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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Mouchão 2007


Característica diferenciadora: Mouchão.


Preço: 27€

Onde: Qualquer garrafeira que se preze.

Nota pessoal: 18.5

Comentário:  Provavelmente o Mouchão que provo com menos anos de garrafa... mas não me contive.
Escuro... Rubi muito escuro com brilho de sangue vivo. 
Aroma inconfundível e único. Que delicia. Vegetal e quente ao mesmo tempo... Que hino ao Alicante Bouschet. Especiado ao fundo... Extremamente sedutor.
Nervos para provar... nunca provei nenhum tão jovem... Estrondoso! Pujantissimo, muito corpo e volume imediato, a mostrar que está a fazer-se ainda. 
Está jovem, pulsante e já muito complexo. Fechadissimo. 
Taninos a guerrear com a suavidade que só o Mouchão consegue no Alentejo. Tanto, mas tanto para dizer... Muito verde ainda, fresco qb e com uma austeridade muito british. É um portento! Quem tiver possibilidades e gosto por conhecer e aprender o que é um grande vinho e essencialmente uma grande experiência sensorial, compre por favor Mouchão. E prove. 
Obrigatório guardar.

Provador: Mr. Wolf

Chateau de Viaud-Lalande 2010


Característica diferenciadora: Espessura e elegância


Preço: 13€

Onde: Comprei na Wine-Time (on-line)

Nota pessoal: 17

Comentário:  Há que ser honesto... pelo preço e pela proveniência, estava tão confiante neste vinho que quando fui à garrafeira buscar a garrafa para jantar - nessa noite ía ser a minha companhia - trouxe logo um Lybra do Monte D´Oiro também, não fosse correr mal e não me apetecia voltar à cave... tal era a expectativa.
Cor de mediana opacidade. Muito limpo, auréola quase rosada. Rosado escuro. Bonita a expressão cromática. Bom, vamos lá ver então o "nariz que diz".
Aromas marcados por componentes mais terrosas que florais. Muita terra molhada... Primeiras chuvas pós verão, ainda com amena temperatura. É a isso que cheira. Final aromático balsâmico, alguma mineralidade e essencialmente muito equilíbrio. Harmonioso nos aromas que emana. Bom.. parece que temos vinho para acompanhar os cogumelos Portobelo que preparei para acompanhar um Cordon Bleau que estava bem bom. 

Prova de boca coerente com o início do exercício... Gradual na sua imposição, exprime-se mais pela harmonia do que pela evidência. Interessante. Pede comida e tem mais "arcaboiço" do que a experiência sensorial aromática deixaria adivinhar.

Especiadíssimo, tem uma interpretação do Cabernet Sauvignon muito distinta, extraindo-lhe o melhor carácter picante possível, bem como notas frutadas, extraordinárias pela leveza e ao mesmo tempo pela acuidade que tem. 
Que excelente vinho. Vale muito pela persistência que tem, pela largura no paladar e sempre em equilíbrio. Tem força, mas também bastante descrição. Bom vinho a muito bom preço de mercado.

Gostei, comprei mais umas garrafas pois acho que vale muito a pena pois é um bom exemplo, pelo preço acessivel, do blend de Bordéus.

Provador: Mr. Wolf

Domaine Guigal Côte-Rôtie Brune et Blonde 2001


Característica diferenciadora: Elegância e mineralidade.

Preço: 45€

Onde: On-line- Experimentar procurar no wine searcher

Nota pessoal: 18


Comentário:  Gosto dos vinhos do Rhône. É verdade. Constato isso pois sempre que bebo, apesar de não serem estonteantes para os sentidos no primeiro impacto, sabem sempre de forma estonteantemente bem... Este é um achado de E.Guigal.
96% de Syrah e 4% de Voignier. Dois solos diferentes... Brune, com solo rico em óxidos de ferro e Blonde... silico-calcário... e depois o mais curioso... produções normalmente superiores a 200.000 garrafas... enfim.
Esta de 2001 foi adquirida em leilão... pelo que desconheço a proveniência apesar da garrafa parecer impecável.
E o vinho? Cor rosada, translúcida com laivos rubi.
Aromas muito frutados,onde o que impressiona é a clarividência com que identificamos morango, ao mesmo tempo que apresenta também notas muito terrosas.
Boca perfeita, iluminada por equilibrio, fruta, e muita mineralidade. Enche sem pesar absolutamente nada. Parece sumo... no melhor dos sentidos.
Ao longo da prova apresenta casca de laranja, muito carácter mineral, sabe mesmo a "pedra"... isto para quem, como eu, quando era puto e andava à pedrada com os outros miúdos, havia sempre um ritual, não sei se por superstição ou não, tocavamos com a ponta da língua nos projécteis para calibrar a pontaria... mas o certo é que ainda sei que um resto de tijolo, sabe completamente diferente dum calhau da calçada... felizmente, em adulto, o que mais se aproxima são de facto algumas sensações em vinho como esta. Bom, pedradas à parte, o vinho é muito, muito bom. Prima pela intensidade de fruta e pela elegância.

Provador: Mr. Wolf


Luis Pato Vinha Pan 2000


Característica diferenciadora: Luis Pato + Baga + 2000.

Preço: 25€

Onde: Não sei... garrafeiras muito boas, ou leilões.

Nota pessoal: 18


Comentário:  Vinha Pan é o nome querido para identificar a vinha da Panasqueira. 8500 videiras de Baga, plantadas nos anos 80, solos argilo-calcários em encosta virada a sul. Luis Pato... compreende-se por esta apresentação inicial que provar uma garrafa destas, é além da apreciação intrínseca do vinho, beber e ver a escrever uma página de história do vinho da Bairrada da era contemporânea. Mesmo que o vinho não fosse bom, valia pela experiência empírica. Pois meus amigos e amigas... não é o caso. O vinho é muito bom.

Fino na cor, rubi grenado, muito limpo e translúcido.
Aromas imediatos de pinheiro, caruma, resina. Eucalipto. Muito mentolado. Baga no seu esplendor, quando se apruma e se torna elegante.
Como explicado anteriormente, cerca de 20 anos após a plantação na vinha da Panasqueira, em solos argilo calcários, virada a Sul, engarrafou-se este vinha Pan...Mais de 12 anos após o engarrafamento, prova-se. Ainda só com o nariz e olhos... De destacar a imaculada e belíssima rolha, a respirar saúde.
Bom, há que tocar-lhe com a língua!

Limpo de sabores, taninos "sonsos"... Não se dão por eles inicialmente, mas estão lá e pregam grandes partidas, acutilantes e alicerçados em excelentes camadas de sensações primárias mais terrosas e vegetais. Barro húmido e eucalipto.
Após uns 20 minutos no copo, despe-se de preconceitos e mostra-se a Baga como ela é.
Muito músculo e adstringência, mas também muita profundidade e frescura. Devia mesmo haver pastas de dentes com toques de baga. Comparado com hortelã, a frescura da Baga faz em 5 segundos na boca o que a hortelã não faz em 5 minutos de infusão. Deixa tudo limpo e arejado, fresco e neutralizado. Diria mais... Purificado.

Devia-se beber baga 100% pelo menos uma vez por semana. Eu tento.

Agora é esperar que venha a fruta. Demora, mantém-se a frescura vegetal, os aromas de lenha seca.
Não tem fruta... A não ser castanha, no máximo. 1 hora depois de aberto e no copo é impressionante a acidez do vinho. 
Sensação de pedra molhada, limpo e crescente. Aromas muito carnudos agora. Gordura. Uau! Que transformação. Mas sempre impecável na estrutura, tenacidade e "goma". Sim, "goma". Vincado, erguido.

É comprar, ter paciência para ajustar a temperatura ao tempo que se deve decantar para que quando se serve esteja no máximo no início a 16º (não esquecer que numa sala em casa, normalmente a temperatura social é de cerca de 22º-24º... dificilmente menos de 20º) pois no copo, em alguns minutos sobe para 18º-20º. Aqui convém bebe-lo e pedir mais do "fresco"!

É de "levar à igreja" este vinho!

Mais uma vez... Luis Pato não falha. Magnífico.

Provador: Mr. Wolf

domingo, 8 de dezembro de 2013

Château La Grande Clotte 2009


Característica diferenciadora: Um amostra bordalesa.

Preço: 15€

Onde: E-stores (wine searcher por exemplo)

Nota pessoal: 16.5

Comentário:  Bordéus, mais propriamente Lussac. Solos argilo-calcários com 80% de Merlot e 20% de Cabernet Franc. Algumas vinhas com mais de 60 anos. Michel Rolland com responsabilidade na enologia... bom, vale pela curiosidade. Na maioria destas "experiências" que faço de comprar às cegas, acabam esquecidas nas minhas memórias, pois felizmente dou-me ao luxo de escrever aqui só sobre os vinhos que gosto. Quando não gosto, não me dedico a investir tempo numa acção "negativa", muito menos a opinar sobre a qualidade do trabalho de outras pessoas. Este tive receio ser um desses casos. Foi quase.

Aroma muito fino e especiado com aromas mais expressivos de pimento. Aberto na cor, mediana concentração. 
Boca cheia apesar do registo de elegância, especiado e pimento na entrada... mantendo-se fino e elegante no fim. 
Balsâmico, algum aniz no aroma e retronasal mas muito equilibrado. 
Aromaticamente muito interessante, com fruta estilo ameixa branca, quase cítrico e com fruto seco ao mesmo tempo. Não é um vinhão de encher as medidas... em nada. Mas é um bom vinho pelo registo e equilibrio. 
Aquém no entanto das expectativas em termos de volume de boca, acidez e final...vale pela disponibilidade nas lojas do aeroporto a um preço comedido. Só por isso. 

Provador: Mr. Wolf

Curiosidades de quem nos visita! É de que país?

Achámos curioso partilhar. Vamos publicar todos os meses os países mais representativos que nos visitam e respectiva região do planeta! Em Novembro foi mais ou menos assim:

Portugal 55%
Estados Unidos 15%
Brasil 10%
Luxemburgo 3%
Rússia 2%
Alemanha 2%
França 1%
Suiça 1%
Reino Unido 1%
Vietname 1%
Outros 9%

Poeira 2008


Característica diferenciadora: Elixir de elegância e fruta.


Preço: 35€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 18.5

Comentário:  Poeira dispensa apresentações... o que não significa que se abra sem a devida preparação ou conveniente briefting... neste fórum, é um velho conhecido e sabemos bem o que abrimos quando pegamos numa garrafa de Poeira!
Escorreito e muito virtuoso no rubi com que se apresenta... há que compreender que são quase 5 anos em garrafa. Parece acabadinho de engarrafar.
Aromas sérios, masculino sem vincar muito nas expressões de fruta, o que é bom, mas mais minerais, quase com aparas de lápis... num registo sempre distinto e discreto.
É sem dúvida o perfil de vinho que mais prazer me dá. Não se evidencia logo, insinua-se e nunca "pesa" em nada. Precisa é de cave. 
Este de 2008 está a começar a ficar em forma para a mesa!
Prova de boca excelente. Está um verdadeiro hino à elegância. Fresquissimo, foi o rei da noite. Numa noite em que nem se procuravam comparações... pela disparidade de estilos à mesa, onde provámos um super Toscano, ou pelo conhecimento que já temos destes vinhos que abrimos... mas foi sem dúvida a garrafa que mais rápido acabou quando todas estavam abertas e a que melhor mais considerações de admiração recolheu dos convivas.
Depois de respirar está repleto de fruta encarnada, muita amora, e como é apanágio, acidez no ponto conferindo-lhe extraordinária elegância. Mineralidade a evitar que a fruta seja o actor principal.
É realmente "sumo", no melhor dos sentidos. Vivíssimo, equilibrado, intenso, muito homogéneo e com final muito longo. Memória de fruta muito delicada, encarnada e boa e extrema facilidade em beber. 
Maravilhoso.

Provador: Mr. Wolf


Quinta do Vale Meão 2008


Característica diferenciadora: Equilibrio e envolvência.


Preço: 55€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 18.5


Comentário:  Quinta do Vale Meão é naturalmente sinal de qualidade e uma das bandeiras do vinho do Douro e de Portugal além fronteiras. É com satisfação que conseguimos ver a consistência das apreciações que a Wine Spectator atribui a este vinho Português, sabendo no entanto dar o devido valor a isso. Ou seja, é bom pelo reconhecimento além fronteiras, pela adequação ao perfil que o consumo da especialidade mundial aprecia e pelo retorno financeiro e de construção de marca - também da marca "Douro"- que significa.
Por isto tudo, são importantes os "galardões" das revistas internacionais. De resto, para nosso barómetro, não. Não precisamos ler a WS para quando pomos o nariz num copo de Vale Meão compreendamos logo que o vinho é extraordinário!
Passando então à prova deste de 2008!

Nariz com barrica expressiva de muita qualidade. É incontornável referir que de facto a barrica em que este vinho estagia acrescenta muito vigor aromático, sem se sobrepor no entanto ao vinho na prova de boca. Não é fácil.
Vinoso, marcado ligeiramente ainda pela barrica, emergem de seguida notas florais e cedro. O nariz é muito bom, muito expressivo e vincado. Não é propriamente "elegante" no nariz... mas como é bom, admite-se.
Boca muito elegante, muito fino e polido. Marcado por Touriga nacional, muito bem no entanto na boca. Eu não aprecio muito a expressão tradicional da Touriga Nacional... são mais as vezes que me enjoam do que as que me fazem desejar! No entanto, neste caso está no limite superior do tolerável e do floral.
Na minha opinião, dos melhores anos de Vale Meão.
Extremamente elegante, fruta estilo cereja sem estar muito madura, nada cansativo e ainda a crescer garrafa. Acidez presente e taninos moderados.
Final longo. Notas finais persistentes ainda "amendoadas"... mas faz parte do estilo Douro Superior, onde o Vale Meão é sem margem de dúvidas o melhor exemplar que podemos mostrar desse património tão importante para nós.

Excelente.

Provador: Mr. Wolf