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domingo, 12 de abril de 2015

Quinta das Bágeiras Garrafeira 2000

Característica diferenciadora: Baga & 15 anos




Preço: 40€



Onde: El Corte Inglés eventualmente

Nota pessoal: 18.5


Comentário:  Que dizer dum vinho com 15 anos que quando se deita no copo está literalmente preto e opaco? Não se diz nada. Arregalam-se os olhos! E agradece-se ao Universo o estarmos no mesmo sítio e na mesma hora que aquela garrafa se abriu.
Aromas fechados ainda balsâmicos, ligeiramente mentolados. Muito sério, com fruta escura, mas são as notas balsâmicas que predominam.

Na prova de boca é magnífico.
Muito denso, larguíssimo no alcance imediato e com o equilíbrio que só os grandes vinhos conseguem ter.
Ao contrário do que é comum actualmente na maioria dos vinhos, este vinho cresce em garrafa. Literalmente.
Aqui não há amaciados de barrica, nem massagem nos taninos... Não. Há que esperar pelo tempo certo. Mas quando o tempo chega, é inalcançavel através de "festinhas" como actualmente se faz. E a Baga presta-se como poucas castas a crescer com o tempo. Que vinho! É muito, muito, muito bom. É um vinho para qualquer mesa do mundo.
Para qualquer apreciador de vinhos, que saiba que vinho não é só o estilo contemporâneo com ares de sugus de fruta, ou laivos de caramelo e baunilha, doces, com Madeira a pontapé, e suculentos. A suculência deste Quinta das Bágeiras Garrafeira 2000 vem da qualidade genuína e do tempo, duma forma que do os dois conseguem produzir... Claramente no pódio dos vinhos do ano de viragem do século. Curiosamente, o outro é Baga também e o outro - no meu pódio, naturalmente - é Barca Velha. 

Um prazer.



Provador: Mr. Wolf



Quinta do Portal Grande Reserva 2009

J
Característica diferenciadora: Douro com frescura e elegância




Preço: 28€



Onde: Garrafeiras especializadas

Nota pessoal: 17.5


Comentário:  Quinta do Portal já nos habituou a vinhos que conseguem ter porte e estrutura mas ao mesmo tempo manifestarem-se num registo bastante fresco. Este Grande Reserva de 2009 está ainda na sua puberdade...
Cor viva e muito opaca, com aromas evidentes de cacau. Opaco, vivo. Dá gosto olhar para o copo.
Tem a particularidade dum perfil muito próprio... em que os aromas cativam, pelo vinco e aprumo, mas na prova de boca é bastante mais elegante que os aromas anunciam.


Necessita de respirar, onde cresce e cresce, num estilo unívoco de estrutura, acidez e elegância. Apesar de alguns aromas a fumeiro, é delicioso para o nariz. Aromas de pólvora também.
Prova de boca com carácter terroso, folhas secas, mas que rapidamente se torna fresco e mais num estilo herbáceo que fruta. O que é bom.
Guloso, precisa claramente de cave para afinar e registar o seu estilo num perfil de elegância, e deixar que as notas mais fumadas e torradas se "esfumem".
Muito bom.


Provador: Mr. Wolf





Clos Henri Pinot Noir 2008





Característica diferenciadora: Mineralidade




Preço: 20€



Onde: ?

Nota pessoal: 17


Comentário:  Cor salmonada, aberta e bastante limpa. Aromas de pedra molhada e ligeira fruta. Não é impressionante, mas é apelativo.
Na prova de boca, cresce o entusiasmo pois é estremamente mineral com um equilíbrio de fruta que faz lembrar morango bem maduro que é muito bom.
Excelente estrutura, num registo bem elegante mas sempre bastante tenaz.
Boa experiência, bom vinho a preço bastante adequado.



Provador: Mr. Wolf



domingo, 29 de março de 2015

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Quinta do Crasto Reserva 2007


Característica diferenciadora: Douro

Preço: 25€

Onde: Garrafeiras especializadas.
 
Nota pessoal: 17.5

Comentário: Já andava há muito tempo a olhar para ela na cave... tem lá mais uma ou duas irmãs... mas andava mortinho por ver como estava.

Fora de modas e tendências, estes vinhos da Quinta do Crasto Reserva, criaram o seu próprio perfil, assente em muita qualidade na fruta e seguramente no cuidado durante a produção... e estágio em barrica de qualidade superior... e de facto, o que é bom, é muito bom sempre.

Pode variar ligeiramente no perfil, mas é bom. Quinta do Crasto Reserva 2007 não é para todos... Mais do que o custo financeiro que este vinho sempre teve - sem ser extraordinariamente caro, é um vinho inacessível para muitos consumidores -  é a maturidade de o deixar descansar e ir provando ao longo dos anos...

Cor limpa e rubi escura, caldosa e côr de cereja. Muito brilhante e lustrosa. Muito bonita a côr.
Aromas muito limpos com fruta e notas aromáticas vegetais também. Foi-se a hegemonia aromática da excelente barrica... o que não é mau de todo, apesar da barrica dos Crasto ser sempre muito boa! Ainda presente, mas pouco marcante.
Primários de fruta, carne e floral, com a fruta a pautar a prova sem estar em demasia. Muito maior subtileza do que evidência, o que confere um registo bastante elegante e distinto.

Gostei muito. Valeu a pena esperar e vai ser bom provar outras mais tarde.
 
Provador: Mr. Wolf

Casa Ferreirinha Vinha Grande 1995


Característica diferenciadora: Classe

Preço: 15€ ?

Onde: Garrafeiras particulares ou especializadas... ou leilões.

Nota pessoal: 17.5

Comentário: Provavelmente o último Vinha Grande que cheira a Barca Velha. Sim, cheira. Não quero saber se vou ferir sensibilidades ou não... Se cheira ou "tem aromas"... Para mim, cheira a Barca Velha.
A côr tem a côr que muitos Casa Ferreirinha têem. Não é turvo, é límpido. Mas não é 100% límpido. É Vinha Grande da Casa Ferreirinha...dos antigos.
E no nariz... chegada ao paraíso... Aquela poção mágica de aromas, inebriante e acutilante. Fruta muito fina e aromas balsâmicos. Arrebata qualquer um, tamanha é a sedução que os aromas manifestam. Nem apetece muito falar bem sobre o vinho... Tal é o egoísmo.
 
Fresco, com fruta e especiaria num equilíbrio muito giro, que proporciona muito prazer.

É um vinho do outro mundo, dada a pacatez que aparenta e a força que manifesta. Acidez na puberdade... Espicaçada ainda. Majestoso na capacidade de arrematar toda a atenção dos sentidos quando se bebe. Único no final, único no equilíbrio e persistência, largo, avassalador porque no fim é incrivelmente fresco. Esqueçam a idade. Esqueçam. Tem a pujança do que os vinhos novos têem, mas tem a classe e largura de sensações que só a idade confere! Brutal, brutal. Agora, para chatear... 12,5% e não tem Touriga Nacional. Mais do que opaco, é denso e quimicamente fresco. Vegetal, seco, espesso mas brutal. 
É a entrada tenaz na prova de boca que impressiona muito. Forte e densa, perfeita na entrada seca, mas com uma harmonização e secura final inesquecível! Muito, muito, muito, muito bom!

Nota e imagens em relação à excelente qualidade com que a rolha se apresentou.

Provador: Mr. Wolf


 





domingo, 14 de setembro de 2014

Quinta do Monte D´Oiro Aurius 2003


Característica diferenciadora: Classe


Preço: 25€

Onde: Garrafeiras particulares ou especializadas.

Nota pessoal: 18.5

Comentário: Não é à toa que a maioria dos posts que coloco actualmente é relativa a vinhos com mais de 5 ou 6 anos... especialmente se tivermos em consideração que parece-me de senso comum assumir que a qualidade geral do vinho em Portugal tem crescido muito, diria eu nas últimas duas décadas... mérito superior para os Produtos, sem margem para dúvida, e mérito também para o consumidor, que duma forma geral aumentou a exigência e colabora duma forma mais activa para o gosto pelo vinho. O mercado cresceu em valor no consumo interno, e apresenta fulgor no mercado externo... então porque destaco normalmente vinhos com mais alguns anos de idade? Porque se é verdade que os vinhos melhoraram a qualidade geral, também convergiram para um perfil muito semelhante, homogéneo e "fast drinking"... e na maioria das vezes, apetece-me um (ou mais do que um...) copo de vinho com carácter! E este sem dúvida nenhuma tem!
A cor estremece qualquer mesa... Quais 11 anos?! Será 2003 ou 2013? É 2003.
Limpo, brilhante e cor tendencialmente púrpura escura. Uma enciclopédia vinícola olhar para um copo destes... Panóplia de aromas e densidade cromática fantástica. 
Provar demonstra no copo, aquilo que só realmente o tempo consegue. Impressionante. 
Bom, pelo princípio... Aromas fechados e quentes, com figo a dar o mote. Parece-me também ligeiro cacau, morno - aquele aroma do resto das chávenas de chocolate quente, qaundo era pequeno e ficava aquela "calda" de cacau e o resto do leite... bom, aromas iniciais mornos mas uma bomba de intensidade da prova de boca!
Desafia qualquer conceito dos perfis de vinhos actuais, demonstrando que é o estágio e a correcta maturação que permite colocar em evidência o que é um grande produto, pronto para os palcos globais, e muitas vezes dificil de compreender em circulos mais estritos. 
Infelizmente, Portugal é sem dúvida um mercado pequeno, apesar de proporcionalmente no rácio de consumo per capita, ser um mercado de destaque. Mas conseguir produzir vinhos destes, essencialmente para um mercado como o nosso, a preços acessíveis, é de louvar... e agadecer.
Voltando a esta garrafa... Impossível explicar por palavras o equilíbrio entre a intensidade e a elegância que tem. Impossível.
Notas vegetais e à medida que respira, florais... apimentadas por fruta quente, ligeira e quase confitada. Final estonteante, cheio, redondo, mágico na intensidade, fulgor na persistência... Muito complexo para harmonizar, pois é aquilo que denomino um vinho "muito reagente", ou seja a sua intensidade é tal, que facilmente na harmonização com a comida, provoca diferentes (e evidentes ) sensações... se não houver cuidado, facilmente o vinho cresce muito mais do que a comida...
Touriga Nacional, Syrah, Petit verdot e Touriga franca. 
Penso que o grande destaque deste vinho é a nobre elegância que se sente em cada golada de vinho, como em poucos, polida pelo - inalcançavel por outros meios - efeito dos anos e da muita qualidade empregue desde a vindima à vinificação e estágio. Soberbo. 
Baco seria teu amigo do Facebook pessoal, Quinta do Monte D´Oiro. De certeza... vivesse ele onde vivesse...

Provador: Mr. Wolf


Luis Pato Vinha Pan 2000


Característica diferenciadora: Classe e elegância.



Preço: 25€-30€.

Onde: Garrafeiras particulares ou especializadas.

Nota pessoal: 18.5

Comentário: Patamar de excelência de vinhos elegantes em Portugal, Luis Pato dispensa qualquer tipo de apresentações e salamaleques. 
Os vinhos são normalmente excelentes e pontualmente muito bons. 
Este Vinha Pan de 2000 faz parte do conjunto de garrafas que se apresenta em excelentes condições!  
Rolha impecável, lustrosa e imaculada na sua função de vedar. 
Cor límpida, rubi escura. 14 anos...sim, 14!
Na prova de boca tudo é expandido, largo e homogéneo! 
Nada de barrica presente, nada de frutas fáceis - muito menos tropicais... a vinha não é um resort com palmeiras e fruta tropcial...
Aqui é a acidez perfeita que pauta a prova, subtil e fresca salpicada - a equilibrar - com as notas mais maduras de fruta seca, estilo tâmaras ou ameixa muito madura, mas muito, muito ligeiras. O carácter em  evidência é vegetal, balsâmico e profundo ... esporadicamente ligeira fruta vermelha, que curiosamente oscila entre a mais madura e silvestre à medida que o vinho respira. 
O final do vinho é imenso, integrado no prazer da prova desde o início... toda prova é imensa, desde os aromas ao primeiro trago que se engole. 
Perpetua o prazer, sempre num registo muito fino, coloquial e muito sério. 
É um perfil fora de moda, mas que há-de voltar a calibrar a excelência do vinho português, ao invés do que se premeia hoje em dia. 
O perverso deste paradigma, é que quando voltarem esses tempos, provavelmente diminui a capacidade financeira para beber estes vinhos como existe hoje... ou seja, subitamente encarecem ao ritmo de 3 dígitos percentuais...
Por isso, vou ser um humilde consumidor egoísta e desejar que se continuem a premiar os perfis que hoje se premeiam... Tirem as vossas ilações. 

Provador: Mr. Wolf