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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Padre Pedro 2010


Característica diferenciadora: Quotidiano e bom

Preço: 3,99€


Onde: Distribuição

Nota pessoal: 16


Comentário: Cor escura e limpo
Cabernet Sauvignon presente, apesar de ligeiro, evidencia-se no nariz.
Excelente equilíbrio na boca. Ligeiro adocicado... Quiçá do Aragonez.
Vinho simples onde o "less is more" assenta que nem uma luva.
Acidez adequada. Mediana concentração, mas fruta viva sem ser em demasia.
Vinho excelente para o quotidiano. Versátil e sem medo de comida condimentada.
Guardar algumas.
Blend com Trincadeira, Aragonês, Cabernet Sauvignon e Merlot.
Tem a "dureza" - no melhor dos sentidos - tradicional do Ribatejo, mas está muito bem feito e aparenta muita qualidade.
Guardar e provar mais tarde é obrigatório.

Provador: Mr. Wolf 






Prova cega e Psicanálise... Wine Penacova Meeting!


Característica diferenciadora: Gestão de expectativas e aumento de ansiedade!


Definição: Provavelmente, e passe a publicidade, a Pepsi deve ser a mais antiga e mediática divulgação de "prova cega" da actualidade... essencialmente, a prova cega é uma ferramenta de estudo de mercado para produtos, em comparação com os preferidos dos consumidores (líderes de mercado). 

Era "aquele" anúncio da TV dos anos 80 em que depois de virarem o copo, os consumidores surpreendiam-se que era Pepsi! Nunca conheci ninguém na vida real que se surpreendesse com Pepsi como no anúncio, mas que o anúncio era marcante, era!

E no vinho?

Uma prova cega não é mais nem menos que uma prova em que o vinho a ser provado não é dado a conhecer antecipadamente aos provadores! Simples. Tapa-se a garrafa, ou decanta-se e serve-se.

Agora, começando pelo negativo...O que não é:


  • Uma competição para ver quem utiliza mais clichés;
  • Um exame para Iniciação ao Estudo de Enologia;
  • Um Teste Vocacional para aptidões a Escanção;


Porquê a Psicanálise?

Porque o objecto de estudo da Psicanálise (a mente... o funcionamento cognitivo e maturidade emocional) supõe essencialmente da parte do Psicanalista, em cada sessão e perante a pessoa, uma atitude de se "esvaziar" de expectativas, preconceitos ou juízos de valor... simples, não é?

A prova cega também é assim... deve ser um exercício, essencialmente de integridade intelectual conosco próprios. Se formos verdadeiros conosco próprios, tudo é mais fácil!

Assenta numa relação de confiança com as nossas dúvidas, com as nossas intuições e com a capacidade de ir integrando de forma saudável, as experiências (sensoriais) anteriores das provas, nas novas, e criando a partir daí. Sem preconceitos! E muito importante... sem ter medo de errar. Tolerar a capacidade de se frustrar... desde que vá aprendendo com isso, obviamente.

Também convém ter capacidade de insight... senão, prova-se o vinho e desata-se numa avalanche opiniosa, estilo método de associação livre de ideias, e conclui-se que os aromas de barrica de determinado vinho não são mais do que um problema olfactivo, somatizado e com a "mãe" como responsável máxima.

Ou seja... muitas vezes, o silêncio é bom. Muito bom. E como existem silêncios difíceis... mas na prova cega, provar e ficar calado, também não tem nada de mal. Repito... provar e ficar calado, não tem nada de mal!

Não há uma relação de capacidade de prova e obrigatoriedade de falar a cada "golada" de vinho.

Provar às cegas é um exercício narcísico, para quem realmente gosta de provar vinho e não tem medo de partilhar as sensações que retira daí com outros "convivas".

Este tema dava pano para mangas... até porque o vinho historicamente sempre teve muita espiritualidade... liberta a palavra, aumenta a sensibilidade, e quando conduzido de forma adequada, ultrapassa barreiras.

O nosso encontro anual de amigos em Penacova, meritório no nome pela banalidade do mesmo, Wine Penacova Meeting, ao longo destes 10 anos muito teve de "Wineanálise". Por isso se repete, por isso se renova, e por isso mesmo é revitalizador. E ainda não chegámos nenhuma vez à conclusão que muitas das divergências que temos, são culpa da "mãe" de nenhum! Mas também... os vinhos normalmente são "top"! As "mães" que fiquem descansadas.

Colinas Principal 2007


Característica diferenciadora: Volume e frescura

Preço: 18€


Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 17,5

Comentário: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Merlot... não é o cartão de visita da Bairrada, mas acreditem... o terroir está lá. 

Em nada é fácil, e puxa-se claramente as características mais "duras" destas castas... o Cabernet não apresenta as amiúde notas vegetais, a Touriga Nacional não vem com aqueles ventos florais enjoativos e o Merlot não cheira a "matança"! Não... 

Escuro e denso a cair no copo, os primeiros aromas são de espargos... sim, espargos verdes. Mistura estranha entre o sabor do que os espargos têm e o seu aroma.

Acetinado e com muito volume. Fresco mas com muita dimensão na prova. Austero qb. Acidez secundária a volume imediato na prova. Vinhão, comedido e claramente muito polido por barrica de muito boa qualidade. Fruta escura sem ser a actriz principal.

Sem nunca ser enjoativo, ou chato, não prima pela elegância. Vinho difícil de casar com comida... bebe-se bem a solo, mas parece-me bom para caça, ou pratos de confecção simples mas com azeite. Mas é um vinho sui generis.

Vinho diferente do que se encontra em Portugal, especialmente na Bairrada, mas muito bom. Muito bom, mesmo.

Gostei muito.

Provador: Mr. Wolf 

Stanley Vinho Regional Península de Setúbal 2008


Característica diferenciadora: Concentração

Preço: <4€


Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 16,5

Comentário: Stanley fácil!
 Adquiridos os dois (este e o de 2008 aqui publicado anteriormente), este é fácil!
Península de Setúbal (adoro vinhos deste terroir), Touriga Nacional, Touriga Franca e Syrah. Pena não ser Castelão...
Preto. Escuro e vaidoso na cor. 
Cheio de notas doces, ligeira madeira e um vegetal que lhe dá muita piada.
Muito volumoso, necessita de cave. Precisa de assentar... o que é de louvar, visto ser de 2008.
Madeira de muita qualidade e vinho para mesa de comidas condimentadas. O vinho "enche" muito. 
Não prima pela elegância, mas tem muita qualidade e é muito, muito guloso.

Vale a pena provar.

Difícil de encontrar. Comprei numa garrafeira em Benfica (Garrafeira S. João). Relação preço/ qualidade muito boa.

Provador: Mr. Wolf 

Stanley (2009)


Característica diferenciadora: Tudo é diferente neste vinho. Pinot?

Preço: 8€


Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: Não sei.


Comentário: Começar por onde? Não faço ideia... talvez pelo exercício à Tarantino de prova deste vinho... aberto Sábado à noite. Não gostei. Deixei (literalmente aberta  a garrafa) para o dia seguinte... provado com mais 3 pessoas... polémico. Uns adoram, outros ficam apáticos. Eu sou dos apáticos. Sem expressão. Esquecido (aberto) mais 2 dias... eis que chega a 4ª feira. E o vinho é bom. 4 dias aberto e mantém-se inalterável, rijo e "engomado", não há dúvidas da sua estrutura.

Então, comecemos por partes:

Adquirido na Garrafeira S.João em Benfica... em jeito de nota, foi a primeira vez que visitei esta garrafeira. Não prima pelo profissionalismo... mas tem rótulos interessantes e a preços adequados qb.

O vinho... curiosidade... ano não apresenta, nem região. 

Ataque de copo com cor de ginja pálido... perfil Pinot Noir.
Aromas... musgo, humidade, fruta pisada? Não! Nada disso. Mineral... álcool, ligeiro floral e muito, muito mineral... estranhíssimo. Podia ter notas de Touriga Nacional. No aroma. Mas o mineral da prova é blindado.

Ao longo dos dias a prova foi efectuada com atenção. O perfil é de muita personalidade e carácter... quer se goste ou não. Cor inalterável e aromas iguais! Sim... persistentes ao longo dos dias. Vinho que dá muita luta.

Aromas florais e de pedra molhada. Nada de fruta. Nada de madeira... eu pelo menos não encontro.
Boca... bom, a boca é fantástica. Estranho, mas não se fica indiferente à delicadeza e untuosidade do vinho. Muito calcário e secura qb. Nada de doçuras ou tostados... a cor muito ligeira e pálida, não avisa para a garra que tem na boca... mas é estranho. Precisa de comida.

E foi com comida adequada que se ergueu para um pódio muito especial este vinho... acompanhou um excelente Ratatui com peitos de frango grelhado, salpicados com chillis  de Moçambique onde este vinho mostrou toda a sua capacidade. Armadura de titânio para qualquer sabor, especiaria, condimento. Impenetravél na persistência e sempre, sempre como se acabasse de ser "engomado". Impressionante.

Não sei se adorei ou estranhei. Mas reconheço-lhe carácter e qualidade. A suficiente para comprar mais 3 garrafas para prova posterior... tipo daqui a 10 anos.

Vale todos os cêntimos pela diferença. Acredito que possa valer mais pela qualidade intrínseca. Mas tenho pouca experiência para o reconhecer. Vou dar-me tempo.

Provador: Mr. Wolf 




78/83 Dão e Douro


Setentas e Oitentas
Quando? Janeiro de 2013

Porquê? 

  • Porque ter memória do passado ajuda-nos a compreender melhor o presente e ajuizar sobre o futuro.
  • Porque é necessário provar vinhos adultos para "lavar a boca" dos sabores primários e evidentes do que existe hoje em dia.
  • Porque provar vinhos adultos e musculados, como estes eram, em forma, ajuda a identificar os verdadeiro aromas que as uvas dão. E por falar em Dão... 3 garrafas do Dão (78,80 e 83) e uma do Douro (83).Muito bom.


Como é que foi? 

...de 0 a 20? Muito bom... Não há escala que me apeteça encaixar a prova.

Falta uma das fotos das garrafas... um Cova dos Frades 83 do Dão.

Mas impressionou. Deu conversa sobre vinhos. Gerou silêncios. E soube muito bem, pois felizmente estavam os 4 impecáveis.

Abertura delicada das rolhas... todas elas com mais de 30 anos a cumprir a sua função.
Os vinhos, felizmente, todos impecáveis à vista.
Limpos, brilhantes ainda e rubi no caso do Grantom (83).
Aromas evidentes de evolução, embora por exemplo no Grantom era evidente ainda fruta encarnada e cor rubi muito acentuada.

No Cova dos Frades (83), os aromas iniciais eram claramente de café e algum cansaço. Após arejamento, ganhou muita finesse e acidez ainda para agarrar de forma impressionante o palato.

O Passarela... que dizer destas garrafas? Impressionante. 33 anos...cor impecável.
Acidez impressionante.
Espessura ainda e equilibrio.
Parco na fruta inicial, muitos aromas terciários, ligeira azeitona e muita, muita acidez. Fantástica forma.






Grão Vasco... Garrafeira 78. Doce. Citrico. Doce... arejado.
Cor atijolada, comparado com os outros. Doce... é a única chatice.... mas ainda com persistência e corpo.

Elegância com fartura.





O Grantom... o verdadeiro. O mítico Grantom 83. 30 anos depois, mantém fruta encarnada. Taninos vibrantes ainda e cor rubi ténue. Impressionante pela frescura, pela limpeza e pelos aromas. Bouquet impressionante.

Conde Vimioso Reserva 2008



Característica diferenciadora: Mineralidade e elegante

Preço: 18€


Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 17,5


Comentário: Vinho em prova cega em conjunto com Marquês de Borba Reserva 2008 e Leo D´Honor 2008.

Notas de barrica boa e aromas "verdes". Fresco. Nariz mais vegetal do que frutado.
Na prova de boca está muito bem. Notas de madeira "verde", estilo cedro, mas muito fresco e equilibrado. Aromas de Cabernet Sauvignon explícitas e prova de boca excelente. Apesar do tema da prova cega ser 2008, este vinho "atira-nos" para a sensação de ser muito mais novo do que os restantes. E os restantes não pareciam de todo evoluídos em demasia!

Comparações à parte e de volta ao vinho... duro de certa forma, mas elegante, sempre num registo mais vegetal e mineral do que frutado. Elegância qb e certeza de vinho para muitos anos.
Constante na prova ao longo das várias "rondas" no copo, mostrou muita personalidade e qualidade. Foi o vinho que gostei mais na prova!

Provador: Mr. Wolf 


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Quinta das Bágeiras Pai Abel Branco 2010



Característica diferenciadora: Acidez bem marcada

Preço: 18 €

Onde: Garrafeiras especializadas

Comentário: Se não estou enganado, foi em 2009 que o Mário Sérgio arrancou com este projecto de fazer um vinho com estágio em barrica usada e não em velhos tonéis, como é usual nos seus Garrafeiras brancos e tintos. Além disso, em vez das velhas vinhas usadas nos brancos de topo da casa, este Pai Abel, é feito de uma vinha mais nova, apesar de manter, salvo erro,  as mesmas castas tradicionais.

Bem, e o vinho … o vinho é muito bom e muito novo! Cheio de mineralidade, muito fresco e com uma madeira muito distante e super elegante. É claramente um vinho para guardar ou para pratos que peçam vinhos com estrutura e muita acidez. Foi exactamente o que aconteceu com a ligação que fizemos com um belíssimo Bacalhau à Minhota … perfeito! Ficamos com uma boca limpa e fresca mas com os sabores do prato claramente casados com o vinho. Depois foi a vez de o “chegar” a um Serra da Estrela “daqueles de verdade”, da Queijaria dos Lobos, e deu-se outro encontro extraordinário, com a untuosidade do vinho a ligar-se ao queijo de forma exemplar.

Acabámos com um Whisky The Antiquary 1977. Não sei porquê mas não me sai da cabeça a música "Paradise" dos Coldplay :)


Provador: Bruno Miguel Jorge