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domingo, 25 de agosto de 2013

Poeira 2005

Característica diferenciadora: Volúpia.

Preço: 30€

Onde: Garrafeiras especializadas... provavelmente particulares.

Nota pessoal: 18.5


Comentário: Cor violeta escura! Pronto... baralhamos as contas todas de quem prova às cegas uma vertical de Poeira e já achava ter bebido o de 2005!

Mas como a prova dever ser livre de preconceitos e expectativas... há que ignorar e provar relativizando o que se bebeu antes... especialmente após ter provado todos e rever as notas tiradas. O importante no vinho é apreciar... e fruir.

Voltando a este de 2005... o 3º vinho a ser provado.

Cor, já referido, pujantes laivos violetas... tipo muitos de 2009, estão a ver? Cheios normalmente de Touriga Nacional... Graças a Deus, este não tem esses aromas nem vestes.
Aromas de groselha fresca. Fruta, especiaria muito ténue e ligeiro mentolado também. A groselha, é estilo cristalizada mas com pouco açucar. Estão a ver a mistura de Bolo Rei, das cerejas, figos e groselhas? É mais ou menos isso...
Na boca, cheíssimo... como se ouvia antigamente... "muito adamado"... veludo, com textura que agarra literalmente as papilas gustativas.
Acidez e estrutura, envolta em muita fruta de muita qualidade, verde, fresca... Um hino ao Douro, sem maquilhagens, sem vestidos engomadíssimos de barrica... não, nada disso! Fruta, da boa, verde e fresca, mas de origem vermelha. Nada de sobrematurações, nada de açucar fácil... e a fim de 7 ou 8 anos, o melhor mostra-se.
Tenho pouca experiência em vinhos de "outros mundos", mas confesso que só em alguns Franceses encontro esta pujança sem estar revestida de barrica ou jovialidade da maturação da fruta... é textura, granularidade na língua e final ainda de muita suculência...

Muito, muito, muito, mas muito bom.

Provador: Mr. Wolf

Poeira 2004

Característica diferenciadora: Volume e aromas.

Preço: 30€

Onde: Garrafeiras especializadas... provavelmente particulares.

Nota pessoal: 18


Comentário: Última garrafa servida... sem sabermos o ano, naturalmente.
Escuro, denso e de opacidade evidente ainda... confusão, visto que eu acharia que o de 2005 já tinha sido provado (verifiquei depois que era o de 2003...).

Aromaticamente o que mais gostei.
Além das notas de fruta que normalmente acompanham o Poeira, sempre num registo mais de insinuação do que festivaleiro, este de 2004 apresentou-se com notas vegetais de erva seca e alguma grão de café que entusiasmam logo pela contradição. Claro que a fruta aparece em evidência também, a fazer lembrar o aroma dos rebuçados bola de neve, mas as notas vegetais e de grão de café tornaram a prova mais demorada.
Estrutura, fenomenal.
Parece acabado de sair do estágio em garrafa para o mercado.
Muito concentrado ainda, extremamente bem balanceado e com fruta no final de boca muito boa. Texturado e com muitos pormenores. Ligeira especiaria a picar a fruta.
Mais quente do que os outros provados.

Muito bom.

Provador: Mr. Wolf

Poeira 2003

Característica diferenciadora: Douro puro!

Preço: 30€

Onde: Garrafeiras especializadas... provavelmente particulares.

Nota pessoal: 18


Comentário:  2ª garrafa da prova vertical a ser provada às cegas.
Cor limpa, rubi e viva. Sabia que no máximo seria de 2005 pelo que imediatamente pensamos que impressiona a vivacidade da cor.
Aromas frescos, repletos de fruta estilo groselha, fina... profundidade aromatica secundária balsâmica. Esplendoroso aromaticamente, pujante na intensidade e clarividência de aromas.
Prova de boca fantástica.
Entrada no palato delicioso, sem excessos de nada, mas com tudo lá. Fruta vermelha estilo compota sem excessos de doçura. Madeira imperceptivel, a não ser para os mais atentos. Volume, leveza e acidez. Nada cansado, muito pelo contrário. Fora de modas, que é tão bom.
Errei no ano... era de 2003. Está para durar, fino e elegante, mais volumoso na estrutura e na vigorosa acidez que ainda tem sem que nunca marque a prova.

Muito, muito bom.


Poeira 2002

Característica diferenciadora: Poeira... de 2002. Chega?

Preço: 25€

Onde: Garrafeiras especializadas... provavelmente particulares.

Nota pessoal: 17.5


Comentário: Seguindo a ordem da prova desta prova vertical de 01-05... este foi o 4º vinho provado...
Distinto dos restantes,,. Bouquet extremamente elegante, com notas aromáticas de couro.
Sabendo (à posteriori) o ano, impressiona a cristalinidade que apresenta e o tom ainda escuro.
Relativamente discreto nos aromas, mesmo após as notas iniciais de couro desaparecerem, é na boca que se manifesta mais vivo.
Acidez ténue, ligeiras notas de rebuçado, mas como é apanágio da casa, extremamente fresco no final de boca. Cresce e muito. Mas ao fim ao cabo, como todos os Poeiras. Não se esperem vaidades de aromas de barrica nos copos, nem festivais de fruta, ou frenesim de tostas e caramelos... não, são vinhos para se apreciarem quando se bebem. Na prova, só os mais treinados.

Eu curiosamente, sempre apreciei muito o Poeira de 2002. Nesta prova, sem saber o ano, associei ao de 02 ou eventualmente 01.
No entanto, admito que relativamente aos outros anos, e apesar de ser o mais elegante deles todos, parece-me que é o que vai viver menos anos de saúde. Mas está impecável.

Provador: Mr. Wolf

Poeira 2001

Característica diferenciadora: Persistência e complexidade.

Preço: 30€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 18


Comentário:  Ora bem... por onde começar? Talvez por explicar que em Junho desafiámos o restaurante ".come" em Alcabideche para ser o anfitrião duma "mini prova vertical" de Poeira... 2001 a 2005.
A prova foi "cega", naturalmente, no que diz respeito aos anos de colheita.

Sou um adepto confesso de Poeira. É de longe o vinho que ao longo dos anos mais me fidelizou no Douro. É coerente na qualidade sempre de excepção e no carácter fiel aos anos em que se produz, reflectindo na garrafa muitas das características climatéricas dos anos em questão. O resto, o terroir, está sempre lá. É sempre excelente e apresenta-se desde 2001 com uma estabilidade de preço de mercado de louvar. E os cerca de 30€ a que normalmente o podemos encontrar (podem-se encontrar variações para cima ou para baixo não superiores a 10%) são muito bem empregues.
Para resumir o meu apreço e admiração por este vinho, e por quem o produz, obviamente, se tivesse de levar 2 ou 3 vinhos para uma prova com enófilos de "mundos diferentes", que representassem o que é um vinho de topo Português, provavelmente este seria um dos dois ou três que não seriam Bairrada...

Voltando à prova... deitado no copo com preceito, imediatos aromas evidentes de azeitona, lagar... Cor a demonstrar evolução, com o rubi a esbater-se em laivos mais castanhos. Adequado no entanto para os 12 anos que já conta. Opacidade média e bastante limpo e cristalino.
Algum vegetal, muito tímido, a fazer lembrar cascas de pinheiro seco. Mas muito ligeiro.
Na prova de boca, impressiona o extremo equilíbrio que ainda mantém. Elegância e equilibrio entre acidez e fruta sempre foram imagem de marca do Poeira e mantém-se 12 anos depois.
Acidez ainda presente, notas de fruta secundária, estilo ginja, mas muito ténue.
Vivo ainda na sua persistência, mantendo muita frescura no final e deixando o palato limpo e aromático. O sprint final deste vinho é impressionante, pois ele cresce bastante e "aperfeiçoa-se" à medida que respira.
Prova de boca melhor que a análise aos aromas, que são discretos e conduzidos essencialmente em aromas de azeitona madura, cuja continuidade na prova de boca, manifestam-se, mas aqui muito secundários.
Frescura. Muita frescura.
Acredito que continuará a evoluir bem, mas recomenda-se ir bebendo as de 2001 pois estão perfeitas para consumo imediato.

Provador: Mr. Wolf

domingo, 24 de março de 2013

Casa Ferreirinha Reserva Especial 2003


Característica diferenciadora: Terroir Casa Ferreirinha!

Preço: 50€


Onde: Garrafeiras especializadas 

Nota pessoal: 18


Comentário: Depois de duas experiências traumáticas nos últimos 9 meses com o Reserva Especial de 2001, há que provar o de 2003. E nada melhor do que numa prova cega, com um primo direito mais velho, o Quinta da Leda 2000 e um primo afastado mais jovem... o Adelaide 2005 da Quinta do Vallado. É um risco... mas como admirador e apreciador confesso que sou dos vinhos da Casa Ferreirinha, nada melhor do que enfrentar o tema.

E valeu a pena. Admito (com felicidade...) que tive azar nas duas garrafas do ano de 2001 que provei. 
Este de 2003, apesar de não me impressionar como as de 1997 ainda me impressionam, está fantástico e na minha opinião, ainda vai melhorar mais. É necessário compreender que estes vinhos Reserva Especial, melhoram pela harmonia que conseguem atingir. "Melhorar" neste exercício, não é serem mais expressivos de aromas, ou vigorosos no palato... não, nada disso... para isso há muitos vinhos novos para escolherem. "Melhorar" é atingir a leveza tão característica que estes vinhos têem, acetinados, harmoniosos como o nascer do sol nas praias das nossas magnífica praias no início do Verão. Nunca será o sol das 15h da tarde... mas aquecem como os primeiros raios de sol aquecem, por exemplo, nas nossas magníficas praias da Costa Vicentina. São graduações de aquecimento diferentes, mas para quem consegue visualizar a imagem, sabe que é muito mais reconfortante o aquecimento do nascer do sol que propriamente o das 15h. Estão a ver a metáfora? É isso mesmo. 

Cor rubi escura. Notas aromáticas ainda evidentes de barrica.
Ligeira tosta nos aromas. Especiado... e sim... este Reserva Especial sim... cheira a Ferreirinha.Não sei dizer o que é, mas sei identificar e gosto muito.
Algumas notas de cacau, ténue, fruta estilo cereja... e mais especiarias.
Na prova de boca é simplesmente excelente. Limpo o directo, frutado sem sobrematurações, ligeira untuosidade, quase que "amanteigado" e muito, muito equilíbrio.
Enche o palato, directo e de forma muito persistente desde a entrada de boca até ao final. Mantém-se sempre guloso quanto baste. Ligeiras notas especiadas e picantes, que lhe dão graça, mas sempre num registo bastante aveludado e com estrutura para muitos e excelentes anos de guarda.

Excelente Reserva Especial Ferreirinha.

Provador: Mr. Wolf 

Casa Ferreirinha Quinta da Leda 2000



Característica diferenciadora: Fruta e elegância com meia dúzia de Primaveras

Preço: 25€-30€


Onde: Garrafeiras especializadas 

Nota pessoal: 17,5

Comentário: A seguir a um Pé Franco 2001 do Luis Pato, "às claras", preparava-se uma prova cega cabendo a esta garrafa a desafiante tarefa de ser o vinho provado imediatamente a seguir...
Cor limpa e translúcida, de opacidade reduzida, com reflexos encarnado vivo.
Nariz com fruta silvestre em evidência, sem se manifestar de forma abrupta. Notas de framboesas, amoras e aroma ligeiro de caixa de tabaco. Muito ligeiro. É a fruta delicada que domina.
Na prova de boca impressiona pela tenacidade que ainda tem. Parece essência de fruta, limpíssima e sustentada por excelentes taninos e acidez.
Na prova cega, apontou-se sem unanimidade para o ano de colheita do vinho, mas sempre com a sensação de parecer mais recente.
Extraordinária elegância, parecendo-me estar no ponto para quem ainda lhe quer apreciar as notas mais frutadas... dá-me ideia que mais 2 ou 3 anos e deverá evoluir para a sua maturidade onde seguramente dará também excelente prova. 

Vinho provado em Prova Cega com Casa Ferreirinha Reserva Especial 2003 e Quinta do Vallado Adelaide 2005.

Provador: Mr. Wolf 

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Leo D´Honor 2008



Característica diferenciadora: Castelão

Preço: 23€


Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 16,5


Comentário: Cor viva. Rubi encarniçado! Notas no nariz de madeira e ... madeira! Bom, há que deixá-lo respirar.
Boca "amarga"... apesar de fresco. Curiosamente, nesta prova cega com Conde Vimioso Reserva 2008 e Marquês de Borba 2008, este Leo D´Honor 2008 foi o que eu levei às cegas... e foi uma grande desilusão!
Eventualmente, está a "dar a volta"... tem nariz muito estranho, sempre dominado pelas notas de barrica... e está "cru" ainda. A fazer-se enquanto vinho, na minha opinião. Não está uma prova fácil. Madeira de qualidade, sem "adocicar" o vinho, mas expressiva a sobrepor-se sempre ao aromas (discretos, é verdade) do vinho... mas Castelão não é de todo uma casta aromática! Mas eu gosto bastante... mas este, não está num bom momento de prova.

Conhecedor do que é a Casa Ermelinda de Freitas, estou bastante seguro que a garrafa foi aberta provavelmente numa altura má! Vinhas velhas da casta Castelão, têem de dar melhor prova passados 5 anos! No entanto, há algo a melhorar...

Provador: Mr. Wolf 







Marquês de Borba Reserva 2008



Característica diferenciadora: Doce

Preço: 29€


Onde: Distribuição

Nota pessoal: 17


Comentário: Bom, mais uma prova cega! 
Garrafas decantadas e não identificadas. 
Este Marquês de Borba Reserva foi provado em conjunto com um Conde Vimioso Reserva 2008 e Leo D´Honor 2008...

Cor rubi mediana. Notas de madeira evidentes. Barrica boa.
Imediatamente, surgem notas doces nos aromas. Na prova de boca é "fino" e muito redondo.
Notas de morangos muito maduros, num registo elegante. Bastante equilibrado, "ligeiro" e delicado.
Completamente diferente do ano de 2009, que para mim foi dos preferidos de Marquês de Borba, está mais no estilo do de 2004.
Em resumo, é um excelente vinho Alentejano, feito com bastante cuidado e qualidade, com variações de ano para ano, o que é bom, pois exprime as variações climatéricas e de produção. Normalmente, é um vinho excelente.

Provador: Mr. Wolf 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Reserva Especial Ferreirinha 2001


Característica diferenciadora: Casa Ferreirinha... e a sombra do "Barca Velha", para o melhor e para o pior.

Preço: 50€


Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 16,5.


Comentário: Bom...dado o mote com um grupo de amigos para uma Prova Cega subordinada a temas escolhidos caso a caso, esta Reserva Especial Ferreirinha 2001 foi levada para uma retrospectiva ao que foi 2001. Era o tema.

Excelente mesa para acompanhar os 3 vinhos... aguardava um lombo de porco preto assado no forno, minunciosamente confeccionado pelo caríssimo Bruno...3 decanter... minúncia na abertura sigilosa das garrafas, peculiaridades com a temperatura e, enfim, os 3 para a mesa (provado em conjunto com Quinta da Dôna 2001 e Luis Pato Vinha Pan 2001).

Ora bem... prova fantástica com 2 Bairradas (às cegas naquele momento) anteriores, e cai no copo (às cegas, obviamente) este Reserva Especial... castanho! Percebe-se que a comparação com os outros vinhos é sempre "complexa", mas é o que é.

Àlcool presente e ligeiro amargo na boca... desagradável, precisa respirar no copo.
Arejado e todos de "faro" apurado qual perdigueiro a descortinar se gostavamos ou não dos aromas, quando me chegou ao nariz carne (para mim é pior que chegar-me a mostarda ao nariz...), suspirei e calei-me para voltar ao vinho numa 2ª volta.

20 minutos depois, lá voltei. Melhor.
Mais verde, mais fresco e vegetal... com ligeiro cabedal. Mas as notas de "carne crua" tinham desaparecido.
Ganhou frescura, mas nunca se manifestou equilibrado. Com o tempo ganhou mais acidez. Mas o vinho oscila muito na prova, ora manifestando algum equilíbrio e acidez, ora caindo em aromas e palato manifestamente desagradáveis, amargos em demasia e àcidos.

Muitas "apostas" que seria um Douro. Mas não unânime.

Descortinado os vinhos em prova, foi uma desilusão para mim... sim, porque sou um adepto confesso da Casa Ferreirinha.
Porque o provei em Junho de 2012 e achei que a sombra do Barca Velha prejudica muito este vinho... sim, porque se em relação ao de 1997 consigo alimentar uma discussão sobre as hipotéticas possibilidades de ter sido declarado Barca Velha ou não, neste ano de 2001 não há margem absolutamente nenhuma para essa conversa. Não é de todo.
Desiludi-me porque bebi várias garrafas (felizmente) de 1992 e cheira a Ferreirinha e tem uma finesse  que este nunca terá.
Desiludi-me porque achei que talvez a garrafa que bebi em Junho (post aqui no blog), ou não teria sido feliz na abertura nesse dia ou na conjugação com a comida, ou estivesse "fora de forma". Não. Há que aceitar a evidência... se eu fosse um "rapaz" de confrontações, adorava prová-lo às cegas com o Colheita de 98 Ferreirinha, ou mesmo com um Quinta da Leda de 2000 para não ir mais longe. Mas com custos sem serem suportados pela minha carteira. É que só pelo nariz o vinho destoa. Não cheira a Ferreirinha.

Bom, por morrer uma andorinha, não acaba a Primavera... não é assim? Não é por uma má experiência com as garrafas já bebidas de RE Ferreirinha de 2001 que as dezenas ou centenas de boas experiências que já tive desta casa se fragilizam. Mas que chateia, chateia.

Provador: Mr. Wolf 


Luis Pato Vinha Pan 2001

Característica diferenciadora: Elegância

Preço: 25-30€


Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 17,5


Comentário: Bom...dado o mote com um grupo de amigos para uma Prova Cega subordinada a temas escolhidos caso a caso, esta Vinha Pan 2001 foi levada para uma retrospectiva ao que foi 2001. Era o tema.

Excelente mesa para acompanhar os 3 vinhos... aguardava um lombo de porco preto assado no forno, minunciosamente confeccionado pelo caríssimo Bruno...3 decanter... minúncia na abertura sigilosa das garrafas, peculiaridades com a temperatura e, enfim, os 3 para a mesa (provado em conjunto com Quinta da Dôna 2001 e Reserva Especial Ferreirinha 2001).


Rubi escuro no copo. Elegantíssimo. Fino. Aromas comedidos inicias, num registo mais vegetal que frutado.
Principesco na boca, cheio de secura e elegância.
Algumas notas "quase picantes", com notas de pimenta.
Muito polido e sedoso na boca, apresenta-se com 12 anos em excelente forma. Redondo, mas com taninos e acidez para dar e vender... curiosamente, também se atirou de forma unânime "outro Bairrada"... tal era a carga genética deste vinho (bem como o Quinta da Dôna)... o que é estranho, pois na Prova Cega, seguir os instintos é o melhor, e se achamos que estão 2 Bairradas, devemos assumir mesmo que depois seja algo estranhamente (para nós) diferente. Mas era. E que Bairrada.

O vinho termina sempre com muita elegância, suportada mais em acidez que fruta, mas muito, muito bem.


Provador: Mr. Wolf 

Quinta da Dôna 2001

Característica diferenciadora: Frescura e longevidade

Preço: 25€


Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 17,5


Comentário: Bom...dado o mote com um grupo de amigos para uma Prova Cega subordinada a temas escolhidos caso a caso, esta Quinta da Dôna 2001 foi levada para uma retrospectiva ao que foi 2001. Era o tema.

Excelente mesa para acompanhar os 3 vinhos... aguardava um lombo de porco preto assado no forno, minunciosamente confeccionado pelo caríssimo Bruno...3 decanter... minúncia na abertura sigilosa das garrafas, peculiaridades com a temperatura e, enfim, os 3 para a mesa (provado em conjunto com Luis Pato Vinha Pan 2001 e Reserva Especial Ferreirinha 2001).

Ataque ao copo com a idade a evidenciar-se pela cor já ligeiramnete acastanhada. Natural... uma dúzia de Primaveras pesa a todos...
Frescura na boca. Notas de café e algum (muito ligeiro) cabedal.
Compota doce de frutos encarnados no palato, sempre acompanhado de excelente frescura e acidez.
Nuances químicas, com notas de farmácia ligeira a dar um pouco mais de profundidade à prova.
Muito giro e muito bom.
Sempre muito fresco e vivo. Especiado.
Os 4 provadores de "serviço" foram unânimes, às cegas, a atirar "Bairrada" para a região provável, o que atesta a personalidade e genuinidade deste vinho.

Um grande vinho num bom ano!

Provador: Mr. Wolf 



Prova cega e Psicanálise... Wine Penacova Meeting!


Característica diferenciadora: Gestão de expectativas e aumento de ansiedade!


Definição: Provavelmente, e passe a publicidade, a Pepsi deve ser a mais antiga e mediática divulgação de "prova cega" da actualidade... essencialmente, a prova cega é uma ferramenta de estudo de mercado para produtos, em comparação com os preferidos dos consumidores (líderes de mercado). 

Era "aquele" anúncio da TV dos anos 80 em que depois de virarem o copo, os consumidores surpreendiam-se que era Pepsi! Nunca conheci ninguém na vida real que se surpreendesse com Pepsi como no anúncio, mas que o anúncio era marcante, era!

E no vinho?

Uma prova cega não é mais nem menos que uma prova em que o vinho a ser provado não é dado a conhecer antecipadamente aos provadores! Simples. Tapa-se a garrafa, ou decanta-se e serve-se.

Agora, começando pelo negativo...O que não é:


  • Uma competição para ver quem utiliza mais clichés;
  • Um exame para Iniciação ao Estudo de Enologia;
  • Um Teste Vocacional para aptidões a Escanção;


Porquê a Psicanálise?

Porque o objecto de estudo da Psicanálise (a mente... o funcionamento cognitivo e maturidade emocional) supõe essencialmente da parte do Psicanalista, em cada sessão e perante a pessoa, uma atitude de se "esvaziar" de expectativas, preconceitos ou juízos de valor... simples, não é?

A prova cega também é assim... deve ser um exercício, essencialmente de integridade intelectual conosco próprios. Se formos verdadeiros conosco próprios, tudo é mais fácil!

Assenta numa relação de confiança com as nossas dúvidas, com as nossas intuições e com a capacidade de ir integrando de forma saudável, as experiências (sensoriais) anteriores das provas, nas novas, e criando a partir daí. Sem preconceitos! E muito importante... sem ter medo de errar. Tolerar a capacidade de se frustrar... desde que vá aprendendo com isso, obviamente.

Também convém ter capacidade de insight... senão, prova-se o vinho e desata-se numa avalanche opiniosa, estilo método de associação livre de ideias, e conclui-se que os aromas de barrica de determinado vinho não são mais do que um problema olfactivo, somatizado e com a "mãe" como responsável máxima.

Ou seja... muitas vezes, o silêncio é bom. Muito bom. E como existem silêncios difíceis... mas na prova cega, provar e ficar calado, também não tem nada de mal. Repito... provar e ficar calado, não tem nada de mal!

Não há uma relação de capacidade de prova e obrigatoriedade de falar a cada "golada" de vinho.

Provar às cegas é um exercício narcísico, para quem realmente gosta de provar vinho e não tem medo de partilhar as sensações que retira daí com outros "convivas".

Este tema dava pano para mangas... até porque o vinho historicamente sempre teve muita espiritualidade... liberta a palavra, aumenta a sensibilidade, e quando conduzido de forma adequada, ultrapassa barreiras.

O nosso encontro anual de amigos em Penacova, meritório no nome pela banalidade do mesmo, Wine Penacova Meeting, ao longo destes 10 anos muito teve de "Wineanálise". Por isso se repete, por isso se renova, e por isso mesmo é revitalizador. E ainda não chegámos nenhuma vez à conclusão que muitas das divergências que temos, são culpa da "mãe" de nenhum! Mas também... os vinhos normalmente são "top"! As "mães" que fiquem descansadas.

Conde Vimioso Reserva 2008



Característica diferenciadora: Mineralidade e elegante

Preço: 18€


Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 17,5


Comentário: Vinho em prova cega em conjunto com Marquês de Borba Reserva 2008 e Leo D´Honor 2008.

Notas de barrica boa e aromas "verdes". Fresco. Nariz mais vegetal do que frutado.
Na prova de boca está muito bem. Notas de madeira "verde", estilo cedro, mas muito fresco e equilibrado. Aromas de Cabernet Sauvignon explícitas e prova de boca excelente. Apesar do tema da prova cega ser 2008, este vinho "atira-nos" para a sensação de ser muito mais novo do que os restantes. E os restantes não pareciam de todo evoluídos em demasia!

Comparações à parte e de volta ao vinho... duro de certa forma, mas elegante, sempre num registo mais vegetal e mineral do que frutado. Elegância qb e certeza de vinho para muitos anos.
Constante na prova ao longo das várias "rondas" no copo, mostrou muita personalidade e qualidade. Foi o vinho que gostei mais na prova!

Provador: Mr. Wolf 


domingo, 27 de janeiro de 2013

Crat Aegus Reserva Especial 2008


Característica diferenciadora: Rusticidade

Preço: 7€


Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 17

Comentário: Finalmente este vinho fez-se! E de que maneira.

Cor muito bonita, brilhante. 
Aromas de fruta contida e algum fruto seco.
Vinho provado em prova cega! Aromas de Touriga Nacional expressivos, mas curiosamente nada chatos como acontece em muitos vinhos com Touriga Nacional.
Acidez fantástica na boca. O vinho ainda necessita de cave, na minha opinião... mas é seguramente um excelente parceiro para a mesa! A procurar e onde encontrarerm, comprem à confiança.
Do mesmo produtor da Quinta da Esteveira, que é também um excelente produto a muito bom preço - o de 2009, pois o de 2010 ainda não o provei...
Guardar sem medo. O vinho ainda oscila muito no copo. Precisa de tempo.

Muito bom.

Provador: Mr. Wolf 

Quinta de Nápoles 2000


Característica diferenciadora: Longevidade

Preço: 20€


Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 17


Comentário: 2000... ano de expectativas. Volver do século. Crescimento exponencial do número de rótulos no mercado, com particular incidência no Douro. 
Início de década muito promissora e alavancadora do que é a realidade de sucesso de muitos dos nossos vinhos no mundo. E a Niepoort foi sempre um dos principais motores e orientadores desta acção. 
Sou um confesso apreciador destes vinhos, com especial destaque para o Redoma que normalmente é um excelente vinho, cromossomaticamente registado com o que de melhor existe no Douro.

Bom, mas foquemos-nos neste. Quinta de Nápoles... sim, essa Quinta mesmo que conhecem agora. Vinho de ano único - segundo sei - lançado no mercado e pouco comum de encontrar hoje em dia.
Cor ainda escura e nariz com ligeiro lácteo... doce. Rústico nos aromas e muito unidireccional. Pouca variedade aromática. 
Rubi escuro..Bonito com laivos rosados.
Boca mais elegante que os aromas poderiam anunciar... muito polida, com muito volume um ligeiro chocolate que lhe dá muita piada. Acidez qb, mas a fugir.
Em prova cega, ninguém antecipou a idade do vinho... indo os mais arrojados a 2001-2003... mas não, era de 2000.
Respira Douro, com uma falta de contemporaneadade que sabe muito bem! Não tem notas de madeira evidente, sabe e cheira a adega... muito bom! Pena ser muito raro encontrar este perfil de vinho na actualidade.

Provador: Mr. Wolf 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Poeira 2008

Característica diferenciadora: Fino

Preço: 30€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 18

Comentário: Poeira, é Poeira... único e pioneiro no estilo em Portugal.
Coerente e bom! 2008, um ano especial em que tenho provado vinhos distintos e bons. Não faço ideia se choveu muito ou pouco, nem em que meses... sei que os vinhos normalmente são bons!

Este Poeira não foge à sua origem. Sempre com acidez, nariz com aromas discretos inicialmente, mais evidentes durante a prova. Algumas notas de madeira e fruta. Ligeiro vegetal. Inicialmente parece curto, mas à medida que respira ganha dimensão. A acidez comanda, deixando no entanto um bom balanço para que a prova de boca seja boa. O vinho seca literalmente a boca toda, como que a vaticinar que foi muito cedo para o beber... e foi. Apesar de ter sempre o selo de muita qualidade e elegância, ou se decanta previamente (tipo 2 horas...) ou não se beba antes de 2014, 2015... Nós não fizemos nem uma coisa nem outra... quando se estava a equilibrar no copo, como fruta bem expressiva já, acabou. Normalmente é assim com o Poeira.

Para quem conhece bem os anos de Poeira, diferente este. Gostei muito dos de 2004 e 2007 e fiquei com muito boa impressão do de 2009. Adorei o de 2001 e 2002 foi extraordinário, para mim. Este de 2008 volta a ter algo parecido com o de 2002, para mim. É esperar e paulatinamente ir provando uma garrafa a ver quando atinge o seu esplendor, sempre em elegância, fora dos enjoos de vinhos que persistem em lançar para o mercado.
Vinho em prova cega com: Quinta da Foz de Arouce Vinhas Velhas de Santa Maria 2003, Quinta do Monte D´Oiro Reserva 2007 e Domaine Charvin 2003

Provador: Mr. Wolf

domingo, 30 de setembro de 2012

Domaine Charvin Châteauneuf-du-Pape 2003

Característica diferenciadora: Tudo é diferente...

Preço: 55€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 18,5

Comentário: Era com muita dificuldade que conseguia manter esta garrafa na minha garrafeira... adquirida há uns meses por recomendação do Pedro do Cabaz Tinto, lá me enchi de coragem e resolvi incluí-la numa prova a ser efectuada em Setembro. Expectativa grande... 95 ou 96 pontos na Wine Spectator...Um bom Châteauneuf-du-Pape, como me explicaram... e pelo facto de gostar de vinho e gostar de conhecer coisas diferentes, desde que boas... andava aqui em pulguinhas. Bom... depois de servir o Quinta da Foz de Arouce Vinhas Velhas de Santa Maria 2003, o caminho óbvio era este... ninguém suspeitava da origem tão diferente do vinho.

Para o copo! Ui... translúcido... quase, quase "palheto". Mau. E o nariz? Mau. Notas de cavalariça... ou seja, gestão de expectativas minhas, nota 0. Estava destroçado. Pensei, "ainda não é desta que provo um vinho característico desta região"... mentira!

O vinho arejou, perdeu literalmente todo o aroma desagradável e ganhou aromas evidentemente cítricas. Sim. Sabem as laranjas cristalizada do Bolo Rei? É isso. Na boca a delicadeza do vinho, limpíssimo, translúcido dum rubi ligeiramente bronzeado, é acompanhada duma estrutura como nunca vi nada assim..."o vinho depois de engolir, sobe pela língua acima uma onda de sabores e sensações impressionante" - comentou-se. Completamente diferente do que provamos cá, sem desconsideração, obviamente. É diferente e ainda bem.
A fruta que o vinho tem é toranja. Sim. Toranja. Daquela quando está madura, mas que nunca deixa de ser ligeiramente ácida. A língua sente os efeitos de picante, pimenta... exactamente. E tudo, cheio de sensações e sabores, mas com uma leveza de extracção inigualável. O que parecia um vinho "leve", é de facto uma construção para durar décadas, sem dúvida.

Excelente! Pela diferença e pela qualidade. Grenache e Syrah. Excelente.

Vinho em prova cega com: Quinta da Foz de Arouce Vinhas Velhas de Santa Maria 2003, Quinta do Monte D´Oiro Reserva 2007 e Poeira 2008

Provador: Mr. Wolf

Quinta de Foz de Arouce Vinhas Velhas de Santa Maria 2003

 
Característica diferenciadora: Baga de classe internacional

Preço: 40€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 18

Comentário: É sempre um acontecimento à mesa retirar o invólucro que separa a atmosfera da rolha destas garrafas... esta, é a última duma caixa de 6. Paciência. Mas teve um final feliz, num bom jantar, repleto de outras boas "amigas" a quem retirámos a rolha. Começámos pelos anos de 2003 e evoluímos para 2007 e 2008, tudo às cegas.

Bom, qual catarata do paraíso, lá escorremos para os 4 copos e contemplámos como se comportaria.Cor entre o rubi e o café escuro. Limpo. Pouca consonância sobre o que seria, até que se ouve um "isto é baga, muito bem trabalhada". É verdade. Coerente com a sua idade, não foi com dificuldade que os cerca de 8-10 anos de vida foram sugeridos. É fiél. Identifica-se claramente que não é novo, mas que tenha a idade que tenha, está em excelente forma. Taninos perfeitos. Estão lá, mas macios. Aliás, o vinho parece que tinha sido guardado em garrafas de vidro, forradas a veludo. Intensidade máxima, à medida que respira. Ganha fruta, crispa os lados mais silvestres de bagas encarnadas, ainda não muito maduras na parte lateral da língua. A acidez afinal está lá ainda... mas muito bem educada.

Vinho em prova cega com: Domaine Charvin Châteauneuf-du-Pape 2003, Quinta do Monte D´Oiro Reserva 2007 e Poeira 2008

Provador: Mr. Wolf

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Quinta do Monte D´Oiro Reserva 2007


Característica diferenciadora: Equilibrio/ proporção
 
Preço: 30 Euros (aproxidamente)
 
Onde: Garrafeiras especializadas

  
Primeiro post no "Wine Penacova Meeting". Cabe-me agradecer ao Mr. Wolf pelo simpático convite. Para começar nada melhor do que um dos melhores vinhos de Portugal. Este Quinta do Monte D´Oiro Reserva de 2007 é um vinho de excepção: proporção e equilíbrio são a tónica dominante. Nada neste vinho se sobrepõe, não há protagonismos, antes um diálogo cooperante entre fruta e madeira. É um vinho muito fresco, com belíssima acidez e com uma extraordinária vocação gastronómica.

Provado com: Quinta da Foz de Arouce Vinhas Velhas de Santa Maria 2003, Domaine Charvin 2003 e Poeira 2008

Provador: Bruno Miguel Jorge