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domingo, 14 de setembro de 2014

Quinta do Monte D´Oiro Aurius 2003


Característica diferenciadora: Classe


Preço: 25€

Onde: Garrafeiras particulares ou especializadas.

Nota pessoal: 18.5

Comentário: Não é à toa que a maioria dos posts que coloco actualmente é relativa a vinhos com mais de 5 ou 6 anos... especialmente se tivermos em consideração que parece-me de senso comum assumir que a qualidade geral do vinho em Portugal tem crescido muito, diria eu nas últimas duas décadas... mérito superior para os Produtos, sem margem para dúvida, e mérito também para o consumidor, que duma forma geral aumentou a exigência e colabora duma forma mais activa para o gosto pelo vinho. O mercado cresceu em valor no consumo interno, e apresenta fulgor no mercado externo... então porque destaco normalmente vinhos com mais alguns anos de idade? Porque se é verdade que os vinhos melhoraram a qualidade geral, também convergiram para um perfil muito semelhante, homogéneo e "fast drinking"... e na maioria das vezes, apetece-me um (ou mais do que um...) copo de vinho com carácter! E este sem dúvida nenhuma tem!
A cor estremece qualquer mesa... Quais 11 anos?! Será 2003 ou 2013? É 2003.
Limpo, brilhante e cor tendencialmente púrpura escura. Uma enciclopédia vinícola olhar para um copo destes... Panóplia de aromas e densidade cromática fantástica. 
Provar demonstra no copo, aquilo que só realmente o tempo consegue. Impressionante. 
Bom, pelo princípio... Aromas fechados e quentes, com figo a dar o mote. Parece-me também ligeiro cacau, morno - aquele aroma do resto das chávenas de chocolate quente, qaundo era pequeno e ficava aquela "calda" de cacau e o resto do leite... bom, aromas iniciais mornos mas uma bomba de intensidade da prova de boca!
Desafia qualquer conceito dos perfis de vinhos actuais, demonstrando que é o estágio e a correcta maturação que permite colocar em evidência o que é um grande produto, pronto para os palcos globais, e muitas vezes dificil de compreender em circulos mais estritos. 
Infelizmente, Portugal é sem dúvida um mercado pequeno, apesar de proporcionalmente no rácio de consumo per capita, ser um mercado de destaque. Mas conseguir produzir vinhos destes, essencialmente para um mercado como o nosso, a preços acessíveis, é de louvar... e agadecer.
Voltando a esta garrafa... Impossível explicar por palavras o equilíbrio entre a intensidade e a elegância que tem. Impossível.
Notas vegetais e à medida que respira, florais... apimentadas por fruta quente, ligeira e quase confitada. Final estonteante, cheio, redondo, mágico na intensidade, fulgor na persistência... Muito complexo para harmonizar, pois é aquilo que denomino um vinho "muito reagente", ou seja a sua intensidade é tal, que facilmente na harmonização com a comida, provoca diferentes (e evidentes ) sensações... se não houver cuidado, facilmente o vinho cresce muito mais do que a comida...
Touriga Nacional, Syrah, Petit verdot e Touriga franca. 
Penso que o grande destaque deste vinho é a nobre elegância que se sente em cada golada de vinho, como em poucos, polida pelo - inalcançavel por outros meios - efeito dos anos e da muita qualidade empregue desde a vindima à vinificação e estágio. Soberbo. 
Baco seria teu amigo do Facebook pessoal, Quinta do Monte D´Oiro. De certeza... vivesse ele onde vivesse...

Provador: Mr. Wolf


Luis Pato Vinha Pan 2000


Característica diferenciadora: Classe e elegância.



Preço: 25€-30€.

Onde: Garrafeiras particulares ou especializadas.

Nota pessoal: 18.5

Comentário: Patamar de excelência de vinhos elegantes em Portugal, Luis Pato dispensa qualquer tipo de apresentações e salamaleques. 
Os vinhos são normalmente excelentes e pontualmente muito bons. 
Este Vinha Pan de 2000 faz parte do conjunto de garrafas que se apresenta em excelentes condições!  
Rolha impecável, lustrosa e imaculada na sua função de vedar. 
Cor límpida, rubi escura. 14 anos...sim, 14!
Na prova de boca tudo é expandido, largo e homogéneo! 
Nada de barrica presente, nada de frutas fáceis - muito menos tropicais... a vinha não é um resort com palmeiras e fruta tropcial...
Aqui é a acidez perfeita que pauta a prova, subtil e fresca salpicada - a equilibrar - com as notas mais maduras de fruta seca, estilo tâmaras ou ameixa muito madura, mas muito, muito ligeiras. O carácter em  evidência é vegetal, balsâmico e profundo ... esporadicamente ligeira fruta vermelha, que curiosamente oscila entre a mais madura e silvestre à medida que o vinho respira. 
O final do vinho é imenso, integrado no prazer da prova desde o início... toda prova é imensa, desde os aromas ao primeiro trago que se engole. 
Perpetua o prazer, sempre num registo muito fino, coloquial e muito sério. 
É um perfil fora de moda, mas que há-de voltar a calibrar a excelência do vinho português, ao invés do que se premeia hoje em dia. 
O perverso deste paradigma, é que quando voltarem esses tempos, provavelmente diminui a capacidade financeira para beber estes vinhos como existe hoje... ou seja, subitamente encarecem ao ritmo de 3 dígitos percentuais...
Por isso, vou ser um humilde consumidor egoísta e desejar que se continuem a premiar os perfis que hoje se premeiam... Tirem as vossas ilações. 

Provador: Mr. Wolf



domingo, 31 de agosto de 2014

Quinta das Bágeiras Garrafeira 2000


Característica diferenciadora: Sumptuosidade


Preço: 25€-30€... se encontrarem.

Onde: Garrafeiras particulares ou especializadas.

Nota pessoal: 18.5

Comentário:  Que dizer dum vinho com 14 anos que quando se deita no copo está literalmente preto e opaco? 
Não se diz nada. Arregalam-se os olhos! 
Aromas fechados, a muito esforço e cuidada espera, balsâmicos e ligeiramente mentolados.
Muito sério, com fruta escura, mas são as notas balsâmicas que predominam... que carácter único, averso à perfeição... se fosse uma pop star, era bonita com 20, 30, 40, 50 ou mais anos... sem plásticas, silicones, ou o que seja. É bom e bonito, como veio ao mundo... percebem a comparação?

Na prova de boca é magnífico. Muito denso, larguíssimo no alcance imediato e com o equilíbrio que só os grandes vinhos conseguem ter. Os muito grandes... Ao contrário do que é moda agora, este vinho cresce em garrafa. Literalmente.
Aqui não existem carícias de barrica, nem spa nos taninos... Não. Há que esperar pelo tempo certo. Mas quando o tempo chega, é inalcançavel através de "festinhas" como actualmente se faz. E a Baga presta-se como poucas castas a crescer com o tempo.
Que vinho!
É muito, muito, muito bom. É um vinho para qualquer mesa do mundo. Para qualquer apreciador de vinhos, que saiba que vinho não é só o estilo americanizado que se quer, doces, com Madeira a pontapé, e suculentos. 
A suculência deste vinho vem da qualidade genuína e do tempo, duma forma que só estes 2 vectores dois conseguem produzir... Claramente no pódio dos vinhos do ano de viragem do século. Curiosamente, o outro é Baga também é o outro - no meu pódio, naturalmente - é Barca Velha. 

Provador: Mr. Wolf





Soalheiro Reserva 2010


Característica diferenciadora: Intenso


Preço: 28€

Onde: El Corte Inglés

Nota pessoal: 17.5

Comentário:  Soalheiro é o mais consistente representante do bom vinho Alvarinho que se produz em Portugal. Fácil de encontrar - basta ir a um supermercado... - tem todos os anos qualidade acima da média e excelente relação preço/qualidade.
O seu topo de gama é o Reserva. Custa o preço de 3 garrafas do normal... e é muito bom. 
Este ano nas férias de Algarve, após abastado repasto de marisco e em muito boa conversa, abriu-se esta garrafa, bem fresca como convém no verão e em bons copos. Ele mais do que merece... precisa.
Aroma de barrica ligeiro. Lichia. Erva cortada, equilibrio extremo. Ácido e untuoso. Ouro branco. Quando a temperatura sobe ligeiramente, surgem as notas de alperce, pêssego. Quando respira... Perde! A mineralidade que tem, em conjunto com a acidez e vivacidade, estão muito presentes. É luxo, mas precisa e tempo.
Mas a primeira impressão é fenomenal quando tudo está equilibrado. Talvez esteja a dar a volta...
É realmente um Alvarinho muito peculiar, extremamente delicado e luxuoso. Aconselho guardar... Uns 3 ou 4 anos mais no mínimo... mas é muito bom. Para ir bebendo, recomendo vivamente o normal... de qualquer ano.

Provador: Mr. Wolf

Clos Mogador 2010


Característica diferenciadora: Sumptuosidade

Preço: 60€

Onde: El Corte Inglés

Nota pessoal: 18.5


Comentário:  Clos Mogador é "só", um dos melhores vinhos que se produz em Espanha... velho conhecido, só não costumo estar mais com ele pois a sua companhia sai muito cara... ou melhor, custa muito dinheiro...mas é sempre um prazer!
Como excelente vinho que é, acompanhou-nos para um excelente jantar de amigos, e serve apenas para prova "ao de leve"... 
Pareceu-me ser de perfil diferente dos de 03, 06 e 07 que tive a felicidade de provar nos últimos anos... mais subtil e a precisar de cave.
Cor tingida de negro violáceo...Cheiro de fruta escura, muito especiado, fumado e  tinta da china. Na prova de boca é denso, opulento, e com taninos de felino: afiadíssimos.
Quando repousa um pouco no copo, circunstância pouco comum, pois é daqueles vinhos que tende a desaparecer rapidamente dos copos, os aromas da infância das canetas Molin evidenciam-se. 
Secura e delicadeza, muita finesse, e taninos particularmente aguçados... e não deu tempo para muito mais, pois neste magnífico jantar as outras garrafas também gritavam por nós e a conversa era muito boa!
Mas havemos de nos voltar a encontrar! Para já, a breve nota para a memória... e quem queira comprar um excelente vinho e gastar 60€, é ir ao Gourmet do El Corte Inglés e seguramente faz uma excelente surpresa.

Provador: Mr. Wolf

Quinta de Cabriz Alfrocheiro Preto 1999

Característica diferenciadora: Elegância e longevidade

Preço: 10€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 17


Comentário: 15 anos! Dão... Monocasta... Felizmente não é Touriga Nacional.. É Alfrocheiro Preto. Recordo-me de excelentes vinhos da Quinta dos Roques dessa época. Encontrada na Garrafeira Estado de Alma em Alcântara - recomendamos vivamente para quem gosta de vinhos bons, fora de modas e a bons preços - que consistentemente apresenta várias opções de vinhos a preços de feira, com renovação semanal dos stocks e com bons preços... e esta era daquelas garrafas que não podia ficar lá. Prova-se e aprende-se muito com estes vinhos.

Aberta a garrafa, a rolha apresentava uma bonita cor rubi viva e escura. 

Jorrado no copo, as sensações olfactivas remetem-nos para o Dão mais puro que há... Imediatamente... Caruma de pinheiro, aromas levemente cítricos, fresco e ao mesmo tempo fruta escura madura. 
A cor não impressiona mas também não compromete. Nuances "atijoladas", opacidade média e ligeiramente turvo.

Há que provar! A prova de boca é simples, despojada de manifestações exibicionistas de fruta, Madeira e afins como tão bem conhecemos hoje. Nada disso. Simples, correcto e bom. Mas é o final do vinho que justifica a escrita. Se quando provamos, é simples, o final é delicioso. O vinho ganha muita garra, cresce na textura e o apogeu estabelece-se no final cítrico, longo e muito persistente... Sem nunca perder a elegância. 

Impressionado, resolvi decantar... Refrescado para que se decante, neste caso usei uma manga para rapidamente e de forma homogênea baixar a temperatura a 14 graus. Decantado. É aguardar até ao jantar. Até já.

Provador: Mr. Wolf


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Quinta do Portal Grande Reserva 2007


Característica diferenciadora: Genuíno Douro


Preço: 30€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 18

Comentário:  Que a Quinta do Portal é sinónimo de muita qualidade em tudo o que faz - pelo menos do que eu conheço - não é novidade...
Que 2007 é um ano que é necessário esperar... também penso que muitos já perceberam... mas que este vinho está extremamente volumoso e acetinado é que provavelmente poucos sabem!

Cor impenetrável... revestido de rubi escuro, lustroso, muito vivo e brilhante. Aromas de cacau misturados com algumas notas mais minerais... imperfeito nos aromas, no melhor dos sentidos... se querem Douro (ou qualquer outra região, diga-se de passagem...) com notas de caramelo e afins, gastem menos dinheiro que há aí muito para comprar... este não, tem aromas de vinho, ora mais terroso, ora mais doce, tal como alguma fruta quando se espreme.
Apesar de alguma tónica aromatica e vincada personalidade cromatica, é na prova de boca que o vinho se coloca no patamar de excelência que ele tem, dada a sua frescura e facilidade com que se integra na prova de boca.
Com anos ainda pela frente, está pronto para se beber já.
Tem um final muito longo, de deixar lastro como só os grandes vinhos têem.
Bom vinho! 

Provador: Mr. Wolf

Porta dos Cavaleiros Reserva Branco 1985


Característica diferenciadora: 29 anos parece-me diferenciador o suficiente.

Preço: não aplicável

Onde: garrafeiras particulares

Nota pessoal: 17


Comentário:  Regressados de férias, é tempo de pôr "a escrita em dia"... e nada melhor do que uma nota de prova que rompe com os paradigmas das provas de vinho contemporâneas... um vinho branco com 29 anos!
Ouro líquido na cor. Limpo e vivo. Opacidade cristalina. 
Sem sinail de cansaço nos aromas, compreendemos que poderáter uma idade mais avançada apenas pela tonalidade do dourado... Mas muito belo.
Aromas de bolo quente e pólen. Respira, ganha mineralidade, muito floral e subitamente, equilibra-se. Uma verdadeira caixinha de aromas. Quentes, envolventes, mas sempre subtis e equilibrados.

Prova de boca...sumptuosa. Volume, acidez e vivacidade ainda presente,  ligeira nota aromática de fruta branca, estilo maçã reineta e mel. Impossível conseguir este volume com 10 anos... polidíssimo pelo tempo, está para durar e proporcionar prazer. E esta, hein?

Provador: Mr. Wolf