Translate

sábado, 30 de março de 2013

Arcadie Côtes du Roussillon Villages 2007


Característica diferenciadora: Especiado

Preço: 15€


Onde: Garrafeiras especializadas 

Nota pessoal: 16,5


Comentário: Provar vinhos provenientes de regiões fora de Portugal é sempre um exercício recomendável. E este Arcadie é sempre um prazer. É a última das garrafas que adquiri há uns anos na garrafeira a Quinta do Saloio no Estoril.

Feito com Grenache, Syrah, Mourvèdre e Lladoner Pelut, é negro na cor ainda e apresenta um nariz de fruta muito madura, escuro tipo ameixa.
Corpo com equilíbrio e acidez ainda presente, grosso e ligeiramente seco com final com notas de cacau em maior evidência.Precisa de ar.
É mais "colonial" que frutado. Notas de madeira seca, mobiliário velho, mas essencialmente muito especiado no palato.

Interessante e bom. Comprado numa promoção stock off, não sei o seu preço exacto.

Provador: Mr. Wolf 

terça-feira, 26 de março de 2013

Quinta da Pellada 2007



Característica diferenciadora: Equilíbrio (potente)

Preço: 25€

Onde: Garrafeiras especializadas

Comentário: Este vinho, o Quinta Dona Basilia Old Vines Premium e o Dona Maria Reserva 2007, foram os vinhos escolhidos para comemorar o aniversário da minha mulher! O único senão é que ela não bebe uma gota de vinho!!! Mesmo assim, é sempre uma boa ocasião para beber ou voltar a beber alguns vinhos que estão na garrafeira e perceber como estão a evoluir.

Este Pellada de 2007 foi uma estreia. Tinha bebido recentemente o Pape do mesmo ano e encontrei-o num momento de forma formidável. Fiquei curioso de perceber com estaria o Pellada … e assim foi!

Cor carregada mas não opaca. Notas florais amparadas por fruta preta e uma madeira muito bem integrada. Na boca é denso, encorpado, com uma acidez viva e taninos poderosos mas muito cooperantes. Depois de algum tempo no copo surgem mais em evidência as notas da Touriga Nacional, mas tudo num registo de grande equilíbrio e contenção. Termina muito longo, fresco e com grande potencial de vida em cave.

O vinho acompanhou um belíssimo cabrito assado no forno, feito pelo meu cunhado João, que se apresentou tostadinho por fora mas muito húmido e suculento por dentro. Obrigado João pela magnífica confecção do cabrito e pelo Pellada 2007

Provador: Bruno Miguel Jorge

domingo, 24 de março de 2013

Quinta das Bágeiras Garrafeira Tinto 2008



Característica diferenciadora: Baga tradicional.

Preço: 25€


Onde: Garrafeiras especializadas (eventualmente nos supermercados Intermarché, pois vendem os Colheita)

Nota pessoal: 18

Comentário: Quinta das Bágeiras é sinal de tradição, terroir e genuinidade a fazer vinho no coração da Bairrada. É Português e produz-se em função das suas melhores práticas... Portuguesas. Pena é que exista, em quantidade menos do que o desejável, Portuguses a saberem o que é vinho "a saber a vinho Português" e não a sumo de fruta e demais essências. Mas são sinais dos tempos, que felizmente, estão a mudar. 
Pode-se conhecer ou não o estilo destes Garrafeiras... mas é impossível não apreciar. São sempre vinhos de muito carácter, muito vigor e de prova de boca marcante.

Este Garrafeira Tinto 2008 impressionou-me em Novembro pela garra que tinha e pelo facto de ter já aptidão para se deixar beber. Voltei a provar agora, para tirar as dúvidas.

Escuro na cor, quase opaco, mas muito vivo e de cor muito bonita, quase púrpura nos reflexos. Rubi escuro, limpíssimo, vivaço.
No copo - usei os copos Riedel específicos para a Borgonha ao invés dos habituais Syrah cá da casa - a limpeza de cor, opacidade adequada a um Baga e a bonita cor, não deixam adivinhar o verdadeiro Samurai que está lá dentro!

Cheira a Bairrada... nem sei se não é a Bairrada que cheira a Bágeiras... pois estes vinhos têem sempre vincadas as características mais dominantes de como deve ser um Baga contemporãneo. 
Vegetal, verde, cedro, resinas, bosque... e muitos mentolados... faz lembrar aquelas cápsulas dos eucaliptos tão generosas em aromas frescos. Quase desentope o nariz mais obstruído... isso é que era... ter vinho deste a ser aviado em Farmácias, de preferência sob prescrição e comparticipado pelos seguros de Saúde. Isso é que era conversa.

Na prova de boca é um verdadeiro guerreiro! Assumidamente Baga, destemido, vinhas com mais de 75 anos, solo argilo-calcário,  sem desengace e estágio em barricas avinhadas... querem mais o quê? 

Já pronto para se beber, embora a decantação seja obrigatória... esta garrafa, decantei para um decanter, esperei, voltei a decantá-lo para a garrafa e por fim, decantei de novo para o decanter antes de servir. Sempre com cuidado para não agitar o vinho, mas sim de forma a acelerar o seu contacto e reacções com o ar.

Assertivo na entrada de boca e cheio de personalidade. Duro, sem atenuantes de barrica... vinho para quem  sabe o que é vinho para durar décadas.
Seco e verde, com a fruta a surgir só após longo tempo em copo. Nota-se o carimbo evidente de 2008... onde os vinhos surgiram mais elegantes e frescos, eventualmente por maturações mais dificeis, não sei. Mas apesar de 2008 não ter vinhos de "encher o olho" logo, são vinhos que vão dar que falar ao longo dos anos. Mas voltando a este excelente Garrafeira 2008, está fantástico e obriga a confecção gastronómica com preceito.
Fruta silvestre, sem ser muito doce, mas é no seu lado mais vegetal que encanta. Tem peculiar elegância e finesse, embora necessite na minha opinião, de pelo menos 2 a 3 anos em cave para "crescer" mais. Depois... depois deve ser guardá-lo por décadas.

Provar Bagas destes quando "acabam de nascer" é uma satisfação muito grande para mim... faz-me perceber que estou a provar um vinho, já com idade suficiente para o apreciar, e felizmente, saúde que me permite ter ainda mais longevidade que o vinho para o ir provando... assim espero!

Excelente. Obrigatório comida de confecção que garanta persistência de sabores... senão, nem se dá pela comida!

Provador: Mr. Wolf 

Casa Ferreirinha Reserva Especial 2003


Característica diferenciadora: Terroir Casa Ferreirinha!

Preço: 50€


Onde: Garrafeiras especializadas 

Nota pessoal: 18


Comentário: Depois de duas experiências traumáticas nos últimos 9 meses com o Reserva Especial de 2001, há que provar o de 2003. E nada melhor do que numa prova cega, com um primo direito mais velho, o Quinta da Leda 2000 e um primo afastado mais jovem... o Adelaide 2005 da Quinta do Vallado. É um risco... mas como admirador e apreciador confesso que sou dos vinhos da Casa Ferreirinha, nada melhor do que enfrentar o tema.

E valeu a pena. Admito (com felicidade...) que tive azar nas duas garrafas do ano de 2001 que provei. 
Este de 2003, apesar de não me impressionar como as de 1997 ainda me impressionam, está fantástico e na minha opinião, ainda vai melhorar mais. É necessário compreender que estes vinhos Reserva Especial, melhoram pela harmonia que conseguem atingir. "Melhorar" neste exercício, não é serem mais expressivos de aromas, ou vigorosos no palato... não, nada disso... para isso há muitos vinhos novos para escolherem. "Melhorar" é atingir a leveza tão característica que estes vinhos têem, acetinados, harmoniosos como o nascer do sol nas praias das nossas magnífica praias no início do Verão. Nunca será o sol das 15h da tarde... mas aquecem como os primeiros raios de sol aquecem, por exemplo, nas nossas magníficas praias da Costa Vicentina. São graduações de aquecimento diferentes, mas para quem consegue visualizar a imagem, sabe que é muito mais reconfortante o aquecimento do nascer do sol que propriamente o das 15h. Estão a ver a metáfora? É isso mesmo. 

Cor rubi escura. Notas aromáticas ainda evidentes de barrica.
Ligeira tosta nos aromas. Especiado... e sim... este Reserva Especial sim... cheira a Ferreirinha.Não sei dizer o que é, mas sei identificar e gosto muito.
Algumas notas de cacau, ténue, fruta estilo cereja... e mais especiarias.
Na prova de boca é simplesmente excelente. Limpo o directo, frutado sem sobrematurações, ligeira untuosidade, quase que "amanteigado" e muito, muito equilíbrio.
Enche o palato, directo e de forma muito persistente desde a entrada de boca até ao final. Mantém-se sempre guloso quanto baste. Ligeiras notas especiadas e picantes, que lhe dão graça, mas sempre num registo bastante aveludado e com estrutura para muitos e excelentes anos de guarda.

Excelente Reserva Especial Ferreirinha.

Provador: Mr. Wolf 

Casa Ferreirinha Quinta da Leda 2000



Característica diferenciadora: Fruta e elegância com meia dúzia de Primaveras

Preço: 25€-30€


Onde: Garrafeiras especializadas 

Nota pessoal: 17,5

Comentário: A seguir a um Pé Franco 2001 do Luis Pato, "às claras", preparava-se uma prova cega cabendo a esta garrafa a desafiante tarefa de ser o vinho provado imediatamente a seguir...
Cor limpa e translúcida, de opacidade reduzida, com reflexos encarnado vivo.
Nariz com fruta silvestre em evidência, sem se manifestar de forma abrupta. Notas de framboesas, amoras e aroma ligeiro de caixa de tabaco. Muito ligeiro. É a fruta delicada que domina.
Na prova de boca impressiona pela tenacidade que ainda tem. Parece essência de fruta, limpíssima e sustentada por excelentes taninos e acidez.
Na prova cega, apontou-se sem unanimidade para o ano de colheita do vinho, mas sempre com a sensação de parecer mais recente.
Extraordinária elegância, parecendo-me estar no ponto para quem ainda lhe quer apreciar as notas mais frutadas... dá-me ideia que mais 2 ou 3 anos e deverá evoluir para a sua maturidade onde seguramente dará também excelente prova. 

Vinho provado em Prova Cega com Casa Ferreirinha Reserva Especial 2003 e Quinta do Vallado Adelaide 2005.

Provador: Mr. Wolf 

Luis Pato Quinta do Ribeirinho Baga Pé Franco 2001



Característica diferenciadora: É Pé Franco do Luis Pato... isso diz tudo.

Preço: 125€


Onde: Garrafeiras especializadas 

Nota pessoal: 18,5

Comentário: Há semanas assim... por pura coincidência, na semana seguinte a provar o Pé Franco 2003 e 2005... provei também uma de 2001. Aberta no dia anterior... mas ainda assim... o meu agradecimento ao caro amigo João Chambel. Estes vinhos são dos que provocam um experiência que se retém na memória.

E como estava esta garrafa de 2001 aberta no dia anterior? Estava impecável! Com o mesmo perfil do de 2003 e 2005, sendo mais semelhante ao de 2005... cor ainda rubi, bastante limpa e viva. Aromas de Bairrada... vegetal e bastante balsâmico. Pinheiro e eucalipto. Mas com um perfil aromático de perfume, muito sedutor e que dá muito gozo apreciar os aromas.
Na prova de boca é impressionante a finesse que estes vinhos têem... não é coincidência. É daqueles vinhos que constato que quem os prove com regularidade, com alguma facilidade os identifica em prova cega. Delicadeza extraordinária ao mesmo tempo que tem muita, muita persistência.
Seco ainda quanto baste, com ligeiro licoroso, muito ligeiro, mas acima de tudo, acidez perfeitamente integrada que lhe garante ainda muitos e bons anos para quem as tiver por abrir.

Um luxo...

Provador: Mr. Wolf 

quinta-feira, 21 de março de 2013

Dona Maria Reserva 2007



Característica diferenciadora: Gastronómico

Preço: 22€

Onde: Garrafeiras especializadas

Comentário: Já escrevi várias vezes, e falei ainda mais, que não tenho pelo Alentejo, enquanto região vitivinícola, um apreço substancial! Gosto de muitos vinhos alentejanos, reconheço que são apelativos e fáceis de beber, com um traço doce e uma macieza na prova que convencem facilmente, mas o que procuro não é bem isto! É lógico que esta apreciação tão generalista peca por colocar no mesmo saco uma região tão vasta e que tem, felizmente, vinhos que desmentem na totalidade o que acabei de escrever (Mouchão, Dona Maria, Quinta do Mouro, Esporão PS, Solar dos Lobos GE, dos que me lembro e que já bebi).

Da mesma forma que disse que não sou o maior fã do Alentejo vitivinícola, cabe-me também dizer que sou um adepto ferranho da Alicante Bouschet (bem … então este tipo não gosta muito do Alentejo e tem como uma das suas castas preferidas um tipo de uva que se dá principalmente bem no Alentejo … incongruência? Com toda a certeza!)

Este Dona Maria Reserva tem na sua composição 50% de Alicante Bouschet, coadjuvado por Petit Verdot e Syrah e, segundo o produtor, foi fermentado em lagares de mármore e estagiado em barricas novas de carvalho Francês durante um ano.

Apresenta-se não muito carregado na cor e no nariz sobressaem de imediato as notas mais típicas da Alicante Bouschet (vegetal, azeitona e cacau), terra e alguma humidade. A fruta, vermelha e preta, aparece de forma secundária. Na boca é encorpado sem ser esmagador, com madeira presente mas muito bem ligada. A acidez atravessa toda a prova e torna o vinho um “must” absoluto à mesa. Termina longo e com persistência.

Um grande vinho do Alentejo com base numa casta magnífica! ... este é um daqueles vinhos que faz bem à alma!

Provador: Bruno Miguel Jorge

terça-feira, 19 de março de 2013

Vinha dos Reis Branco 2009



Característica diferenciadora: Acidez/untuosidade

Preço: 6.5 €

Onde: El Corte Inglés

Comentário: Dourado na cor, ainda com presença notória da madeira mas já em diálogo muito cooperante com a fruta. Alguns citrinos (limão), mas também frutos secos (nozes). Um vinho com boa estrutura e bastante untuoso. Muito fresco e com uma acidez ainda muito viva a dizer-nos que temos vinho para mais uns bons anos. Boa persistência final.

Acompanhou muito bem um Arroz de Bacalhau (com um bocadinho de colorau) e um Serra da Estrela de qualidade da Queijaria Dos Lobos. Para o meu gosto, os brancos com alguma idade, menos efusivos na fruta, com boa acidez e untuosidade ligam formidavelmente com queijos de pasta mole.

Provador: Bruno Miguel Jorge