas extremamente elegante. É na dinâmica de volume e profundidade com delicadeza e acetinado que o vinho sobressai.
Memorável e muito, muito bom.
Blend com Merlot, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot, está para durar.

Provador: Mr. Wolf

O que se bebeu no Wine Penacova Meeting 2013

Campolargo Espumante Pinot Noir Rosé 2008
Quinta das Bágeiras Espumante Garrafeira 2003
Poeira 2008
Quinta do Vale Meão 2008
Giorgio Primo La Massa 2007
Achaval Férrer Finca Bellavista 2008
Quinta do Monte D´Oiro Ex- Aequo 2008
Anima L8 (2008)
Esporão Private Selection Tinto 2008
Calda Bordalesa 2007
Campolargo Pinot Noir Tinto 2008
Pape 2007
Fonseca Quinta do Panascal Vintage 2005

Wine Penacova Meeting 2012

Casa Ferreirinha Antónia Adelaide Ferreira 2008
Alves de Sousa Abandonado 2007
Quinta do Vallado Reserva 2008
Esboço 2001
Campolargo Pinot Noir 2008
Flor de Pingus 2006
Passadouro Reserva 2008
Quinta do Noval Vintage 2000
Quinta das Bageiras Bruto Natural 2009
Graham´s Vintage Port 1985 - não estava em condições

Openday:

Bageiras Grande Reserva Bruto Natural 2003
Quinta das Bágeiras Pai Abel 2010
Quinta do Monte D´Oiro Madrigal 2010
Domingos Soares Franco Moscatel Roxo Rosé 2011
Buçaco Branco Reservado 2007
Quinta do Monte D´Oiro Reserva Tinto 2007
Anima L8 2008
Quinta do Vesúvio  2009
Xutos 79/11 Reserva 2008
Esporão Private Selection 2008
Vida Nova 2009
Calda Bordalesa 2007
Dona Touriga e o Castelão (Magnum) 2005
Sozinho, O Castelão (Magnum) 2007
Pape  2007
Campolargo Alvarelhão  2011
Dona Berta Vinha Centenária 2007
Passagem Reserva 2009
Quinta do Monte D´Oiro Ex-Aequo 2008
Marquesa de Alorna Tinto 2007
Hexagon 2005
Post Srciptum  2010
Pombal do Vesúvio 2010
Chryseia 2009
Poeira  2009
Achaval Ferrer Finca Bellavista 2008


Carcavelos Quinta dos Pesos 1990 1990
Moscatel Roxo Domingos Soares Franco Colecção 2003
Quinta do Panascal Vintage 2005 2005
Blandy´s Bual 10 Anos

Collares Viúva Gomes Reserva Tinto 1965

Característica diferenciadora: 48 anos depois da vindima.

Preço: Indiferente.

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 18.5



Comentário:  Este é sem dúvida o comentário a um vinho cujo cuidado fotográfico procura fazer justiça ao respeito e admiração que tenho por estes vinhos. 

Verdadeiros vinhos de culto. 

Estonteante a longevidade, classe e pujança dum produto perecível que após 48 anos continua com um fulgor e qualidade absolutamente impressionantes. 
Pode ser verdade que a região de Collares foi prejudicada pela falta de consistência na qualidade dos vinhos. Tudo bem. Mas os anos que são bons, não são somente excepcionais. São míticos e calibram de novo a percepção sobre o que é a longevidade dum vinho.

Detalhe do contra rótulo
Detalhe de "Collares" como terroir e região
Este, após eu ter provado o de 1967 que estava majestoso, carregava aos ombros a responsabilidade de validar ou fragilizar a minha opinião sobre estes vinhos. Pode ter sido uma garrafa fantástica (a de 67) que num dia em que eu estaria propenso a provar e de gastronomia apropriada me soube extraordinariamente bem... ou o cair dum sonho e afinal não era nada disso... e remetia-nos para um vinho apreciável pela idade, mas nada mais do que isso. 
Mas não. Comprovou e carimbou com relevos de ouro a supremacia do carácter agreste, rude e vincado destes vinhos. Para serem apreciados por quem os queria apreciar. Não devem ser comparados a nada em Portugal. Nem impostos a nenhum enófilo da actualidade. Se não gostar, é indiferente. Arrolha-se e bebemos depois sozinhos.
Detalhe das letras em relevo dourado

O vinho apresenta-se com uma rolha de qualidade superior, retirada sem grande sacrificio apesar de cuidada posição do saca-rolhas e ligeiramente húmida.
Aromas de azeite imediatos. Torrados e tostados juntam-se à festa. Antes da expressão cromática, o potencial aromático é impressionante. 
Na realidade a década de 60 em Collares foi marcante. Nota-se ainda quase meia década depois em garrafa. Inigualável, penso eu. Mas conheço muito pouco ainda.
Viscoso a cair no copo, cor de café escuro de opacidade relevante, é na prova de boca que percebemos exactamente o que estamos a falar. Densidade que se aproxima dum Jerez, mas de expectativa... na realidade é extremamente liquido e nada pesado. 
11% e 0,65L- Curiosidades
É uma partida dos sentidos, que atentando à cor nos precipita para uma ideia de licoroso. Não. Nada disso! 
Vincado na acidez, duro e mineral ainda com muito sabor a ferro inicial, adequado para afastar os mais "inexperientes", é quando se foca nos conteúdos mais terrosos, coloniais ao melhor estilo de café acabado de moer em grão, armazém de coisas antigas mas limpas, ligeiro soalho encerado. 
Brilhante vivacidade, frescura e acidez a contrabalançarem as características mais evoluídas e naturais do bouquet.

Tenaz como o aço, vivo como um riacho escorreito por entre caminhos de pedras e sulcos, estes vinhos são uma enciclopédia para qualquer enófilo... melhor que qualquer workshop que se faça... basta-nos uns bons copos largos o suficiente, paciência para o colocar à temperatura adequada - 14º-15º quando se abre - e paciência e abertura de espírito para provar este vinho ao longo duma refeição. 
Fale-se no fim, não quando se prova pela primeira vez. Temperatura e copos adequados é obrigatório.

Provador: Mr. Wolf

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Quinta do Côtto 1997


Característica diferenciadora: Quinta do Côtto de 97.


Preço: 19€ - foi o que paguei por cada garrafa num leilão de vinhos...mas normalmente custam à volta de 9€.

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 18

Comentário:  Garrafa mítica para mim... Era, a par com os Tapada do Chaves e o Vinha Grande mais 2 ou 3 um dos rótulos preferidos do início do século - e relativamente acessíveis...- e donde retirava muito prazer. Aprazivel em casa com amigos antes de ir sair à noite em soirées muito agradavéis, ou em restaurantes onde os preços eram relativamente acessíveis... Guardo memórias excelentes... incluindo olfactiva deste, bem como do Tapada do Chaves e Vinha Grande muito presente. Acho que isto é a idade. A minha, não a do vinho. 
Este de 1997 está no ponto!
Escuro, opaco e muitos aromas de cabedal, especiado e forte. Cheira a vinho, apesar dos aromas mais "animais"... cheira a adega.
Prova de boca a recordar-me porque gostava tanto, tanto deste vinho... Reza a história que me contaram numa adega que os quinta do Côtto mudaram o perfil pois um produtor perto da quinta passou a produzir os seus próprios vinhos e deixou de vender uva à Quinta do Côtto... Pois, não sei. Pode ser, pois são muito diferentes. Mas estes, até 1997 seguramente são extraordinários. 
Mas este está um clássico. Virtuoso nos aromas e prova de boca muito especiada e "carnuda", é no entanto no final que marca muito. E por ser longe de perfeito... pela rusticidade, mas ao mesmo tempo pela capacidade de deixar lastro vincado, mas que rapidamente se torna sedoso. Não se percebe muito bem, pois não? Mas é mesmo isso... é rustico, mas ao mesmo tempo tem glamour e classe.
Prova-se e prova-se e ficamos muito impressionados com a diferença de perfil face ao que bebemos hoje em dia... e não vai lá com cave.
Basta olhar para a cor do vinho e atentar nos 12 comedidos graus alcoólicos. Onde se vê isto agora? Não vê.

E sem expressões de barrica, sem amargos de abusos de Touriga nacional... Só vinho e do bom! 
Adorei. Resta-me outra.

Provador: Mr. Wolf


Oboé Superior 2010

Característica diferenciadora: Vivo

Preço: 15€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 17

Comentário:  Novo! Muito novo. Sanguíneo e cheio de cor, encarnado carregado muito brilhante.
Notas aromáticas evidentes de Touriga Nacional. Muito floral e vincadíssimo nos aromas.  Boca mais adequada ao meu perfil, com surpreendente equilibrio. 
Acetinado, final longo e equilibrado. Parece-me que vai melhorar em cave. É o que vou fazer à 2ª das garrafas que me ofereceram neste jantar muito giro! Bom vinho num excelente jantar.

Provador: Mr. Wolf

Pegos Claros 1994


Característica diferenciadora: Castelão!

Preço: 15€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 17.5

Comentário:  Vamos lá falar de vinhos portugueses a sério... Periquita, solos franco-arenosos. Carvalho Português por 12 meses... "a sério", não significa que os outros perfis sejam para brincar, nem tão pouco para graduar a qualidade... mas seriedade sim pela capacidade de envelhecer e manter características próprias do lugar onde nasceu, ter acidez e tenacidade para a mesa e organolepticamente estar ainda em excelente forma!
Aroma de Cabernet... Sim. Em prova cega é o que diria. Extremamente apimentado, de pimento encarnado fresco quando se parte, quase pimentão.  Acidez vincada. Entrada de boca muito marcada pelo lado vegetal do pimento, sem duvida. 
Vegetal, sem fruta. Tão bom. Tão específico. Tão imperfeito. Picante no aroma. Redondo na boca, pronto para ser bebido. Pede comidas ousadas, com carácter. Eu aconselho entrecosto no forno à italiana. Ou carne de porco à alentejana. Excelente prova! Adorei.

Provador: Mr. Wolf