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domingo, 13 de outubro de 2013

Mouchão 2000


Característica diferenciadora: Mouchão... com mais de uma dúzia de Primaveras em garrafa.

Preço: 30€

Onde: Garrafeiras especializadas... ou por sorte em restaurantes!

Nota pessoal: 18.5


Comentário:  Mouchão... é Mouchão. Ponto final, parágrafo.

Pode-se discutir o perfil, o preço, a elegância, o que se quiser... mas a verdade é que quanto mais estas garrafas (e eu...) envelhecemos, mais prazer retiro ao apreciá-las. À expectativa de prazer que normalmente acompanha o momento de abrir uma garrafa de Mouchão, juntou-se o efeito surpresa! É verdade... numa noite em casa a provar uns vinhos adquiridos nas Feiras de Vinhos, eis que salta para a mesa esta preciosidade, partilhada por bom amigo. Obrigado!

Cuidadosamente retirada a rolha, impecável a olho nú, cuidadosamente enchemos os copos com o precioso néctar.
Literalmente opaco. Rubi alcatrão... não existe? Existe, existe... É produzido com Alicante Bouschet... Impressiona a cor.

Nariz apontado ao copo e a frescura dos aromas é impressionante.
Alguns aromas de cereais, pó... aromas mais terrosos. Ouviu-se um "Cheira a milho!"... não sei bem a que cheira o milho, mas percebo. Mas num registo muito fresco e nada "asfixiante" como alguns terrosos podem parecer. Bom, há que deixá-lo respirar.
Prova-se.
Boca possante, volumoso, muito volumoso revestindo o palato com o doce do Alicante tão especial nesta casa.
Extremamente complexo e muito fresco, deixa um final quase cítrico a fazer lembrar casca de laranja. É impressionante a juventude e ao mesmo tempo maturidade deste vinho. Está muito bom para prova já e não vira a cara a mais uns anos de cave seguramente.

Nariz outra vez no copo e a brisa de aromas continua a impressionar. Alguma fruta vermelha discreta com notas vegetais e terrosas sempre presentes. Especiado mas sempre muito elegante, e na boca, ao longo da prova surpreende sempre pela frescura que tem e pelo final muito longo e fresco. 
Acidez perfeitamente integrada, que dá para para vender, sem evidências de barrica e muita harmonia e suculência. Esta garrafa, apesar dos seguramente 12 anos em garrafa que já conta, ou perto disso, continua numa forma exemplar a mostrar que um grande vinho, necessita naturalmente de cave para se mostrar a sério.

Exelente! 



Provador: Mr. Wolf


Quinta do Noval Maria Mansa 2007


Característica diferenciadora: Densidade.

Preço: 5€

Onde: Garrafeiras especializadas ou distribuição (Makro)

Nota pessoal: 17


Comentário: Mantém-se em grande forma! 
Excelente vinho a preço quase simbólico. O vinho está escuro e denso, muito fechado ainda no aroma. Pede decantação prévia, ou cave...
Escuro nos aromas também, com fruta escura discreta, notas florais vincadas (parece-me de Touriga Nacional expressiva) e claramente a "dar a volta".
Muita estrutura, taninos presentes e vigorosos e muita pujança... tudo isto, por um preço a rondar os 5€. 
Sem publicidade, discreto é sempre um valor muito seguro para a mesa ou para a cave. As de 2007, guardem-nas mais um bom par de anos.

Provador: Mr. Wolf

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Dory Reserva 2010

Característica diferenciadora: Acidez/frescura (Torres Vedras “terroir”?)

Preço: 10€ (5 euros nas Feiras de Vinho)

Onde: Feiras de Vinhos do Continente e El Corte Inglés

Nota pessoal: 16,5/17

Comentário: Eu gosto dos vinhos da Adega Mãe. O branco colheita, os varietais de Chardonnay, Viognier, Viosinho e Alvarinho e o Reserva Tinto de 2010, são vinhos que me dão prazer a beber e que me fizerem companhia durante o tempo mais quente (os brancos). Mesmo o Chardonnay e o Viognier, castas já por si mais “pesadas”, mesmo fermentadas em madeira, apresentam uma frescura e uma acidez muito interessante, que espevitam o vinho e o tornam sempre muito prazeroso à mesa. O Viognier tem a ganhar com alguma tempo de cave, porque ainda se sente muito a tosta.

Bem, mas hoje não estamos virados para os brancos … ficam para um outro dia! O Dory Reserva tinto, quando custava 10 euros já era um tinto que dava muito prazer a beber. Agora que custa 5, é para comprar à caixa. Foi o que fiz e que voltarei a tentar fazer, se ainda o encontrar.

Apresenta-se escuro com uma ligeira aureola ruby. No nariz, sobressai a madeira, e à primeira podemos pensar que vamos beber mais um daqueles vinhos achocolatados e docinhos. Felizmente isso não se confirma! Continuando … químico, algumas notas de farmácia. Boca com fruta preta e algum vegetal. Passado algum tempo, surgem-nos notas de pimenta e alguns taninos mais aguçados a disserem de sua justiça e a aconselhar alguma calma no consumo do vinho. No final da refeição, mostrava-se mais proporcional e arrumado, mas, sem nunca ser um vinho aborrecido, porque, tal como os seus “irmãos” brancos, também ele tem uma belíssima acidez e frescura, tornando-se, por isso mesmo, um amigo da mesa. Vinho que enche a boca e que se prolonga.


Provador: Bruno Miguel Jorge

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Taylor´s Vintage 2003



Característica diferenciadora: Pujança dos taninos (assegurando uma longa vida em cave)

Preço: 70€

Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 17 (facilmente esta nota subirá. Daqui a 10 anos, quando este vinho se abrir ao Mundo, a pontuação será bem diferente e bem mais elevada)

Comentário: Esta foi a minha primeira vez com um Vintage clássico da Taylor´s! Expectativa elevada, não estivéssemos a falar de um ano de muito boa memória para o Porto Vintage, como foi o de 2003.

Tendo em conta que, nos Vintage novos, a fase dos 10 anos pode ser um bocadinho ingrata, decidimos que o tínhamos de arejar bastante por forma a contrariar a tendência natural de “fechado para obras”.

Assim, no início do almoço, o vinho foi decantado cuidadosamente, e logo aí deu para ver uma bonita cor escura mas não opaca, com uns tons rubi muito bonitos.

Deixámo-lo a descansar durante cerca de três horas e fomos “atacar” um Bacalhau Espiritual que acompanhou lindamente um Cartuxa branco de 2011 que, diga-se, en passant, está num momento de forma extraordinário! A boa fruta madura, bem como o corpo cheio e cremoso que o vinho apresentava, ligou lindamente com as das natas do Bacalhau Espiritual.

… mas a nossa cabeça continuava no Taylor´s …

Entretanto, começaram a chegar à mesa os queijos e os doces e a inquietação foi crescendo, até que … as primeiras gotas começam a cair nos nossos copos.

Este 2003 apresentou, tal como descrevemos em cima, uma cor escura mas não opaca, que nos fez lembrar “sangue de boi. No nariz, o vinho apresentou-se, tal como esperávamos, fechado, pouco claro, com algum floral, fruta preta fresca em fase de transição e nuances de Bolo Madeira. A boca é cheia e poderosa, sem ser esmagadora, onde se descortina facilmente uma nota vegetal e um conjunto absolutamente monumental de taninos de uma fineza desconcertante. O final é longo mas não é, ainda, extraordinariamente complexo.

Este já foi um grande vinho com toda a certeza, há-de vir a ser um Vintage monumental, mas, neste momento, é apenas um muito bom vinho com um potencial colossal!

Provador: Bruno Miguel Jorge

Manoella 2011



Característica diferenciadora: potencialidade em evidência para ser um belíssimo vinho daqui a uns 2 ou 3 anos

Preço: 11€

Onde: El Corte Inglês

Nota pessoal: 16,5 (dentro de 2 ou 3 anos será um 17 ou 17,5)

Comentário: Foi com muita vontade e expectativa que me atirei a este Manoella. Tinha tido um encontro fugaz com o 2010, à relativamente pouco tempo, e tinha ficado bastante bem impressionado (ainda mais vindo o vinho de um ano que se diz ser menor). No entanto, e por comparação com o 2011, achei-o muito mais pronto a beber e com menor potencial para evoluir em cave de forma positiva.
 
Apresenta-se com uma cor violeta carregada. No nariz, as notas da barrica ainda se apresentam com muito predominância, secundadas por algum floral da Touriga Naciona (mas sem cansar nada). Na boca é cheio sem ser gordo e espalhafatoso. Está todo muito certinho com as suas notas de fruta preta, violeta e um toque floral a dar elegância e distinção. Surge no final de boca uma nota vegetal, tão típica dos verdadeiros Douro, e que muito me agradou. A amparar tudo isto temos uma estrutura de taninos densa, ainda um bocadinho aguçados, mas muito finos. Boa acidez, boa frescura e um comprimento de boca longo, mas que ainda não é extraordinariamente complexo.

Recomenda-se a compra de uma caixa, abrindo uma garrafa para conferir o estilo, e as restantes para ir abrindo a partir de 2016.

Nota: A mim, já não me apanham mais no Pintas Character (em abono da verdade, já me apanhavam pouco!).

Provador: Bruno Miguel Jorge

sábado, 5 de outubro de 2013

Quinta do Monte D´Oiro Reserva 2007


Característica diferenciadora: Elegância

Preço: 30€

Onde: Garrafeiras especializadas.

Nota pessoal: 18


Comentário:  Denso e escuro. Muito escuro. Fechado no nariz...
Decantar é obrigatório.
Aromas de carácter mais animal imediatos. Pêlo de animal. Há que esperar.
Não se procure nestes vinhos exuberâncias de barrica, fruta, ou expressões neuróticas do que quer que seja. Esperem-se sim vinhos que se bebem com muito prazer, sem nunca pesarem e que aparentemente são "simples". Mas não são. Há aqui muito trabalho e qualidade para que o resultado tenha esta personalidade tão única como os Reserva da Quinta do Monte D´Oiro nos acostumaram.

Prova de boca cheia de fruta encarnada, viva e sem estar muito madura. Acidez fina e taninos hiper polidos e "arrumados".
Simples de entrada na boca, complexo quando sai. Muito complexo. Muita estrutura e taninos firmes que crescem ao longo da prova.
Precisa muito de ar. Cresce muito. Ganha muito volume e complexidade.

O que impressiona mais neste vinho é sem dúvida a elegância e a capacidade que demonstra para nunca cansar durante a prova. Muito gastronómico e cheio de pormenores, sempre em redor de fruta encarnada, algum picante e uma acidez crescente que lhe dão muito volume. Ganha grip à medida que respira.
Acidez, barrica e taninos muito bem integrados convivem com muita vivacidade e fruta muito boa.

Na minha opinião, apesar de estar muito bem para consumo imediato, é de guardar e ir provando ao longo dos próximos 10 anos. A fruta que o vinho tem necessita estágio para se emancipar, e a elegância e estrutura de taninos garantir-lhe-ão seguramente provas de luxo nos próximos anos.

Provador: Mr. Wolf


Quinta de La Rosa Reserva 2007


Característica diferenciadora: Potência

Preço: 30€

Onde: Garrafeiras especializadas.

Nota pessoal: 18


Comentário:  Denso e muito escuro. O vinho impressiona pela sua tonalidade cromática, espessura apreciável e opacidade.
Quando lhe pomos o nariz em cima, a expectiva de aromas quentes, frutados e licorosos - era a minha expectativa face à cor dele - surpreendemente temos aromas quentes, mas mais vegeitais do que de fruta...Aromas de chá Earl Grey. Sim, isso mesmo. Aquele aroma que o chá emana quando arrefece. Muito bom.
Na boca sim, comprova o perfil que tanto caracteriza alguns dos excelentes vinhos que o excelente e mítico terroir do Pinhão produz. Muito concentrado e licoroso, notas de ginja sem nunca ser doce em demasia. Ginja e cereja. Muito potente e com muito volume na boca, consegue no entanto ter acidez e frescura que evitam que se torne pesado na boca. Apesar das notas de licor, dá prova de sensações mais terrosas também. Muito bom.

Excelente vinho, nem sempre com o lugar nas garrafeiras particulares que merece, por ser um excelente representante dum perfil clássico do Douro contemporãneo, consistente na qualidade ao longo dos anos e cheio de personalidade. Muito bom, muito fresco e muito potente. Para guardar à vontade muitos anos.

Provador: Mr. Wolf

Quinta do Monte D´Oiro Syrah 24 2007


Característica diferenciadora: Elegância.

Preço: 45€

Onde: Garrafeiras especializadas.

Nota pessoal: 18.5


Comentário:  Syrah 24 da Quinta do Monte D´Oiro é um dos meus vinhos Portugueses preferidos. Essencialmente porque é muito bom e sabe muito bem, desde a primeira à última gota.
Cor ainda impenetrável. Escuro, limpo, com tons rubi escuro.
Aromas de fruta encarnada, estilo morangos. Sem muita doçura, mas muito expressivos.
Na prova de boca é muito interessante a delicadeza e a leveza que o vinho tem. Parece sempre que "vai acontecer qualquer coisa", mas não vai. Está lá tudo na devida proporção e extremamente bem equilibrado. É impossível enjoar deste vinho.
À medida que o vinho "respira", ganha incríveis notas aromáticas de alfazema e alecrim. Eu acho que o que define este vinho é a delicadeza e aptidão para nos surpreender com a expressividade aromática que tem, ao mesmo tempo que é ímpar na forma harmoniosa com que nos silencia quando se prova na boca.
Como excelente vinho que é, apesar de 6 anos, está em crescendo evidente. E isso vê-se ao longo da prova. Necessita de tempo. Seca ainda a lingua, o que é agradável pois garante alguma frescura, muito difícil nesta casta onde facilmente as notas de cacau e afins se sobrepõem ao conjunto. Nesta caso não. Ligeira azeitona, pimenta preta e "umas pitadas" de pimento, que nada chateiam.
Estrutura muito boa, assente em taninos finos, barrica de muita qualidade sem marcar a prova e fruta estilo morango e em alguns momentos de ameixas escuras, doces... mas sempre sem cansar nada.

Muito, muito bom.

Pimenta preta e ligeira pimento no final.

Provador: Mr. Wolf