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domingo, 12 de abril de 2015

Quinta das Bágeiras Garrafeira 2000

Característica diferenciadora: Baga & 15 anos




Preço: 40€



Onde: El Corte Inglés eventualmente

Nota pessoal: 18.5


Comentário:  Que dizer dum vinho com 15 anos que quando se deita no copo está literalmente preto e opaco? Não se diz nada. Arregalam-se os olhos! E agradece-se ao Universo o estarmos no mesmo sítio e na mesma hora que aquela garrafa se abriu.
Aromas fechados ainda balsâmicos, ligeiramente mentolados. Muito sério, com fruta escura, mas são as notas balsâmicas que predominam.

Na prova de boca é magnífico.
Muito denso, larguíssimo no alcance imediato e com o equilíbrio que só os grandes vinhos conseguem ter.
Ao contrário do que é comum actualmente na maioria dos vinhos, este vinho cresce em garrafa. Literalmente.
Aqui não há amaciados de barrica, nem massagem nos taninos... Não. Há que esperar pelo tempo certo. Mas quando o tempo chega, é inalcançavel através de "festinhas" como actualmente se faz. E a Baga presta-se como poucas castas a crescer com o tempo. Que vinho! É muito, muito, muito bom. É um vinho para qualquer mesa do mundo.
Para qualquer apreciador de vinhos, que saiba que vinho não é só o estilo contemporâneo com ares de sugus de fruta, ou laivos de caramelo e baunilha, doces, com Madeira a pontapé, e suculentos. A suculência deste Quinta das Bágeiras Garrafeira 2000 vem da qualidade genuína e do tempo, duma forma que do os dois conseguem produzir... Claramente no pódio dos vinhos do ano de viragem do século. Curiosamente, o outro é Baga também e o outro - no meu pódio, naturalmente - é Barca Velha. 

Um prazer.



Provador: Mr. Wolf



domingo, 14 de setembro de 2014

Luis Pato Vinha Pan 2000


Característica diferenciadora: Classe e elegância.



Preço: 25€-30€.

Onde: Garrafeiras particulares ou especializadas.

Nota pessoal: 18.5

Comentário: Patamar de excelência de vinhos elegantes em Portugal, Luis Pato dispensa qualquer tipo de apresentações e salamaleques. 
Os vinhos são normalmente excelentes e pontualmente muito bons. 
Este Vinha Pan de 2000 faz parte do conjunto de garrafas que se apresenta em excelentes condições!  
Rolha impecável, lustrosa e imaculada na sua função de vedar. 
Cor límpida, rubi escura. 14 anos...sim, 14!
Na prova de boca tudo é expandido, largo e homogéneo! 
Nada de barrica presente, nada de frutas fáceis - muito menos tropicais... a vinha não é um resort com palmeiras e fruta tropcial...
Aqui é a acidez perfeita que pauta a prova, subtil e fresca salpicada - a equilibrar - com as notas mais maduras de fruta seca, estilo tâmaras ou ameixa muito madura, mas muito, muito ligeiras. O carácter em  evidência é vegetal, balsâmico e profundo ... esporadicamente ligeira fruta vermelha, que curiosamente oscila entre a mais madura e silvestre à medida que o vinho respira. 
O final do vinho é imenso, integrado no prazer da prova desde o início... toda prova é imensa, desde os aromas ao primeiro trago que se engole. 
Perpetua o prazer, sempre num registo muito fino, coloquial e muito sério. 
É um perfil fora de moda, mas que há-de voltar a calibrar a excelência do vinho português, ao invés do que se premeia hoje em dia. 
O perverso deste paradigma, é que quando voltarem esses tempos, provavelmente diminui a capacidade financeira para beber estes vinhos como existe hoje... ou seja, subitamente encarecem ao ritmo de 3 dígitos percentuais...
Por isso, vou ser um humilde consumidor egoísta e desejar que se continuem a premiar os perfis que hoje se premeiam... Tirem as vossas ilações. 

Provador: Mr. Wolf



domingo, 31 de agosto de 2014

Quinta das Bágeiras Garrafeira 2000


Característica diferenciadora: Sumptuosidade


Preço: 25€-30€... se encontrarem.

Onde: Garrafeiras particulares ou especializadas.

Nota pessoal: 18.5

Comentário:  Que dizer dum vinho com 14 anos que quando se deita no copo está literalmente preto e opaco? 
Não se diz nada. Arregalam-se os olhos! 
Aromas fechados, a muito esforço e cuidada espera, balsâmicos e ligeiramente mentolados.
Muito sério, com fruta escura, mas são as notas balsâmicas que predominam... que carácter único, averso à perfeição... se fosse uma pop star, era bonita com 20, 30, 40, 50 ou mais anos... sem plásticas, silicones, ou o que seja. É bom e bonito, como veio ao mundo... percebem a comparação?

Na prova de boca é magnífico. Muito denso, larguíssimo no alcance imediato e com o equilíbrio que só os grandes vinhos conseguem ter. Os muito grandes... Ao contrário do que é moda agora, este vinho cresce em garrafa. Literalmente.
Aqui não existem carícias de barrica, nem spa nos taninos... Não. Há que esperar pelo tempo certo. Mas quando o tempo chega, é inalcançavel através de "festinhas" como actualmente se faz. E a Baga presta-se como poucas castas a crescer com o tempo.
Que vinho!
É muito, muito, muito bom. É um vinho para qualquer mesa do mundo. Para qualquer apreciador de vinhos, que saiba que vinho não é só o estilo americanizado que se quer, doces, com Madeira a pontapé, e suculentos. 
A suculência deste vinho vem da qualidade genuína e do tempo, duma forma que só estes 2 vectores dois conseguem produzir... Claramente no pódio dos vinhos do ano de viragem do século. Curiosamente, o outro é Baga também é o outro - no meu pódio, naturalmente - é Barca Velha. 

Provador: Mr. Wolf





domingo, 23 de fevereiro de 2014

Luis Pato Quinta do Ribeirinho 1995


Característica diferenciadora: Classe planetária...

Preço: 20€?

Onde: Garrafeiras particulares

Nota pessoal: 18

Comentário: Há dias em que apetece não não correr riscos na escolha dum vinho. Porque apetece uma boa refeição, boa conversa e ambiente confortável. Para a boa refeição bastam bons ingredientes, cuidada confecção e algum saber...
Para a boa conversa e ambiente confortável, a sala de jantar e a companhia assumem o protagonismo para alcançar o sucesso.
Para elevar o patamar de qualidade, cabe ao vinho que deve silenciar por momentos a amena cavaqueira pelo prazer que proporciona. E foi a pensar nisso que não hesitei a escolher este garrafa... e foi o que aconteceu.
"Filha única" e amavelmente oferecida pelo meu querido amigo e entusiasta de vinho Carlos Janeiro. O meu sincero obrigado.

Rolha difícil... aroma (ao aproximar-me do gargalo) de vinho irrepreensível. Aromas imediatos a Bairrada no seu melhor. 
Balsâmico, vegetal, apesar de ainda nem sequer ter saído da garrafa.

Jorrado no copo, com tanto cuidado como expectativa... Estaria atijolada a cor?  Nada disso. 

Rubi, brilhante e cheio de vida. Escorreito. Nariz repleto de elegância, com aromas de ervas frescas, algum barro molhado e ténue eucalipto. Aquele aroma dos eucaliptos no verão no Algarve... Fresco mas ao mesmo tempo "caloroso", polvilhado de ligeirissino pó de talco. Como diria uma criança: "tão bom!"



Mas é na prova de boca que a excelência se manifesta.
Potentíssimo no carácter, no tanino, na acidez, na mineralidade. Magistral na elegância e eloquência com que se passeia pelos nossos sentidos.
 É daqueles vinhos que parece não acabar.
Se tivesse pele, não ganhava rugas... Podia escurecer com o sol e a idade, mas a elasticidade está intocável. E é exactamente isso que ele tem, elasticidade.


Tenaz na entrada de boca, estende-se em sensações numa dimensão interminável e sempre em crescendo. Não se esgota. Não.
Consegue-se beber com a pretensão de dominar e identificar a quantidade de características que tem e sensações que provoca... mas não se consegue.
Se fosse um motor, não tinha limite para as rotações que é capaz de fazer, dependendo do que se quer retirar da sua performance. Basta para isso prolongar mais tempo na prova de boca e a frescura e intensidade esgotam-nos a nós antes que o vinho se esgote a ele próprio.

O carácter acetinado de fruta que tem impressiona. Impressiona pela subtileza, mas ao mesmo tempo pela clarividência que suscita. A fruta é estilo ginja, cereja quase cristalizada, doce e espessa, mas ao mesmo tempo fina e elegante. O vinho tem uma finesse impressionante. Mas a fruta, ao contrário das modas, não é o que domina neste vinho. É o equilíbrio entre doçura, acidez e mineralidade... para não ter de destacar que tem 19 anos...
Acidez estonteante, hiper equilibrado com final muito longo, repleto de notas cítricas, acidez na despedida e mestre na capacidade de proporcionar a sensação de plenitude que muito poucos vinhos conseguem proporcionar.
Felizmente, um perfil fora de moda... Uma maturidade apreciada por poucos... Uma qualidade seguramente com pouco retorno financeiro. O que faz com que um humilde apreciador de vinho como eu o possa beber, pois com um rótulo de outro país, este vinho teria um valor astronómico. 

Estou muito grato por poder beber vinhos destes. Muito mesmo. Grato, feliz e com sentimento dum dia fechado com chave... não... rolha de ouro.

Provador: Mr. Wolf

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Luis Pato Vinha Pan 2000


Característica diferenciadora: Luis Pato + Baga + 2000.

Preço: 25€

Onde: Não sei... garrafeiras muito boas, ou leilões.

Nota pessoal: 18


Comentário:  Vinha Pan é o nome querido para identificar a vinha da Panasqueira. 8500 videiras de Baga, plantadas nos anos 80, solos argilo-calcários em encosta virada a sul. Luis Pato... compreende-se por esta apresentação inicial que provar uma garrafa destas, é além da apreciação intrínseca do vinho, beber e ver a escrever uma página de história do vinho da Bairrada da era contemporânea. Mesmo que o vinho não fosse bom, valia pela experiência empírica. Pois meus amigos e amigas... não é o caso. O vinho é muito bom.

Fino na cor, rubi grenado, muito limpo e translúcido.
Aromas imediatos de pinheiro, caruma, resina. Eucalipto. Muito mentolado. Baga no seu esplendor, quando se apruma e se torna elegante.
Como explicado anteriormente, cerca de 20 anos após a plantação na vinha da Panasqueira, em solos argilo calcários, virada a Sul, engarrafou-se este vinha Pan...Mais de 12 anos após o engarrafamento, prova-se. Ainda só com o nariz e olhos... De destacar a imaculada e belíssima rolha, a respirar saúde.
Bom, há que tocar-lhe com a língua!

Limpo de sabores, taninos "sonsos"... Não se dão por eles inicialmente, mas estão lá e pregam grandes partidas, acutilantes e alicerçados em excelentes camadas de sensações primárias mais terrosas e vegetais. Barro húmido e eucalipto.
Após uns 20 minutos no copo, despe-se de preconceitos e mostra-se a Baga como ela é.
Muito músculo e adstringência, mas também muita profundidade e frescura. Devia mesmo haver pastas de dentes com toques de baga. Comparado com hortelã, a frescura da Baga faz em 5 segundos na boca o que a hortelã não faz em 5 minutos de infusão. Deixa tudo limpo e arejado, fresco e neutralizado. Diria mais... Purificado.

Devia-se beber baga 100% pelo menos uma vez por semana. Eu tento.

Agora é esperar que venha a fruta. Demora, mantém-se a frescura vegetal, os aromas de lenha seca.
Não tem fruta... A não ser castanha, no máximo. 1 hora depois de aberto e no copo é impressionante a acidez do vinho. 
Sensação de pedra molhada, limpo e crescente. Aromas muito carnudos agora. Gordura. Uau! Que transformação. Mas sempre impecável na estrutura, tenacidade e "goma". Sim, "goma". Vincado, erguido.

É comprar, ter paciência para ajustar a temperatura ao tempo que se deve decantar para que quando se serve esteja no máximo no início a 16º (não esquecer que numa sala em casa, normalmente a temperatura social é de cerca de 22º-24º... dificilmente menos de 20º) pois no copo, em alguns minutos sobe para 18º-20º. Aqui convém bebe-lo e pedir mais do "fresco"!

É de "levar à igreja" este vinho!

Mais uma vez... Luis Pato não falha. Magnífico.

Provador: Mr. Wolf

sábado, 30 de março de 2013

Luis Pato 2004



Característica diferenciadora: Baga de consumo e capacidade de guarda

Preço: 4€


Onde: Garrafeiras especializadas ou supermercados antigos, para este de 2004

Nota pessoal: 16,5

Comentário: 100% baga! 9 anos! Esquecido numa cooperativa de distribuição alimentar... medo, muito medo, mas muita curiosidade também.

Aberta a garrafa... rolha normal. Rolha, diga-se de passagem, de qualidade que deixa bastantea  desejar, mas veda...
Alguma evolução na cor, limpa  e aberta. Rubi rosada, escuro.
Ligeiras notas de barrica ao fundo e aromas mentolados e frescos. Sim, é Bairradino sem dúvida nenhuma e tem aquele carimbo no nariz inconfundível.
Boca muito boa. Muito, muito boa... Acidez ainda bem presente, fruta qb madura, escura e elegante.
Tudo está no sítio, sendo a elegância desconcertante para os aromas expressivos que apresenta! Excelente vinho, cm excelente relação preço/qualidade esperando-lhe ainda vários anos de muita saúde na cave.

A comprar, quase todos os anos. O de 2010, tem uma percentagem de Touriga Nacional, mas é muito bom também.

Provador: Mr. Wolf 

domingo, 24 de março de 2013

Luis Pato Quinta do Ribeirinho Baga Pé Franco 2001



Característica diferenciadora: É Pé Franco do Luis Pato... isso diz tudo.

Preço: 125€


Onde: Garrafeiras especializadas 

Nota pessoal: 18,5

Comentário: Há semanas assim... por pura coincidência, na semana seguinte a provar o Pé Franco 2003 e 2005... provei também uma de 2001. Aberta no dia anterior... mas ainda assim... o meu agradecimento ao caro amigo João Chambel. Estes vinhos são dos que provocam um experiência que se retém na memória.

E como estava esta garrafa de 2001 aberta no dia anterior? Estava impecável! Com o mesmo perfil do de 2003 e 2005, sendo mais semelhante ao de 2005... cor ainda rubi, bastante limpa e viva. Aromas de Bairrada... vegetal e bastante balsâmico. Pinheiro e eucalipto. Mas com um perfil aromático de perfume, muito sedutor e que dá muito gozo apreciar os aromas.
Na prova de boca é impressionante a finesse que estes vinhos têem... não é coincidência. É daqueles vinhos que constato que quem os prove com regularidade, com alguma facilidade os identifica em prova cega. Delicadeza extraordinária ao mesmo tempo que tem muita, muita persistência.
Seco ainda quanto baste, com ligeiro licoroso, muito ligeiro, mas acima de tudo, acidez perfeitamente integrada que lhe garante ainda muitos e bons anos para quem as tiver por abrir.

Um luxo...

Provador: Mr. Wolf 

sábado, 16 de março de 2013

Quinta de Foz Arouce Vinhas Velhas de Santa Maria 2007


Característica diferenciadora: Concentração e elegância

Preço: 38€


Onde: Garrafeiras especializadas 

Nota pessoal: 18


Comentário: Os vinhos Foz de Arouce nunca enganam! São sempre extraordinários... e só um vinho extraordinário de certeza se poderia provar com os dois Pé Francos do Luis Pato num almoço...naturalmente, sem intenções de comparações, até porque nenhum destes rótulos necessita de referências de comparação para nada... valem pelo que são e têem... e se têem... personalidade própria.

Desde o ano de 2001 que os provo... ou melhor, que os bebo! 2001 mais fino, 2003 quente e concentrado, na linha do de 2005, mais duro mas excelente... e chega-nos 2007.

Muita densidade na cor. Escura. Opacidade média, mas muito limpo.
Aromas de fruta e barrica de muita qualidade, num registo bastante denso. Baga a fazer-se notar, mas num perfil diferente dos mais clássicos. Tem uma parte de Touriga Nacional no lote.
Na prova de boca é muito bom. Muita estrutura, muito polido, muito bem equilibrado e um final muito, muito longo. Para a cave obrigatoriamente... vai melhorar e muito.

Provador: Mr. Wolf 

Luis Pato Quinta do Ribeirinho Baga Pé Franco 2005


Característica diferenciadora: Intensidade, elegância, classe...

Preço: 125€

Onde: Garrafeiras especializadas e alguns Auchan

Nota pessoal: 18,5


Comentário: Após o de 2003 estar em prova... já o de 2005 repousava num copo ao lado para cada um... cor ligeiramente mais viva que o de 2003 e a expectativa ao rubro. 
Aromas ligeiramente mais "gordos"... iogurte muito ligeiro. 
30 segundos depois...Mais "bairradino" no nariz. Aqui sente-se aroma vegetal marcado, com ligeira caruma de pinheiro. Curiosamente, muito ligeiras notas de cacau também.
Ataque de boca, antes que o coração cedesse tal devia ser a excitação, e outro monumento na prova de boca. Elegância para dar, vender, alugar... o que se quiser.
Muito suculento, denso e leve ao mesmo tempo, cheio de bouquet, tem uma dimensão e profundidade na prova de boca impressionante.
Muito concentrado e confitado... sem nunca ser pesado em nada.
Taninos e acidez para muitos anos, mas perfeitamente integrados no conjunto.
Harmonia é a palavra de ordem...muito mentolado e fresco, tem uma acidez desconcertante na forma como se alinha na perfeição com a fruta fina em perfeito estado de maturação... ou melhor, quase maturação, como se deixasse sempre antever que ainda vai ficar melhor. É um exemplo perfeito de less is more no campo das notas mais frutadas num vinho. Não chega a ter fruta em primeiro plano, mas está sempre presente nos sentidos. Muito, muito bom...

Estas garrafas pecam por serem muito pequenas...

Obrigado Luis Pato por produzir estes vinhos com tanto cuidado e dedicação.

Provador: Mr. Wolf 




Luis Pato Quinta do Ribeirinho Baga Pé Franco 2003



Característica diferenciadora: Intensidade, elegância, classe...

Preço: 125€


Onde: Garrafeiras especializadas e alguns Auchan

Nota pessoal: 18,5


Comentário: Os vinhos da Casa Luis Pato marcam o panorama de consumo de vinho em Portugal desde o século passado... esta expressão pode ser aplicada a pouco mais de uma dúzia de anos, mas não é o caso de Luis Pato. 
Luis Pato, que me recorde, desde os anos 80 que transformou e "modernizou" a percepção do consumidor de vinho sobre a casta Baga. 
E nestas garrafas que ostentam a denominação de Pé Franco, provavelmente a Baga manifesta-se da forma mais elegante que conheço. É como se antes de "sair de casa" fosse vestida pela Dior e perfumada pela Chanel. 
Bom, admiradores de Baga e das suas qualidades, eu e o Bruno chegámos à conclusão que nada mais inteligente para fazer rapidamente que juntar a minha de 2003 com a dele de 2005, num bom almoço com boa companhia, e bebê-las... se juntarmos ainda um Foz Arouce Vinhas Velhas de Santa Maria 2007 que o Vasco trouxe, um Vintage Ramos Pinto 2004 e mais umas "brincadeiras", imaginam a tarde idílica que foi, não imaginam?

E assim foi... cuidadosamente abertas, lacre perfeitamente cortado, rolhas impecáveis, decantam-se cerca de 30 minutos antes de servir.

Cor no copo rubi ligeiramente translúcido. Muito limpo na cor. Aromas imediatos a perfumarem a mesa e arredores, muito colonial inicialmente, mobiliário velho, algum café... e muito, muito perfumado! Parecemos uns verdadeiros maluquinhos a provar este vinho, porque acho que umas duas vezes, peguei no copo com a clara atitude de quem vai beber para ver como harmoniza com o excelente assado que estávamos a degustar, apreciei os aromas com o copo aproximado do nariz, e pousei-o outra vez sem lhe tocar com os lábios... é verdade.

Mas aguenta-se pouco assim, por muito saciadores que sejam os aromas... e prova-se. E provado, é apenas o vinho mais acetinado que já provei.
Extremamente texturado, muito cheio na língua, cheio de pormenores e muito, muito persistente.
Mesmo na prova de boca, os aromas do vinho manifestam-se, recordando-me claramente um estádio diferente, e muito, da maioria dos vinhos que consumimos, do que é equilíbrio entre os aromas e a prova de boca. É este o exemplo. A prova de boca está claramente ligada e é uma extensão das notas aromáticas do vinho, e, o vinho em prova nunca permite que os aromas fiquem esquecidos... é talvez o melhor paradigma da expressão "pescadinha de rabo na boca" que conheço.
Provado e apreciado... finalmente surgem as notas de fruta, muito delicadas e a apresentarem uma secura inebriante que o vinho ainda tem. Ligeira cereja. Cereja do bolo-rei. Cristalizada.
Aromas constantes durante a prova, e à medida que vai respirando ganha uma dimensão de frescura impressionante. Sem ser evidentemente mentolado, manifesta-se mais fresco e balsâmico quando decantado há mais de 1 hora, sempre muito, muito, muito elegante.
A boca evolui de cetim para veludo...e com um final de recordar para sempre. E assim será, enquanto a saúde me permite guardar as boas memórias.

Espero repetir... esta é a 2ª de 2003 que provo... gostava de provar pelo menos meia dúzia!
Este vinho foi provado em conjunto com o de 2005.

Provador: Mr. Wolf 



terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Luis Pato Vinha Pan 2001

Característica diferenciadora: Elegância

Preço: 25-30€


Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 17,5


Comentário: Bom...dado o mote com um grupo de amigos para uma Prova Cega subordinada a temas escolhidos caso a caso, esta Vinha Pan 2001 foi levada para uma retrospectiva ao que foi 2001. Era o tema.

Excelente mesa para acompanhar os 3 vinhos... aguardava um lombo de porco preto assado no forno, minunciosamente confeccionado pelo caríssimo Bruno...3 decanter... minúncia na abertura sigilosa das garrafas, peculiaridades com a temperatura e, enfim, os 3 para a mesa (provado em conjunto com Quinta da Dôna 2001 e Reserva Especial Ferreirinha 2001).


Rubi escuro no copo. Elegantíssimo. Fino. Aromas comedidos inicias, num registo mais vegetal que frutado.
Principesco na boca, cheio de secura e elegância.
Algumas notas "quase picantes", com notas de pimenta.
Muito polido e sedoso na boca, apresenta-se com 12 anos em excelente forma. Redondo, mas com taninos e acidez para dar e vender... curiosamente, também se atirou de forma unânime "outro Bairrada"... tal era a carga genética deste vinho (bem como o Quinta da Dôna)... o que é estranho, pois na Prova Cega, seguir os instintos é o melhor, e se achamos que estão 2 Bairradas, devemos assumir mesmo que depois seja algo estranhamente (para nós) diferente. Mas era. E que Bairrada.

O vinho termina sempre com muita elegância, suportada mais em acidez que fruta, mas muito, muito bem.


Provador: Mr. Wolf 

domingo, 27 de janeiro de 2013

Marquês de Marialva Reserva Seleccionada Baga 2010


Característica diferenciadora: Baga!

Preço: ?


Onde: Adega Cooperativa de Cantanhede e garrafeiras especializadas

Nota pessoal: sem nota

Comentário: Como apreciador da fantastica casta Baga, é sempre um prazer conhecer um rótulo diferente de uma casa tão conhecida como a Adega Cooperativa de Cantanhede. E de facto não conhecia este Reserva Seleccionada de 2000... Obrigado caro João pela garrafa! 
Tivémos um percalço... nariz com muita rolha...
No entanto, no dia seguinte, como bom Baga que é, mantinha os aromas de TCA (tricloroanisol... responsável pelo vulgo sabor "a rolha") mas sobrepunham-se frutos vermelhos muito bons, bastante equilibrado. Seco qb, mas muito guloso. Excelente acidez.
Obrigatório voltar a provar sem rolha!

Provador: Mr. Wolf 

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Luis Pato Vinha Pan 2003

Característica diferenciadora: Elegância em Baga

Preço: 25€


Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 18
Comentário:  Outro ícone do vinho Português, fiél ao seu estilo...sempre um momento especial... e este foi um dos vinhos da Ceia de Natal cá em casa, Junto com um Bussaco Branco de 2003 e um Ex-Aequo 2008.

Bom, por partes... a rolha. Excelente, comprida e em excelente estado de conservação.
Os aromas da garrafa... vegetais. Folhas verdes esmagadas.
No copo, encarnado cereja muito bonito de média concentração. Aromas a Baga pura... sim, aquelas notas que não enganam, de Bairrada no seu esplendor.
Muito, muito elegante... muita "lucidez" na forma como emana aromas. Muito limpo e delicado. Um verdadeiro gentleman.
Nariz apaixonante... mentol e cânhamo. Menta, caruma de pinheiro verde e muito, muito elegante.
Extraordinário.
Acidez muito bem integrada e nada marcado por madeira, o que é muito bom. Final que parece não acaba... e sempre num registo de invejável elegância.

Muito bom. Vinho que fica na memória e acrescenta às boas memórias com que o Eng. Luis Pato nos prenda há décadas.
.Obrigado!Provador: Mr. Wolf 

sábado, 27 de outubro de 2012

Sidónio de Sousa Garrafeira 2000


Característica diferenciadora: Baga clássico
 
Preço: ?

Onde: Talvez no produtor

Comentário: Na última incursão por terras da Bairrada consegui comprar umas garrafas deste hino à casta Baga. A garrafa é bastante pesada (parecida, senão igual, à 1ª edição do SS Garrafeira 2005) e o rótulo é muito bonito. Gosto do classicismo! O vinho foi duplamente decantado por volta das 19h e servido pelas 22h. Quando o servi detectei-lhe algum gás (para o qual já estava devidamente avisado) e agitei-o vigorosamente no decanter e … voilá apareceu o vinho! O vinho apresenta-se com uma cor ainda bastante carregada (parece que os 12 anos de vida que leva não lhe fizeram mossa) e com um nariz muito austero, com muito vegetal e mato seco. Na boca revela-se um vinho robusto, comedido na fruta, com bons taninos (que fazem com que a prova seja já muito boa, mas tendo todas as condições para continuar a ser guardado) e com uma capacidade notável para se ligar a pratos com peso. É um vinho muito fino (parece contraditório depois de tudo o que disse … e se calhar é mesmo) e com uma frescura que o mantém sempre no registo da excelência. 

Provador: Bruno Miguel Jorge

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Sidónio de Sousa Reserva 2000

Característica diferenciadora: Bairrada Clássico

Preço:10€

Onde: Garrafeiras particulares... duvido que ainda se encontre à venda.

Nota pessoal: 16,5

Comentário: Pronto! Depois há coisas destas ainda.

Um Bairrada como deve de ser.
Uma dúzia de Primaveras e Invernos e aí está ele para a prova...12 anos.
O vinho parece que tem 4.
Negro ainda e nariz típico Bairradino. Precisa de ar... com fartura.
Decantar e temperatura adequada é obrigatório... e depois de decantado, sai-se dos aromas "fechados", madeira seca, sala onde se comeram castanhas assadas, para fruta silvestre e ainda algum vegetal, tudo acompanhado duma almofada de concentração.
É uma bomba!
Parabéns à Casa que produz este vinho e cultiva o seu adequado consumo e distribuição. Vinho fora de modas. Nem o procurem. Caso tenham a felicidade de o encontrar, e quiserem prová-lo, sentem-se e calem-se antes de o provar. Depois falem à vontade.
Este vinho se não for servido em copos adequados, não se deve tirar a rolha de onde ela está.

Provador: Mr. Wolf

domingo, 13 de maio de 2012

Quinta da Dôna 2001

Característica diferenciadora: Longevidade e pujança
Preço: 20€

Onde: Garrafeiras especializadas
Nota pessoal: 17

Comentário: Literalmente preto... manifesta ainda ligeira "bolhinha", que devia endereçar os sentidos para Bairrada... mas não. Entusiasmados na prova cega por saber que era de 2001, o que parece fácil à posteriori, na prova, é muito interessante constatar que se alguns apostavam num Douro, outros nem arriscar que fosse de região Portuguesa...
Inicialmente, impressionante pela côr, mas agressivo na boca. Sequíssimo. Vegetal, lenha.
Após respirar (todos os vinhos em prova cega são decantados), apareceu (mas demorou...) cheio de aromas de frutos vermelhos, compota e um nariz "quente". Vinhão, noutro estádio completamente diferente de evolução comparado com os outros 2 em prova. Destacou-se por isso.
Diferente no perfil dos outros Quinta da Dôna de 2001 que já tinha provado, em que a elegância, apesar de alguma rusticidade, o destacavam entre os Bairradinos... afinal, estava era muito jovem... cresce, e muito de corpo em cave.
Vinho provado em prova cega, em conjunto com o Mouchão 2001 e Quinta de Santa Eufémia Garrafeira 2001, onde o tema era "2001".
Provador: Mr. Wolf



quarta-feira, 9 de maio de 2012

Marquês de Marialva Grande Escolha Baga 2003 Selecção Cinquentenário

Característica diferenciadora: ...
Preço: 10€

Onde: Há 8 anos, nos supermercados e na própria cooperativa...
Nota pessoal: sem nota
Comentário: Nariz cansado... animal. Suor... enfim, nada animador. Estava oxidado cansado. Recordo-me das primeiras que bebi. Esta, foi-se...
Em 2005/06, quando provadas tinham uma fruta excelente e prometiam longevidade em cave... esta foi-se. É pena. Vinho apenas colocado pois foi em prova cega... normalmente, quando não apreciamos com agrado particular, não publicamos nada. Servimos para divulgar apenas o que gostamos. Neste caso, numa prova cega com mais vinhos estes azares também acontecem. E foi azar esta garrafa, pois a casa onde este vinho foi produzido tem méritos reconhecidos. Por isso publicámos.

Vinho provado em prova cega, em conjunto com o Rol de Coisas Antigas  2008 e o Termeão Pássaro Vermelho 2004 do Campolargo, onde o tema era "Bairrada/Beiras".

Provador: Mr. Wolf

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Quinta das Bágeiras Garrafeira Tinto 2003

Característica diferenciadora: Tudo!

Preço: 20€ (o de 2004, este era mais caro mas não sei quanto custa actualmente)

Onde: garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 18,5

Comentário: Enfim... depois há disto. Pode-se beber... e beber...e provar milhares de vinhos em Portugal, mas muito poucos têem a qualidade e carácter destes Garrafeiras. Ponto final, parágrafo.

2003. 9 anos. Cor escura, intransponível, limpa. Aromas imediatos de mirtilos esmagados. Frutos encarnado escuros, silvestres.
Rapidamente o nariz recebe ao lado da fruta um aroma de humidade, bosque, pinhal que acabou de chover quando está algum calor.
Lenha arrumada na garagem.
Algum fumeiro.
Erva doce e muito vegetal depois.

Cheio de coragem, enfrento a boca dele, pois conheço-os bem de outros anos e temia um néctar ainda adverso à lingua, e surpresa... cetim. Note-se que tive o cuidado de o decantar 1 hora... mas ainda assim... bom, fino e de final longuíssimo. Ficamos a salivar.
Sabor vegetal, de ervas e fruta ligeira. Vinho de inverno. Não tem nada, mas nada a ver com as modas com que o mercado Americano convidou os produtores de todas as regiões do mundo a produzirem vinhos com perfis idênticos. Nada a ver com isso. Aqui é baga pura e dura.  Alíás, o vinho é duro. Mas duma capacidade gastronómica notável. Aguenta-se com qualquer assado, picante, especiado, o que quiserem. Mas recomendo-o, por estranho que pareça com uma boa confecção de inspiração italiana, de massa, com tomate, queijo, etc. O vinho tem acidez para dar e vender, e mantém-se sempre no mesmo registo de evidência do seu perfil no palato. É a comida que se adapta a ele. É um vinhão.

Nota: actualmente, encontra-se na Garrafeira Nacional à venda o de 2004 por cerca de 20€... não desperdicem. Este de 2004, porque a maior parte das pessoas não sabe, saiu no mercado há pouco tempo, posterior ao de 2005, por exemplo. Porque estes Garrafeiras são assim... e é de louvar.

Provador: Mr. Wolf

sábado, 14 de abril de 2012

Buçaco Tinto Reservado 2007

Característica diferenciadora: Complexidade
Preço: 28€

Onde: Palace Buçaco Hotel

Nota pessoal: 18,5

Comentário: Bom... o tinto é também assustadoramente bom...cor correcta e limpa. Não é púrpura nem violeta... mas rubi brilhante.
No nariz os aromas iniciais são de café e passam para vegetal muito evidente, onde notas de alecrim seco aparecem. Nariz muito evidente, no entanto delicado, sem exageros. Notas de pele de animal.
Na boca é de uma delicadeza e textura impressionante. Fruta muito delicada, ténue mas presente. Taninos firmes mas não chateiam nada. Cremoso. Groselha. Depois de arejar, mostra-se então como verdadeiro Bairradino... seca a boca... ágil a chatear-se porque a abrimos já, quando está aqui vinho para muitos anos.
O tinto é uma experiência muito boa, apesar de a experiência do branco ser mais impressionante.

Provador: Mr. Wolf

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Quinta das Bágeiras Garrafeira 2005

Característica diferenciadora: Fora de modas, à antiga e muito, muito bom!

Preço: 25€

Onde: garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 18,5

Comentário: Vinho para Homens!

Classe pura.

Necessita de decantar pelo menos 2 horas. Servir a 15-16 º e deixar até aos 18º.

Corpo brutal, seco, vegetal, mas duma delicadeza que envergonha muitos vinhos cheios de maquilhagem como tanto existe hoje em dia.
Não se sente madeira... estranho, não é? Bestial! Fruta vermelha ao fundo e um final que não acaba. Vinhão.

Obrigado Mário Sérgio por continuar a fazer vinhos na Bairrada à Francesa...


Provador: Mr. Wolf