Translate

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Soalheiro Reserva 2010


Característica diferenciadora: Soalheiro...com Barrica... elegância.

Preço: 25€

Onde: Garrafeiras especializadas 

Nota pessoal: 17


Comentário:  Vinho mítico, fruto da consistência e qualidade ao longo dos anos.
Alvarinho, expoente máximo da acidez e equilíbrio em Portugal.

Apresentação efectuada, há que libertá-lo da garrafa para o copo.
Amarelo esverdeado... Ameno na cor, sem expressividade evidente de lágrima ou tonalidade.
Nariz no copo...delicado, maracujá ligeiro. Acidez nos aromas, contida, muito delicada. Ligeiro vegetal, relva cortada. 
Muito bem balanceado, muito delicado, 
Prova de boca a manifestar untuosidade q.b. e paladar predominantemente cítrico.
Fruta delicada, fora de modas de extravagância de aromas, fruta ou barrica, o que é de louvar. Parece-me que ganhará em porte e complexidade com cave. Muito contido para já.

Bom, mas é como andar de Porsche na A5 às 8:00h da manhã à entrada do viaduto Duarte Pacheco. Imagina-se o potencial, mas não se consegue constatar.

Guardar.

Provador: Mr. Wolf

Poeira Dusty 2010


Característica diferenciadora: Concentração.

Preço: 10€!

Onde: Eu comprei porque encontrei no Jumbo! Não faço ideia onde existirá mais.

Nota pessoal: 17.5


Comentário:  Rótulo que desconhecia. Curioso, experimentei... Feiras dos Vinhos têem destas coisas.
Cor rubi com laivos violeta de lágrima muito escorreita.
Limpidez e densidade acima do comum.
Chegado o nariz ao copo, aromas verdes, com muita especiaria e fruta muito discreta. Muito discreta mesmo. Presente no entanto...Fruta a assemelhar-se a framboesa e mirtilos. Fruta escura, quase madura ainda que suculenta. Aromas de Vintage novo, ainda que ténues, mas "violetas" e vincadas.
Aqui, neste vinho não há facilidades de aromas de barrica, muito menos doçuras e tostados. Há sumo brotado dos cachos, vinificado de forma exímia.
Terroir à parte, a clarividência e cristalinidade dos sabores e texturas faz-me lembrar alguns Chateauneuf du Pape quando são adolescentes. Já apresentam fruta, mas claramente necessitam de tempo.
Este vinho pode beber-se já sem problema nenhum... Pede é pratos a sério. E copos.
No entanto, este vinho precisa claramente 2 a 3 anos de estágio. No copo, quando "abre", tem um crescimento assombroso com muita groselha e fruto agora mais vivo a surgir em primeiro plano... E com a vantagem de acompanhar sempre com uma acidez desconcertante.
Ligeiro amargo  (imagino da Touriga Nacional) a desiquilibrar um pouco. Pode ser que acalme com o tempo.
Muita elegância, apesar de verde ainda. Quando respira ganha muita elegância e harmoniza-se.

A provar de novo daqui a alguns meses. Vinho para a cave.

Provador: Mr. Wolf

Stanley Aragonez 2005


Característica diferenciadora: Less is more.

Preço: 8€

Onde: Garrafeiras especializadas.

Nota pessoal: 17


Comentário:  Sempre que provei um vinho "Stanley", nunca fiquei indiferente. Normalmente pela relação preço/satisfação.

Considero que não tenho capacidades para avaliar a qualidade dum vinho, nem empíricas e muito menos técnicas. Mas tenho a capacidade para avaliar se a minha experiência é boa ou não! Provo porque gosto de provar. Umas vezes corre bem, outras nem tanto. Serve sempre para cozinhar, ou pelo menos quase sempre, mas desses não se escreve aqui. Neste site, só escrevemos sobre o que gostamos.

E gostei muito deste vinho da "Estremadura".... Fundação Stanley Ho. Ao googlar, associa-se à Fundação Oriente. Bom... só queria saber detalhes sobre o vinho. Desisti.
Voltando à garrafa, pelo que compreendo, diferentes anos dão origem a diferentes blends e rótulos.

No copo apresenta-se muito opaco, escuro e limpo.
Aromas licorosos, estilo mon cherry. Licor e cereja.
Ligeiramente mineral. Ligeira baunilha. Unidireccional. Tudo é aparentemente "ligeiro", mas muito bom.
Consistente na prova de boca onde confirma o aroma. Sensação doce. No entanto, muito equilibrado e bem balanceado. Taninos muito ténues, mas presentes. 
Acidez patente mais no final de boca do que no início. Adstringência ainda presente e muito bem-vinda. 

É impossível ficar indiferente, tem carácter e tem muita finesse. Gostei. Vou comprar mais.

Provador: Mr. Wolf

Fonte das Moças 1999

Característica diferenciadora: Torres Vedras!

Preço: 4€

Onde: Garrafeiras especializadas... mercearias antigas, quiçá.

Nota pessoal: 16 - pela capacidade de envelhecimento.


Comentário:  Por onde começar? Talvez pelos louváveis 12,5% de graduação alcoólica. Penso que são dispensáveis comentários sobre as comuns graduações alcoólicas actuais em Portugal (e não só em Portugal...)e perfis associados. Mas a culpa é nossa, pois somos nós os consumidores que assinalamos com a compra, se valorizamos os exageros que se produzem hoje em dia, ou não.
Eu, pessoalmente, tenho preconceito com a maior parte das graduações que vejo superiores a 13º.

Continuando... Fonte das Moças é um rótulo pelo qual tenho especial apreço. Conhecio-o através do Gonçalo... Sim, Gonçalo, da Casa da Ribeira. Partilhava a produção deste vinho com o enólogo João Melicias, e os vinhos eram surpreendentes. Várias garrafas bebi ao longo dos anos, seja do Branco de 2006, seja do Touriga Nacional da Casa da Ribeira. Memórias. Nada mais do que isso. A parceria dissolveu-se e hoje, que eu conheça, existe o Fonte das Moças Reserva 2004 (publicado neste espaço) e pouco mais... Desta forma, é muito bom voltar a provar uma garrafa destas, 14 anos após entrar na adega em forma de uva...

Cor de barro escuro, limpo e de opacidade média.
Aroma de pedra molhada, algum lagar e notas de café em grão. Limpo de aromas também, muito expressivo no que tem.

Prova de boca excelente. Adequada intensidade para a idade que tem. Não surpreende, mas cumpre integralmente. Não nós podemos esquecer que este era um vinho de pretensão modesta, apesar do cuidado processo de vinificação. 
Castelão, Touriga Nacional e Tinta Roriz.
Muito elegante, parco na acidez e fruta, mas delicioso. Excelente para prova já e sem sinais de não poder estar mais uns bons anos em cave...
No entanto, está muito bem agora. Beba-se com pratos de confecção morosa e apurados. Ele aguenta!

Provador: Mr. Wolf

Quinta de Foz de Arouce Tinto 2007


Característica diferenciadora: Foz de Arouce.

Preço: 12€

Onde: Garrafeiras especializadas e alguns hipermercados.

Nota pessoal: 16.5


Comentário:  É sempre com prazer que se abrem e provam estas garrafas... mesmo que não seja o vinho mais cuidado da casa, ou seja o Vinhas Velhas de Santa Maria.
Esta garrafa estava impecável, ainda a demonstrar muita juventude. O vinho apresenta-se ainda muito escuro, opaco... Rubi, opaco e sanguíneo.
Nariz lácteo, com aromas de carne... claramente jovem e a "dar a volta". Abri-la, foi como acordar de repente passadas 3 horas de termos adormecido. Há que dar-lhe tempo para se recompor.

No copo. com devido tempo e estando a temperatura adequada, os aromas iniciais dão lugar a notas de eucalipto e ténue fruta... 2007 é um ano para deixar descansar ainda.

Parece-me muito evidente para a maioria dos vinhos que tenho provado nos últimos meses da respectiva colheita. Apesar de bom, esta colheita necessita repouso.

E este não foge à regra. Se o encontrarem à venda, comprem! Se o têem, contenham-se... e esperem no mínimo mais 3 anos. Se a encontarem já aberta, cuidem de o beber a 18º no máximo e dêem-lhe no mínimo 1 hora de descanso após decantar.

Depois encontrarão a finesse e carácter, numa dinâmica pouco comum em Portugal como se encontra nesta Casa.


Provador: Mr. Wolf

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Crozes-Hermitage Alain Graillot 2011

Característica diferenciadora: Tudo. Explosivo e elegante.


Preço: 24€

Onde: On line (sites diversos), Niepoort Projectos, El Corte Inglés, Lavinia.

Nota pessoal: 18

Comentário:  Andava "mortinho" por abrir esta garrafa, mesmo sabendo que provavelmente abri-la agora é a mesma coisa que por gostar muito de diospiros, atrever-me a trincar um mal fique "alaranjado"... corre mal, claro. Bastava mais um pouco de sol e a sensação de adstrigência máxima e rusticidade na boca transformava-se naquele fruto de suculência e açucar meloso tão especial. Pois, mas todos os que gostam de diospiros seguramente já o provaram "verde"... se calhar por isso depois, e pelo trauma que é, o adoramos tanto quando o provamos maduro!
Com os vinhos, gosto deles "maduros", mas provo sempre uma "verde". E andava muito curioso para provar este.

Especiado nos aromas que nos invadem à mesma velocidade que conseguimos processar a cor: púrpura. Em relação à cor, nem me atrevo a caracterizá-la mais. É púrpura. Lágrima muito persistente.

Explosão aromática... muita evidência de pimenta branca. Fruta roxa. Cheira a adega... aquelas salas de estágio em barrica onde repousam. E este é estagiado só em barrica nova. Notas de Porto Vintage acabado de engarrafar, se atentarmos às notas de fruta.

Bom, o painél de aromas faz lembrar a mala do Sport Billy - para quem quiser matar saudades: https://www.youtube.com/watch?v=fAwTUXENFj0 - ou seja, quem não sabe o que é, o Sport Billy era mais impressionante que o MacGiver... da sua mala saía tudo o que fosse necessário para os desafios que tinha pela frente, fosse uma caneta, uns sapatos que o faziam voar ou um avião. Era indiferente. 

Este vinho, em relação aos aromas é mais ou menos a mesma coisa... passamos pela pimenta branca de expressividade impressionante, fruta escura sem estar muito madura, algum figo, barrica e depois uma frescura semelhante a alfazema seca que delicia os sentidos. 
Madeira verde, esclarecida e vincada. Tudo claramente por casar. 
Sisudo no entanto. Vinho que nos coloca em sentido, pois apesar de todos os aromas serem muito evidentes, está claramente fechado. 


Bom, vamos lá então à prova de boca.
Muito intenso. Vinho claramente na adolescência... No entanto, atinado apesar do ímpeto que tem.
Muito concentrado sem ser pesado. Extraído, provavelmente puxado pela maceração de cerca de 20 dias, conforme investiguei no site do produtor...Químico e vegetal com fartura. Verde. Muito verde... Muito perfumado no entanto. Equilíbrio no caos explosivo ainda de texturas e sabores. Este vinho dá trabalho a provar. Mas dá muito prazer e é um excelente vinho, apesar de tudo, acessível. É necessário interpretarmos e atribuir simbolo às sensações que os sentidos experimentam. É uma muito boa experiência.
Roxo no sabor... sim, é como o consigo adjectivar. Muito roxo. Bagas silvestres de framboesa. 
Final repleto de pimenta branca. Língua e palato parece que acabaram de deitar pimenta branca directamente nas papilas gustativas. Impressionante. 
Muito verde, delicado mas muito potente e muito clarividente.
Barrica muito expressiva.

Comprar, guardar e ir provando, mas daqui a uns 5 anos no mínimo...

Provador: Mr. Wolf

Caves Solar São Domingos 1980


Característica diferenciadora: 33 aninhos...

Preço: Não faço ideia.

Onde: Garrafeiras especializadas ou particulares.

Nota pessoal: 17

Comentário:  Caves do Solar de S.Domingos... há quase 8 décadas a produzir produtos de qualidade, e percebe-se porquê. Fora das tendências de procurar vinhos mal saem, ou pior, sem sequer ainda terem saído para o mercado, esforçamos-nos por frequentemente calibrarmos o nosso paladar, provando vinhos que pela sua evolução e qualidade, nos mostram o que são vinhos com "V" grande... e este é um deles. Colheita. Exacto. Colheita...

Rolha humida, no entanto adequada na sua função, mas húmida. Medo.
Cor iodada, limpa no entanto.
Aromas iniciais desagradáveis. Fruta podre.

Decante-se.

Pouco sedimento, limpíssimo.

Aromas de óleo...não... aromas de pizzeria, sim... Aromas de pizzeria daquelas de forno de lenha, mistura de pão com tomate e orégãos em forno de lenha. Estranho!
Mais um tempo no copo e surgem notas florais. Rosas vermelhas.
Fruta secundária, a fazer lembrar Figos de São João. Quente no aroma.
Prova de boca surpreendente.
Directo no açúcar que ainda tem, persistência e muito equilíbrio. Nada de sabores ou aromas estranhos que desculpemos por questões relacionadas com a idade.
Muito adequado em notas de xarope, café, e curiosante algum cítrico. Limão.
Naturalmente, é um vinho já delicado e com fragilidades, mas bom e ainda vivo.

33 anos... acabo como começo. E acreditem... estas provas, renovam e calibram-nos.


Provador: Mr. Wolf

José Maria da Fonseca Alambre 10 Anos


Característica diferenciadora: Alambre. Acho que é suficiente.

Preço: 20€

Onde: Garrafeiras especializadas ou na loja da José Maria da Fonseca em Azeitão.

Nota pessoal: 17


Comentário:  José Maria da Fonseca dispensa qualquer tipo de introdução. Basta "googlar" e ler... O vinho Moscatél faz parte do pódium do nosso espólio vinícola, e é na minha opinião pouco acarinhado pelos Portugueses e consequentemente, pouco consumido. É pena. Mas como tudo, há-de chegar o seu tempo outra vez. Enquanto isso não acontece, nós, consumidores mais atentos e criteriosos, lá nos vamos deliciando com este fantástico vinho.

Este moscatel Alambre 10 anos é uma relação preço / qualidade (elevadissima) imperdível!
Cor de bronze pálido, cristalino e muito vivo.
Fora de exageros aromáticos, apresenta ao abrir algumas notas de barro acompanhadas de flor de laranjeira. Muito apelativo, sem notas de alcóol evidente, nem exageros de doçura aromática.
Engomadíssimo na prova de boca, longe das untuosidades extremas da maioria dos moscatéis de consumo.
Cristalino também na prova, fresquíssimo e muito assertivo. E ainda bem!
Não se pretende num 10 anos complexidades românticas! Quer dizer, podemos encontra-las, mas é muito directo e fino. É assertivo e vai directo ao que é bom!
Casca de laranja delicada, algum chá e densidade qb. Nada de exageros. Assertivo sim, exagerado não.
Muito elegante. Excelente produto, para qualquer mesa do mundo.

Provador: Mr. Wolf